Mairon

Mairon

n. 1986 BR BR

n. 1986-10-21, Apiúna, Santa Catarina

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Milagre

Milagre pra quem acredita
É coisa de Deus
É sopro de vida
Que vence a morte
Como coisa de sorte
Algo que aconteceu

Milagre na fé popular
É coisa de algum santo
Presente no altar
Uma imagem de gesso
Que recebe adereço,
Sacrifício e pranto

Milagre é o gol da virada
No fim do jogo
É escapar da queimada
Quem brinca com fogo
É não se afogar
Na corrente do rio

Milagre é não ser baleado
Ganhar na Loteria
Não ser assaltado
Ter sua família
Porque a vida é dura
E estar só é ruim

Milagre é deixar vela acesa
E Pra quem está na mesa
Diante do prato,
Faminto e cansado
Espera um minuto 
E se põe a rezar 

Também é pra quem foi escolhido
Na fila de emprego
Para começar
Na segunda-feira
Acordar mais cedo
E sair pra trabalhar
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Poemas

14

Precisamos despedir-nos

Carrego algumas dores
Por fazer outrem sofrer
Por isso antes de fores
Dê-me um beijo, e até mais ver

Eu espero que fiques bem 
Espero que encontres alguém 
Com quem você possa conversar
Que te faça feliz e te faça amar

Não quero causar mais sofrimento 
Precisamos nos despedir, agora
Não sei bem como agir, nesse momento
Talvez só mais um beijo e ir embora

Eu espero que voltes a amar 
Que encontres um espaço capaz
De sua família futura abrigar
Para eu poder viver em paz
271

Traumas da Vida

Fiz-me forte desde cedo
Emocionalmente forte
Me peguei sem sentimento
Vivenciando a morte

Mas tenho fatos para esquecer
Fatos que me tiram a paz
Traumas da vida, pra mim?
São vidas deixadas pra trás 

Você me queria perto
Temias ficar só, assim
Mas eu vivia um momento de luto
E você era outro para mim

E você, meu grande amigo?
Não lembro se me despedi
Há muito que já não te vejo
És, hoje, outra vida que perdi
307

A Borboleta e o João de Barro

A Borboleta e o João de Barro
Bateram no meu carro
Eu, a 70 por hora
Não pude evitar

De aparência tão frágil 
Ambas as vidas venceram 
E recuperadas do choque
Se puseram a voar

A vida é assim
Quando vence a morte
É coisa divina
Uma graça ou sorte

Mas quando a temos fácil 
Ou dela abundamos
Nos pesa como fardos
Sempre à se libertar

A Borboleta amarela
Seguiu brilhando mais que os faróis 
O outro, mostrou-se tão forte quanto o que constrói 

A vida é assim
Na briga com a morte
Quando a vence
Uma missão a cumprir-se

Para nós, seres pensantes
A vida é assim
De sonhos distantes
Difícil de seguir

Bem dizia Belchior
Mais que sonhar,
Viver é melhor
308

Vela Vida

Foi na Baia Encantada,
Entre o mar e a estrada
Que eu pensei em mudar

Vendo um barco a vela tão bonito
Com seu nome feminino
Na sua poita balançar 

Quem sabe, conhecer o Brasil inteiro
Partir num belo veleiro
Ter histórias pra contar

Ir, com ventos de esperança 
Num oceano de bonança
Pra algum amor encontrar

Mas logo vi que sou da terra
Bicho grilo, do pé da serra
Que não aprendeu sonhar

Que vive num mundo de guerras
Onde a paz que se espera
Só alguns podem alcançar 

Acorde, você não é mais menino
Já badalou o sino
Vê se volte a trabalhar 

Assim, quem sabe um belo dia
Com alguma economia
Você possa velejar

Sim, ter o seu próprio veleiro 
Como fiel companheiro 
Pra sua popa batizar
336

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mairon

Fico feliz que te agrade, obrigado Thais!