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n. 1983 -- --

n. 1983-08-01

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Será?

NÃO! Não posso
Eles conseguem ouvir
Eles conseguem ver
NÃO! Não dá
As paredes
Sim, elas mesmo
Elas podem me ouvir
Elas podem me ver
CALMA! Respira.
Não é verdade
Aqui é seguro,
não tem ninguem.
Isso, verdade, esta tudo be...
Espera, OLHA
Não, não deve ser
É sim, a risada
Porque?
Será que eles ouviriam?
Será que eles entraram?
Não! Não dá.
Certeza?
Não, não sei
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Poemas

1

Lábios

O mundo desapareceu. O som foi abafado, as gotas de chuva pararam e o ar, foi aos poucos sumindo. Perdi a noção de espaço, minha mente foi desligada, e eu me agarrava no único vestígio de realidade que me restava, seus lábios. Os lábios quentes e suaves que acariciavam os meus e tiravam o folego dos meus pulmões, e então, acordei.
      O mundo surgiu, a chuva, antes calma, voltou a escorrer desesperadamente dos meus olhos,  o ar, antes escaço, ia aos poucos entrando, descompassado por meus soluço. Repousei meu rosto em seu peito, e o som, antes abafado de seu coração, parou, e em seu lugar o som agudo da maquina penetrou meus ouvidos. O mundo surgiu para marcar o momento do adeus, o momento em que minha alma voltara a realidade com um coração fragmentado, que não poderia mais ser salvo.
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