Se quer entrar Pise em ovos E venha inteiro Meu coração é espelho Se quer, tomo Se der, devolvo
Venha, sim Mas venha cantando Se dançar, é porta Se pisar, é parede
Não venha espada Nem venha paus
Sem pressa, espero Espero circulares Quero redondos Se o querer é meu, fique aí. Se vier, seja por si. Bem vindo!
Medos? Tenho todos E divido Tenho, também, os seus. E não nego É bobagem
Meu coração é perdido É partido E os desejos vazam Pelas rachaduras
Portanto, venha ninho Venha manso Que se vier pedra Meu coração passarinho Voa.
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Sobre Hipopótamos e Elefantes
Elefantes são animais teimosos Inconvenientes Aparecem sem ser convidados E voam, Voam longe
Ah, têm péssima memória.
Vêm em várias cores e, Sem aviso, Podem mudar de cor
Ficam invisíveis mas não somem E parecem ser imortais Aviso: Não tente matá-los! Eles se multiplicam.
Já os hipopótamos são dóceis Tímidos Da matéria dos sonhos E dormem em garrafas
Não mudam de cor Mas podem alterar o sabor Em geral são doces Mas há dias em ue podem estar mais apimentados.
Assustadiços, se escondem ao menor sinal de chuva Mas são fortes como... hipopótamos!
Nunca tentei matá-los Mas tenho certa mdificuldade em dormir engarrafada.
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Nunca fui uma mulher de artimanhas
Nunca fui uma mulher de artimanhas Mulher de perfumes De velas aromáticas, óleos e fantasias
Nunca fui mulher de máscaras E cintas-ligas Mulher de meias 7/8
Sempre fui mulher de inteiras De querer agora De repentes
Mulher de acasos E acontecimentos
Desta vez Quero fazer diferente.
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Um Momento
Naquele momento Eu sentei na beira da calçada E chorei Você não me perguntou nada E compreendeu E aceitou
Eu, sempre tão mulher Por um momento fui menina.
Pode ter sido só sonho Amanhã pode ser só memória Mas naquela hora Por um breve momento Eu fui feliz.
E já valeu a pena.
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Anjo Clandestino
Me deixa ser teu anjo Um anjo às avessas Anjo sorrateiro Que pula a janela No meio da noite Anjo clandestino Sem passaporte Imigrante ilegal na tua vida
Me deixa te ensinar A romper as fronteiras Do céu e do inferno
Juro por Deus Que sou capaz de te devolver tuas asas De te ensinar a voltar inteiro E mais humano A cada manhã
Deixa... Nem que seja só uma vez...
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Um beijo que levou anos
Um beijo que levou anos pra acontecer. Um beijo roubado Escondido De que fugi E que amadureceu e quando veio Veio longo Intenso Arrebatado
Um beijo que se tornou mar Que se tornou onda E que chegou tomando conta de tudo.
Um beijo que cresceu E virou muitos E virou tudo E virou sexo
Um beijo que ainda não terminou E que deixou no ar o cheiro No corpo um visgo E no peito, uma saudade.
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Para Onde?
E quando as luzes se apagam A música cessa E todos já foram embora?
Quando o nó na garganta se aperta As pernas perdem as forças E as lágrimas se tornam inevitáveis?
O que fazer, José?
Você quer um colo Mas percebe que o tempo de colo já passou Quer um ombro, um abraço Mas eles nao estão mais lá Quer um olhar, uma presença Mas aí não há ninguém
O que fazer, José, quando todos já se foram?
Como suportar Suplantar Encarar? Como superar? Como ser o colo que abriga, A mão que ampara, O ombro que acolhe? De que jeito ser viga Quando não se tem chão? Seguir, caminhando em nuvens, José?
José, para onde?
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Que lugar é esse
Que lugar é esse Onde me encontro E onde me perdi?
Que é esse lugar Em que ondes não fazem sentido? Lugar de comos e por quês, Lugar de quens...
Esse não-lugar sem coordenadas Lugar de descaminhos Desencontros
Esse não-lugar de sonhos Não-lugar de meios Entremeios De entrelinhas
Um não-lugar entre lugares. Como mapear, marcar encontros? Em que lugar os não-lugares se cruzam?
- Mãe, que lugar é esse em que você está? - é, na verdade, filho, um não-lugar... - E qual é o meu lugar, mãe, nesse seu não-lugar?
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Esto es lo que busco
Esto es lo que busco Lo que me sigue Y que lo sigo yo
El que sea capaz de lo que sea Y pelo qual yo no me importe Em saber donde voy
Quiero uno Que saiba hacer caricias sin miedo Uno que se deja quedar Sin orgullo
No mas pruebas no mas juegos solo y sin embargo Amor
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Que posso fazer
Que posso fazer Se meus olhos não despregam Desse seu sorriso Deliciosamente malicioso?
Que fazer Se meu sorriso se desfaz em mel A um só olhar seu Desses que tiram o sentido das mãos?
Fazer o quê Se apesar de tudo o que obviamente acelera sua corrente sanguínea Você foge?
como sair consigo se o mundo muda e nos mudamos o mundo?
que bom ler teus poemas de novo andei sumido mas voltei com vontade de ver coisas belas por isso estou aqui diante de teus poemas um grande abraço
Lindo!! Parabéns!!