Poemas
11Passe
Paixão desconhecida
Rima barata
Desejos usados
Roupa Guardada
Voz de ''bem me quer''
Mãos de um qualquer
Fala desajustada
Luz na calada
Cor do meu prazer
Me diga, por que?
Não vá embora
Dessa trilha sonora
Visão de anos
Espera de uma vida inteira
Seus beijos passarão
Mas não se passe.
Engano
Sem roupas
Sem dramas
Cause tuas tragédias
Me bote em linha reta
Acompanho tuas curvas
Me viro, retorço
Te grito em minha composição
Tua voz contesta meus planos
Tua face causa danos
Mas eu canto
Mesmo que talvez
Engano
02:47
Promíscuas sentimentais
Buscando a nota perfeita
O poema mais fugaz
Sou dessas mulheres
Loucas de madrugada
Distintas, desvirginadas
Em busca do tudo, ou nada
Sou dessas
Vinhos, cigarros, amores
Sou dessas
Que sentem todas as dores
Marrom
Que me tocavam de forma desigual
Sua música transbordava em mim
Delírios de um samba
A cada passo um novo acorde
Me tocava em sol maior
Eu que era dó
Virei sinfonia
Mas se me quiseres
Completo teus passos
Embalo teu corpo
No meu enredo caótico
Clarabóias
podia sentir o ar quente de suas ventas
entrelaçar
desgrenhar meu corpo amaldiçoado
pôs fogo em minhas flores
roubou-me pirulitos
deu-me balas nunca provadas
saciou-se de minha inocência
antes eu levava flores
antes eu não sabia da escuridão
antes eu era criança
antes não era prisão
agora tranco a porta
agora escondo a chave
desenterro minhas bonecas
mas elas já não brincam mais comigo.
Desconhecido
Mutilado em minhas veias
No ócio do estrondoso mar
Certifico-me que insano seja
Fugaz as linhas que nos trazem
Correndo sem cessar
Abrindo novas alas
Espalhando imensidões
Sincronia essa que já não me sente
Eu, pleno vigor mundano
Perambulando em abstinência
Deixo-me em teu contra plano.
Marasmo
Disserto sobre a vida
Mas nada sei do mar
Será só um barquinho
Ou um navio a naufragar?
E se a vida não for nada?
Ainda tem a ver com mar
Mar que nada, nada, nada
Mas nunca consegue chegar.
Nadar eu sei
Nado de trás, frente, peito, cachorrinho
Nado no teu peito, nado com carinho.
Nado no Nada.
Talvez não saiba nada da vida
Talvez não saiba nada do mar
Certeza que não sei nada de nada
Absoluta certeza de que não sei amar.
Um poema em duas mãos.
Um cigarro e meio amor (1x2)
Se o que dizem por aí for verídico, de que só amamos uma vez na vida. Fico completamente decepcionado comigo mesmo. Não por não ter amado ainda, mas por ter amado a pessoa errada.
Vejo a melodia que ecoa entre os bem amados, ar fugaz que transparece na atrocidade do vento. Oh céus, por que esses versos perdidos não chegam até mim? Será eu, um antônimo de nós? Primeira pessoa do singular.
Abstrato perante o mundo, ou mundo abstrato diante de mim? Vejo-me e não me enxergo. Talvez focando os olhos diante do espelho faça o borrão entrar em foco. Mas se o problema for o espelho?
O chão onde piso é tão torto, balança, leva e trás, caí. Eu continuo no mesmo lugar, tudo se move. Esse meu olhar perplexo diante da existência. Eu que vejo o mundo ou o mundo que me vê? O sentido existe pra quem se surda da realidade.
Como um pêndulo na ventania, no olho do furacão. Movo-me, sacudo-me, sem direção. Porém preso a algo invisível que me impede de chegar a lugares nunca explorados. Tento me soltar. Mas o que me prende, chama-se VIDA.
Um texto de duas mãos.
Vertigem
Por Deus, me ensine a rezar
Tuas letras glorificadas não me servem de inspiração
Mas Deus, por Deus
Que isso seja minha oração.
Deveras
O teu caos é verídico
Os teus olhos são limpos
Apareces do nada, me trazes sorrindo
Ah, guri
Teu andar desajeitado não engana
Tuas mãos frias enrugadas lhe entregam
Diz ser vermelho, azul, cor do incerto
Mas rapaz
Perceba a dislexia de meu pulmão
Chegando bem de manso
Te trazendo quase em vão.
Comentários (1)
É você que passa pela vida ou são as coisas da vida que passam por você ?