Se quer entrar
Pise em ovos
E venha inteiro
Meu coração é espelho
Se quer, tomo
Se der, devolvo
Venha, sim
Mas venha cantando
Se dançar, é porta
Se pisar, é parede
Não venha espada
Nem venha paus
Sem pressa, espero
Espero circulares
Quero redondos
Se o querer é meu, fique aí.
Se vier, seja por si.
Bem vindo!
Medos? Tenho todos
E divido
Tenho, também, os seus.
E não nego
É bobagem
Meu coração é perdido
É partido
E os desejos vazam
Pelas rachaduras
Portanto, venha ninho
Venha manso
Que se vier pedra
Meu coração passarinho
Voa.
867
Sobre Hipopótamos e Elefantes
Elefantes são animais teimosos
Inconvenientes
Aparecem sem ser convidados
E voam,
Voam longe
Ah, têm péssima memória.
Vêm em várias cores e,
Sem aviso,
Podem mudar de cor
Ficam invisíveis mas não somem
E parecem ser imortais
Aviso:
Não tente matá-los!
Eles se multiplicam.
Já os hipopótamos são dóceis
Tímidos
Da matéria dos sonhos
E dormem em garrafas
Não mudam de cor
Mas podem alterar o sabor
Em geral são doces
Mas há dias em ue podem estar mais apimentados.
Assustadiços, se escondem ao menor sinal de chuva
Mas são fortes como... hipopótamos!
Nunca tentei matá-los
Mas tenho certa mdificuldade em dormir engarrafada.
1 080
Nunca fui uma mulher de artimanhas
Nunca fui uma mulher de artimanhas
Mulher de perfumes
De velas aromáticas, óleos e fantasias
Nunca fui mulher de máscaras
E cintas-ligas
Mulher de meias 7/8
Sempre fui mulher de inteiras
De querer agora
De repentes
Mulher de acasos
E acontecimentos
Desta vez
Quero fazer diferente.
793
Um Momento
Naquele momento
Eu sentei na beira da calçada
E chorei
Você não me perguntou nada
E compreendeu
E aceitou
Eu, sempre tão mulher
Por um momento fui menina.
Pode ter sido só sonho
Amanhã pode ser só memória
Mas naquela hora
Por um breve momento
Eu fui feliz.
E já valeu a pena.
832
Anjo Clandestino
Me deixa ser teu anjo
Um anjo às avessas
Anjo sorrateiro
Que pula a janela
No meio da noite
Anjo clandestino
Sem passaporte
Imigrante ilegal na tua vida
Me deixa te ensinar
A romper as fronteiras
Do céu e do inferno
Juro por Deus
Que sou capaz de te devolver tuas asas
De te ensinar a voltar inteiro
E mais humano
A cada manhã
Deixa...
Nem que seja só uma vez...
1 256
Um beijo que levou anos
Um beijo que levou anos pra acontecer.
Um beijo roubado
Escondido
De que fugi
E que amadureceu e quando veio
Veio longo
Intenso
Arrebatado
Um beijo que se tornou mar
Que se tornou onda
E que chegou tomando conta de tudo.
Um beijo que cresceu
E virou muitos
E virou tudo
E virou sexo
Um beijo que ainda não terminou
E que deixou no ar o cheiro
No corpo um visgo
E no peito, uma saudade.
851
Para Onde?
E quando as luzes se apagam
A música cessa
E todos já foram embora?
Quando o nó na garganta se aperta
As pernas perdem as forças
E as lágrimas se tornam inevitáveis?
O que fazer, José?
Você quer um colo
Mas percebe que o tempo de colo já passou
Quer um ombro, um abraço
Mas eles nao estão mais lá
Quer um olhar, uma presença
Mas aí não há ninguém
O que fazer, José, quando todos já se foram?
Como suportar
Suplantar
Encarar?
Como superar?
Como ser o colo que abriga,
A mão que ampara,
O ombro que acolhe?
De que jeito ser viga
Quando não se tem chão?
Seguir, caminhando em nuvens, José?
José, para onde?
746
Que lugar é esse
Que lugar é esse
Onde me encontro
E onde me perdi?
Que é esse lugar
Em que ondes não fazem sentido?
Lugar de comos e por quês,
Lugar de quens...
Esse não-lugar sem coordenadas
Lugar de descaminhos
Desencontros
Esse não-lugar de sonhos
Não-lugar de meios
Entremeios
De entrelinhas
Um não-lugar entre lugares.
Como mapear, marcar encontros?
Em que lugar os não-lugares se cruzam?
- Mãe, que lugar é esse em que você está?
- é, na verdade, filho, um não-lugar...
- E qual é o meu lugar, mãe, nesse seu não-lugar?
864
Esto es lo que busco
Esto es lo que busco
Lo que me sigue
Y que lo sigo yo
El que sea capaz de lo que sea
Y pelo qual yo no me importe
Em saber donde voy
Quiero uno
Que saiba hacer caricias sin miedo
Uno que se deja quedar
Sin orgullo
No mas pruebas
no mas juegos
solo y sin embargo
Amor
763
Que posso fazer
Que posso fazer
Se meus olhos não despregam
Desse seu sorriso
Deliciosamente malicioso?
Que fazer
Se meu sorriso se desfaz em mel
A um só olhar seu
Desses que tiram o sentido das mãos?
Fazer o quê
Se apesar de tudo o que obviamente acelera sua corrente sanguínea
Você foge?
como sair consigo se o mundo muda e nos mudamos o mundo?
que bom ler teus poemas de novo andei sumido mas voltei com vontade de ver coisas belas por isso estou aqui diante de teus poemas um grande abraço
Lindo!! Parabéns!!