Biografia
Sou nascida e criada no Rio de Janeiro e a poesia entrou em minha vida, assim, meio como quem não quer nada e foi ocupando o espaço... Criando raízes...
Com formação na área de ciências sociais aplicadas, o sangue e o suor que lavam as vias de nossa República teimam em pular para os meus olhos, entrando pelas vísceras e descendo pelos meus versos...
Mas não sou poeta... Talvez nem mesmo aprendiz... Sinto apenas pulsar, insistentemente, a voz anônima e rouca da multidão... Não me contenho... E grito.
Poemas
9Delírios
Marias
Partes de Mim
Tormentos
que me embriaga com um vinho tão amargo.
E essa água que me afoga e que eu trago,
que me atormenta, me fechando numa urna.
Então, enluto, no meu canto, sou noturna.
Lua minguada, já sem brilho, sem mais nada.
Eu sou a chuva, de uma estrada apavorada,
cujo lamento me arrasta e me enfurna.
Esvaziada, solitária em minha tumba,
vou me enterrando, cegamente, nessa lama.
Eu sou as cinzas que ninguém nunca reclama.
Dança maldita, descompasso nessa rumba.
Sou o inverno do inferno que me bumba,
que me tortura numa rouca solidão.
Louca agonia chega a mim pra dar vazão
a esse pranto que no chão me prende e chumba.
Luzia M. Cardoso
Invernou-me o coração
Extensa é a rota... Eu rumo só...
Vestes poucas, rotas, vou absorta...
Nesse tempo tonto, tantos nós...
Mesmo qu'invente almas, estão mortas.
Eu sigo, vazia... Todos os dias...
Esgotou-se o aroma primaveril...
As flores murcharam, sem rebeldias,
e o amor d'outrora já está senil.
Os gelos descem dos cumes dos montes,
e o sol, tão distante, não chega em mim.
É ácido o que entra em minhas fontes.
Frágil, a esperança se entrega, enfim.
São tão longos os dias desse inverno,
e o frio que sinto parece eterno.
Luzia M. Cardoso
Fome de Sim
Olhos para Olhar
Saudade
TEMPO
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