AI DE MIM
tinha
uma arvore com o tronco queimado, ao ser avistada de longe por nós ainda
crianças, parecia um monstro, morriamos de medo, mas todo dia aquela mesma
arvore que assustava também atraia, assim nos juntávamos num número grande de
crianças e corríamos para ver o tal monstro, quanto pavor eu sentia, mas quem
disse que chegávamos perto, não, só olhávamos de longe, afinal ninguém tinha
intenção de ser consumido pelo monstro da arvore, e assim os dias iam passando,
até que um dia tomados de muita coragem e decisão, resolvemos olhar o monstro
de mais perto, para nossa surpresa quando chegamos bem pertinho vimos que era
apenas um tronco queimado, uma arvore, que alívio e assim felizes na maior
algazarra voltamos para casa. Assim é a nossa vida tudo que está longe assusta,
há sempre um medo de chegar mais perto da situação, há sempre uma relutância,
ir ou não ir? fazer ou não fazer? não é mesmo caros leitores? sabe este
episódio da árvore nunca saiu da minha lembrança, vou reviver a mesma decisão de me aproximar da
árvore sempre, porque só conhecendo os problemas é que podemos
resolve-los, nós temos muitos troncos queimados dentro de nós que nos
assusta, melhor maneira de resolver é enfrentando, são todos monstros
imaginários criados pelo medo da vida, uma montanha por mais alta que seja, é
possível ser escalada com planejamento e decisão, os alpinistas quando atingem
o topo das montanhas, explodem de alegria, os atletas quando romper linhas de
chegadas, choram de emoção, mas porque só alguns conseguem? porque só alguns
não tem medo da árvore, vão em frente, o pódio geralmente são só três lugares,
mas no pódio da vida há lugar para todos, não importa o tempo que levamos para
chegar, o importante é chegar, vou parando por aqui, que hoje vou ter que
enfrentar as minhas árvores internas, e descobrir em mais um dia, que eu posso,
que eu consigo afinal árvore nenhuma mais me assusta, eu sou maior do que
qualquer árvore imaginária.
LUCINEIA MAGRI.
Perdi o meu sapatinho
O príncipe não encontrou
Pobre coraçãozinho
Chorou, chorou, chorou....
Fiquei na minha janela
O príncipe não passou
Queimei minha panela
Torrou, torrou, torrou...
Esperei uma ligação
O príncipe não ligou
Mais uma vez não
Tocou, tocou, tocou...
Fiquei muito zangada
Deixei de esperar
Que príncipe, que nada
O sapatinho vou quebrar....
Melhor beijar um sapo
Ele pode se transformar
Sapatinho de cristal
Com certeza vou quebrar....
LUCINEIA MAGRI
Meus pés caminham
pelo chão que imagino
flores vão germinando
dando beleza ao destino.
Do meu pensamento
vou lançando sementes
que caem lentamente
de encontro com o vento.
Meu chão, meu caminho
sem seca, nem enchente
sem dor, nem espinho
só de amor simplesmente.
Meu chão, minha poesia
Meu céu, minha flor
A vida é alegria
é luz é amor..
Lucinéia Magri
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