Magno Ferreira

Magno Ferreira

n. 0000-00-00, Propriá SE

Perfil
11 555 Visualizações

O Pássaro da praça

Feroz não é o cão,

Não é o leão, não é o não. 

Feroz é o pássaro da praça

Que se empanturra com a desgraça.

O pássaro da praça agita a fauna e garfa a alma

Dos que comem na palma de sua mão:

Quase toda a fauna.

O pássaro da praça causa trauma,

Dirige na escuridão e joga a pedra e esconde a mão.

 

O pássaro da praça cisca, belisca e atiça a agitação.

Agita porque se explodir ele ganha com a explosão.

Se não explodir ele ganha com a decantação.

O pássaro da praça não é gente não,

Transforma a vida em uma corrida pelo pão.

O pássaro da praça para colecionar castelos

Esfarela a alma da minha aldeia e semeia flagelo.

 

O pássaro da praça precisa encher o infinito de alpiste

E pra isso: ele mata e desmata para matar a fome que não existe.
Ler poema completo

Poemas

2

A vista de um ponto

Uma pedra
Pode ser mil pedras
Em mil pares de olhos.
Uma pedra
Captada pelas minhas retinas
É apenas a minha pedra.
Tudo que eu quero
É que a minha pedra
Pareça, o máximo possível,
Com a pedra.

95

Verbo

Um dia a ideia de fim
Era para mim um charuto amargo
Que eu não conseguia tragá-lo.
Pensar no fim, logo no começo,
É uma viagem sem endereço,
Não é coisa que se faça.
Por sorte os ventos me levaram a uma praça
E me deram o presente.
Hoje, a ideia de fim
Não altera o meu boletim.
Às vezes, acho que tudo não passa de pó,
Outras vezes penso em algo melhor.
Quando falo sobre o que vem ou não depois do “fim”,
A minha esposa aponta para o jardim,
Para as plantas que vão e voltam. 
Eu não acredito nem duvido
Desse, nem de outros sentidos.
Só não creio
Que esse relâmpago passeio,
Que não dura nem um século,
Possa prender alguém pra sempre em algum lugar.
Eterna mente.

124

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.