Esta noite
senti o mar incendiar-se
nas tuas mãos
arderam os olhos
nas tuas mão inteiras
enormes
esta noite no teu peito
inventei estrelas
que não conhecia
No outro dia uma educadora de infância parou o carro no meio da ponte,
saiu, chegou-se à amurada e saltou. Segundo parece causou
engarrafamentos monstros. Não é preciso muito para atrapalhar o
trânsito. Basta um carro parado.
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Morri quinta-feira ao fim da tarde
a autópsia foi clara
causa da morte: saudades tuas
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Renasci junto a um oceano branco
levado por dois braços de mar salgado
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Não, não quero ser livre
quero ser cativo de amores
preso a paixões e tormentas tamanhas
Não, não quero ter ideias
só a paz de ver o mar
e as coisas mudas a sorrir para mim
Não, não quero ser contente
quero a raiva de todo o mal
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A vida é uma coisa engraçada que rola na minha mão.
Das vezes que a consigo ver de fora é giro olhar para as coisas. E tudo
parece estranhamente igual. O que é que eu tenho a ver com tudo isto? As
pessoas movem-se de um lado para outro, fazem coisas, mexem-se como se
movidas por uma necessidade necessária. Para que o mundo não pare e
continue a girar como antes. Quando a única finalidade que faz sentido é
sermos felizes. Quantas destas necessidades necessárias nos fazem felizes?
Fecho os olhos. Devo representar a farsa de uma máquina,
não porque acredite no que faz a máquina, mas porque a rosca não pode
viver sem um parafuso.
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Era interessante saber a largura dos dias
e sabermos com antecedência se cabemos neles
para não ficarmos com os pés de fora
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Preciso de uma droga que me reduza a pena. A vida é-me demasiado grande. E os meus pés tão pequenos. Os olhos vazios.
Ou eu me levantei ou o mundo encolheu. Estou a bater com a cabeça no tecto do mundo.
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Sou normal,
na maioria que sou em mim
estou perfeitamente na média
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Pássaros surdos loucos
De amor encantados
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Alguém escreveu sobre a mágica tarefa de viver, a mim ocorre a vã tarefa de viver
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O corpo estava acompanhado. Mas ninguém se sente só com o corpo.
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Alguém me perguntava com admiração. A beleza agride-te.
Sim. A beleza deve ser violenta.
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Pensamentos dum ouvido ao redor duma laranjeira
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Hóstia babada de ranho
Cona ungida de pano
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Aos céus sobe a espada que nos mata
e ficamos a vê-la subir ao alto
tão do chão
tão lentamente
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O erasmo era feio e tinha mau gosto para chapéus.
Numa esfera monocorda
um pouco de vermelho
Ternas lágrimas, flor de fruto
lentas feridas ao correr do campo
Parabens pelo seu aniversário ocorrido este mes de março = abraços ademir.
Parabéns Sr.Luis Henrique... belos textos poéticos.Aproveito para vos dizer que estou muito feliz por ter resolvido o problema de meu computador. evidentemente com a sua ajuda. felicidades.Ademir o poeta.
Sensacional
VsrsisDifusamente ser s
BOa poesia encontro aki