Luis Rodrigues

Luis Rodrigues

Uma vaca à procura do universo

n. 0000-08-19, Ponta Delgada

Perfil
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Esta noite

Esta noite
senti o mar incendiar-se
nas tuas mãos

arderam os olhos
nas tuas mão inteiras
enormes

esta noite no teu peito
inventei estrelas
que não conhecia
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Poemas

47

Pequenas coisas que me vão passando pela cabeça

No outro dia uma educadora de infância parou o carro no meio da ponte, 
saiu, chegou-se à amurada e saltou. Segundo parece causou 
engarrafamentos monstros. Não é preciso muito para atrapalhar o 
trânsito. Basta um carro parado.

--- // ---

Morri quinta-feira ao fim da tarde
a autópsia foi clara 
causa da morte: saudades tuas

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Renasci junto a um oceano branco 
levado por dois braços de mar salgado 

--- // ---

Não, não quero ser livre 
quero ser cativo de amores 
preso a paixões e tormentas tamanhas 
Não, não quero ter ideias 
só a paz de ver o mar 
e as coisas mudas a sorrir para mim 

Não, não quero ser contente 
quero a raiva de todo o mal 

--- // ---

A vida é uma coisa engraçada que rola na minha mão. 
Das vezes que a consigo ver de fora é giro olhar para as coisas. E tudo 
parece estranhamente igual. O que é que eu tenho a ver com tudo isto? As
pessoas movem-se de um lado para outro, fazem coisas, mexem-se como se 
movidas por uma necessidade necessária. Para que o mundo não pare e 
continue a girar como antes. Quando a única finalidade que faz sentido é
sermos felizes. Quantas destas necessidades necessárias nos fazem felizes? 
Fecho os olhos. Devo representar a farsa de uma máquina, 
não porque acredite no que faz a máquina, mas porque a rosca não pode 
viver sem um parafuso. 

--- // ---

Era interessante saber a largura dos dias 
e sabermos com antecedência se cabemos neles 
para não ficarmos com os pés de fora 

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Preciso de uma droga que me reduza a pena. A vida é-me demasiado grande. E os meus pés tão pequenos. Os olhos vazios. 
Ou eu me levantei ou o mundo encolheu. Estou a bater com a cabeça no tecto do mundo. 

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Sou normal, 
na maioria que sou em mim 
estou perfeitamente na média 

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Pássaros surdos loucos 
De amor encantados 

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Alguém escreveu sobre a mágica tarefa de viver, a mim ocorre a vã tarefa de viver 

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O corpo estava acompanhado. Mas ninguém se sente só com o corpo. 

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Alguém me perguntava com admiração. A beleza agride-te. 
Sim. A beleza deve ser violenta. 

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Pensamentos dum ouvido ao redor duma laranjeira 

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Hóstia babada de ranho 
Cona ungida de pano 

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Aos céus sobe a espada que nos mata 
e ficamos a vê-la subir ao alto 
tão do chão 
tão lentamente 

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O erasmo era feio e tinha mau gosto para chapéus.

1 010

Pêndulos

Que todos os pêndulos sejam pontes
entre mim e parte incerta

Que todas as pontes sejam pernas
alvos de púrpura e cetim

Que todas as pernas sejam frutos
só sem mais nada ou ninguém
965

Para viver

Para viver
livros e folhas
são tudo quanto preciso
Porque o primeiro reconhecimento
é o que me mereço
nestas folhas perdidas

E se por acaso outra coisa recordo
da sua falta
á minha mão retorno
sem nunca de lá ter partido

Outro eu de outro precisa
para de eu mesmo se apartar
mas se fosse possível ver claro
distinto desta massa indistinta
um pouco mais á frente
esse outro que vejo
esse mesmo sou eu
967

Lábios

Os teus lábios sobre os meus
no pátio do silêncio
como um altar
965

Olhos

Meus olhos confusos
arrastam consigo
desesperados passos
1 047

Odeio-me

Odeio-me mais que a mim mesmo
Será que tenho olhar de poeta?
Será que te mudo quando me olham?
976

Nuvens

Por isso as nuvens
se zangam em trovoadas
e vociferam trovões.

É a carcaça que grita
o que o resto cala.
961

Esfera

Numa esfera monocorda
um pouco de vermelho
Ternas lágrimas, flor de fruto
lentas feridas ao correr do campo

929

No escuro

No escuro da noite
um táxi, uma vida
ritos urbanos
sinfonia de plástico
caos de dor
silenciada no corpo
duma mulher
culto de morte
absurda
violinos de aço
ferindo com furor
962

Meterologia

A tua meterologia é tão simples.
Se me sorris o sol brilha,
se não te vejo caem trovões.

Meu deus,
que escuros são os dias sem ti!
1 150

Comentários (5)

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ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli

Parabens pelo seu aniversário ocorrido este mes de março = abraços ademir.

Parabéns Sr.Luis Henrique... belos textos poéticos.Aproveito para vos dizer que estou muito feliz por ter resolvido o problema de meu computador. evidentemente com a sua ajuda. felicidades.Ademir o poeta.

Sensacional

Beatriz
Beatriz

VsrsisDifusamente ser s

BOa poesia encontro aki