LUIZ GONZAGA DE PAULA

LUIZ GONZAGA DE PAULA

n. 1957 BR BR

n. 1957-06-21, GUARULHOS

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já perdeu

JÁ SE PERDEU

 

Acontecem coisas que eu não sei,

Não pergunte coisas que eu não fiz.

Quantas vezes eu tive o teu olhar,

Esqueci as tantas que não tive.

 

Só paixão me traz aqui sem ti,

Mesmo que a vejo amiúde.

Nos meus sonhos sei que já perdi,

Muito embora nada disso mude!

 

Tantos e quantos beijos lhe roubei,

Tantos e quantos versos lhe escrevi.

Das lembranças tudo eu guardei,

Mas seu nome eu já esqueci!

 

Apaguei momentos da memória,

Fiz de conta que não era eu.

Se já fiz parte da sua historia,

Você para mim já se perdeu.

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Poemas

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SEM ALIVIO

SEM ALÍVIO

A rosa nua é flor sem zelo,

A noite sem lua é negra em pêlo.

Conta-se história de outras vidas,

Como quem sabe da despedida.

 

Diz-me adeus e foi-se embora,

Sempre distante mesmo das horas.

A luz do tempo à cor da aurora,

Como que parte já sem demora!

 

Deixou só rastros espéctros gastos,

No candelabro sabor e gosto,

Onde desvia o próprio medo,

Dentro do peito nenhum segredo.

 

Entardeceu sombra e lua fria,

Banhando as margens da estrada.

Deixando apenas um vazio,

No frio prado, por todo estio.

 

Rasga-se o vento rompe castigo,

Deixe de tudo fique aqui comigo.

Não deve ainda não pode agora,

Esquece o tempo tudo lá fora.

 

Mas me abriga ante o delírio,

Roube meus versos faz poesia,

Deixe meu corpo assim sem alívio,

Mata meu ego no fim do dia.

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SAGA

SAGA

 

O vento sopra seus cabelos,

Seu rosto queima no rubor das faces.

Você queria ter ido embora, mas lhe faltou coragem!

Sigo viagem num cavalo alado,

Desejo que a noite nunca se acabe!

Enquanto houver estradas e avisos,

Não irei desfazer as minhas tralhas.

A lua ilumina a madrugada imensa,

Torna-nos a jornada mais tranqüila.

 

Quando amanhecer devemos estar bem longe,

Se possível já tiver atravessado o rio.

Existem mil estrelas cintilantes,

E os vaga-lumes nos mostram o caminho.

Viver é padecer contente,

Até parece que a vida adivinha.

Se essa noite já não foi o bastante,

Espero que em outra ainda seja minha!

 

Se a caminhada é essa labuta,

Que fica no peito e transparece.

Já dividimos muitos dias claros,

Mas há outros tantos que nem amanhece.

Um grito rouco me rasga a garganta,

E nem parece certo se vamos prosseguir,

O que se espera de nós viajantes,

É apenas a hora de partir!

 

Quem traz a sede de seus lábios,

Já conhece a distância da ilusão.

Por mais estrada que eu percorra,

Não permita Deus que eu morra,

Sem antes beijar a sua mão!

Mesmo que o corpo ceda estropiado,

Esta fé cega nunca desanima.

Contudo e o medo preso nessa cela,

Abra a janela vem me dar um beijo!

 

Desejo o corpo e ante o cansaço,

Caia em meus braços oh linda menina!

Se a trama nos dita o destino,

Não vou ficar sozinho aqui parado.

E quando o sol da manha se abrir,

Contigo espero estar do outro lado.

Senhorita nossa de tão doce encanto,

A quero mais que essa vertigem.

Santa tão pura desfaz meus pecados,

Dê a minha alma a justa redenção.

Pois o que vivi extrapolando tudo,

Só me resta agora ter o seu perdão!

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PORTO SOLIDAO PONTO DE PARTIDA

 

PORTO SOLIDÃO

Porto solidão ponto de passagem,

Começo de viagem para o litoral.

Ave que gorjeia canto do poente,

Pássaros expoentes que voam o céu.

 

Lua luz do mundo, facho radiante,

Que em espectro rasante rasgam o universo.

Escuridão e sombra do outro lado do astro,

Não deixa nem rastros só fogo e clarão.

 

O farol rebusca alimenta a chama,

Que até semeia intensa caloria,

Onde desafia um barco alado,

Seguindo atochado ao fundo oceano.

 

Já segui os seus passos e deixei centelha,

Por mais que eu ultrapasse os rochedos,

Ha. sempre perigo a vista destinos incertos,

Caminhos que nos levam ao desconhecido.

 

Sempre que partia nada mais levava,

Que não fosse a guia nesse vôo de águia,

Nessa correnteza feita de águas quentes,

Que deixa na gente solidão e mágoas.

 

Posso não ser tudo inexato e mudo,

Frente e escudo dessa dor tamanha,

Onde se apanha e se encontra abrigo

Da boca o bocejo cor de flor estranha.

 

 

 

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SIM E SENÃO

SIM E O SENÃO

 

Quanto tempo passa sem perceber,

A distancia aumenta entre eu e você.

Quantas noites só, mesmo ao seu lado.

Nesse abandono de amores levado,

Pela ilusão que a gente ainda comenta,

O que passa no peito quase não se agüenta.

 

Diz-se na paixão apenas o desejo,

Onde o próprio medo esclarece a ira,

E trama em seus sentidos apenas o degredo,

Tudo já vivido em outras aventuras,

Mistura nossos corpos ainda que devassos,

Ante ao vicio de ilusões transcendentais.

 

Já demorei mais que podia nos caminhos,

Tantas coisas que ficaram para depois.

O que resta de nossas vozes é o cinismo,

Enorme abismo entre o sim e o senão.

Quando chegarem as estrelas matutinas,

Pelas cortinas que nos cobrem a feição.

 

A derradeira conta desse meu rosário,

Ainda trama a fuga dos nossos sentidos,

Aonde quer que eu esconda ou faça abrigo.

Depois dos vendavais que me apavora,

E descortina o tempo vago da espera,

Onde esquece os olhos negros da quimera.

 

 

 

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nossa é belo