Luiz Renato Oliveira Périco

Luiz Renato Oliveira Périco

n. 1983 BR BR

Luiz Renato de Oliveira Périco em poemas publicados em antologias e revistas literárias, como Toró, Ruído Manifesto, Mallarmargens, Lavoura, Sepé e Littera7. Publicou os livros Forma Amorfa (Viv Editora, 2021) e kairós (Editora Patuá, 2023),

n. 1983-07-24, Jacarezinho/PR

Perfil
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AO MONSTRO COM CARINHO

mas vê só se pode
queria ser Leminski
mal consegui um bigode


Leminski é coisa séria
tem toda a solenidade
e a pompa da pilhéria
tem todo aquele mistério
de quem não se leva a sério
não pode ser seu discípulo
quem tem medo do ridículo
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Poemas

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AO MONSTRO COM CARINHO

mas vê só se pode
queria ser Leminski
mal consegui um bigode


Leminski é coisa séria
tem toda a solenidade
e a pompa da pilhéria
tem todo aquele mistério
de quem não se leva a sério
não pode ser seu discípulo
quem tem medo do ridículo
91

CIRCUNCISÃO

Os pais levam seu filho até o Templo
A fim de oferecê-lo à sagração
O povo da Eleição e da Aliança
Em si leva o sinal dessa incisão
O sacerdote afia o fio da faca
Para que o corte tenha precisão
E cheio de temor e de tremor
De Deus toma a criança em suas mãos
A lâmina que corta o seu prepúcio
Deve cortar também seu coração
(Selah)
92

haikai

nuvens escuras -
desprevenidamente,
roupas no varal
83

haikai

risos na mesa –
ainda não aprendi
a usar o hashi
96

DÍSTICO

Deus mora nos detalhes. Por exemplo:
Contemplo o seu sorriso - É o Seu Templo.

104

R.G.

Leio meu nome Meu sobrenome
O nome do meu pai O nome da minha mãe
A data do meu nascimento O local do meu nascimento
Mas eu me identifico mesmo é
Com aquela sequência aleatória de dígitos
Que até hoje não decorei
96

sem título

Há pó sobre os meus livros
Os lidos e os não lidos
Há pó sobre a estante
E sobre a escrivaninha

Há pó sobre os móveis
Imóveis no escritório
E vê-se à contraluz
Que há pó até no ar

Passo o dedo na mesa
E desenho uma linha
Esse pó no meu dedo
É sua vida e é a minha
98

haikai

kanjis e flores -
a moça tatuada
é um sumi-ê
88

haikai

um passarinho
invadiu minha casa -
ou eu seu ninho?
96

IMAGO DEI

Eu vejo a Imago Dei na face do mendigo
Cuja pobreza apenas suja sua beleza
Eu vejo a Imago Dei na face do inimigo
Sua inimizade não é a sua natureza

Eu vejo a Imago Dei na face do bandido
Sua pena apenas pune a sua dignidade
Eu vejo a Imago Dei na face do vencido
Sua derrota não o derrota de verdade

Eu vejo a Imago Dei nas faces machucadas
Nas faces escarradas, faces rejeitadas
Nas faces descompostas, faces escondidas

Eu vejo a Imago Dei nas faces mais estranhas
Moldada não nas faces, mas em suas entranhas
Eu vejo a Imago Dei em suas faces perdidas
100

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