Lucille

Lucille

.close my eyes and pass away.

n. 0000-01-16, Joinville/SC

Perfil
39 381 Visualizações

Poemas

45

A tentativa de cronicar


As aulas de filosofia sempre soaram interessantes, se não fosse a perjura que o cérebro insiste em desvendar, talvez até pensasse em seguir o rumo dos pensadores - não conhecidos. Esses tem a fama de chatos, analistas de boteco, carpinteiros de Freud. E tantos outras nomenclaturas que me fogem de parte do cérebro, qual eu utilizaria para guardar informações caso tal funcionasse bem. Provável que nasci com algo atrofiado dentro da carola, e agora ter caído do berço já não é mais pretexto pro rodeio.
Todas as quintas feiras na aula, encontro-me com seres pensantes. Alguns se atém a indagar a cor da camiseta do Papa, outros fazem referência ao anel do dedinho esquerdo da Presidenta. Ou será da direita?
Poderia ficar horas analisando a interpretação dos indivíduos, o modo como se rebelam ao soltar certas palavras. Então dona Linda Cristina, minha futura psicóloga e já professora, pergunta em bom tom o que era referido em uma música de Chico, eu, por vez exaltei: Puta! Talvez fosse mais delicado dizer ''mulher da vida'', hetairas, grandes sacerdotisas do Egito Antigo?
Segundo meu acalorar momentâneo, não seria justo entender como funcionam as pessoas através de pensamentos transitórios, pois naquele momento parei gélida observando ao redor, sentido-me um dejeto perante os outros. A culpa é minha ou da sociedade por penhorar a significação de puta dentro de um ciclo preconceituoso? Pois no amado Aurélio, é designado puta qualquer mulher lúbrica que se entregue à libertinagem. E lá vem o tal feminismo do qual não faço gosto de dissertar.
Minha mente incrédula vive pregando peças, quer saber o que tem através de cada ideia. Por isso a coitada vive inerte de respostas, passando por caminhos de variáveis e um montão de nadas. Se perde no compasso. Falando em compasso, terminei de ler Leite Derramado, primeiro livro que ouso folhear o último capítulo, qual o título faz analogia a Matilde, que quando grávida de Eulálinha debruçava-se sobre a piá para despejar seu leite, pois a filha tinha uma ama-de-leite, onde a mãe havia a possibilidade de amamentar. Por fim, Matilde some antes da metade do livro, vivendo apenas em memória. Tenho dificuldade em lembrar nomes de personagens, e sem nenhuma surpresa, esqueci-me do nome designado ao personagem principal, qual narra suas neuroses e memórias - vezes inventadas - de um leito de hospital.
Sim, todos os livros que deleitei até tal momento, deixei para trás o último suspiro da narrativa. Problemas com finais? Creio que um tanto. Admito ter certa curiosidade de saber com quem Guiomar aceitou casar-se em a ''A Mão e a Luva'', ou como terminou Odisseu em sua jornada em ''Odisseia'', também queria ter fugido da descoberta que a loucura haveria de deixar Dom Quixote.
Será que ainda há espaço para os desajustados? Temo que a morte não se aproxime tão cedo

672

Expediente

Em todo fim de túnel

Imerge uma solução

Escassa e passageira

Barreira da solidão


Em todo quadro mórbido

É vista uma confusão

Que mesmo com outros olhos

Enxerga a absolvição


Em todo sofrimento

Existe a compaixão

De jogar a corda pra baixo

Sem retorno para o chão.



533

Cravos

Ao teu andar lento
Vejo meus passos expressos
No marasmo do tempo
O meu templo secreto
Teu respirar.
647

Votos de saudade


Nada se faz em riso com ele longe do peito

A poesia escondida se mostra em sua ausência, ecoa, grita de meus pés até o infinito
O verso se retrai em silêncio
Nenhuma sinfonia ousa soar
Mãos desatadas em tempo que se calcula em saudade
Cama vazia, a espera da rotina perfumada que há de voltar
Meu corpo nunca se viu tão sem pele, tão sem vida
A luz do amanhecer trás seus surtos de abstinência
E tudo pelo o quê anseio é sua chegada.
À volta sem ida.


433

ll

É na caixa marrom

que a tragédia é suplicada

Leve como o som

ou pesada como o último suspiro.

503

lll

Dentre tantos sons

O viver é confundido

Gritos desesperantes

Ecoam como sorrisos

De tanto gritar

A voz cala

Sem sentidos

O que restam são monstros

No alarde dos ouvidos.

549

Mundo-Mudo

Respeito o desacato

de quem cala na multidão

São olhos entorpecidos

dedicados a escuridão


Respeito o desacato

de quem ouve sem pensar

São palavras digeridas

de quem fala por falar


Respeito o desacato

do canto persuadido

São gestos ignorantes

na palavra sem sentido


Respeito o múrmuro alto

de quem ora como bispo

Indolências necessárias

nessa vida sem sentido.


517

Sanatório

Manchas colhidas

Repelem meus ossos

Já de partida

Trincados, quebrados

Ná fúria de laços

Rompidos, perdidos

Perduro meu corpo

No encontro ascoso

Alimentado por vermes

Que nascem a cada entardecer.

489

Lápide

Cruzo as linhas da dor

Em papéis onde não escrevi

Aqui jás um amor

Outrora

Perdi.

539

She says

Esqueço-me onde deixei tuas vestes

Procurei pelos cômodos de casa

As meias mal lavadas

E olhos amortecidos de indolência

No desabrochar do tempo

Que hora parte

Hora cura


Onde foi que deixei as xícaras sujas

De tantos desafetos e ternuras

Lembradas no enaltecer da partida



Onde foi que deixei a vida

Que era minha

Que era tua.



505

Comentários (1)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.
haha ;)
haha ;)

É você que passa pela vida ou são as coisas da vida que passam por você ?