Mairon

Mairon

n. 1986 BR BR

n. 1986-10-21, Apiúna, Santa Catarina

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Milagre

Milagre pra quem acredita
É coisa de Deus
É sopro de vida
Que vence a morte
Como coisa de sorte
Algo que aconteceu

Milagre na fé popular
É coisa de algum santo
Presente no altar
Uma imagem de gesso
Que recebe adereço,
Sacrifício e pranto

Milagre é o gol da virada
No fim do jogo
É escapar da queimada
Quem brinca com fogo
É não se afogar
Na corrente do rio

Milagre é não ser baleado
Ganhar na Loteria
Não ser assaltado
Ter sua família
Porque a vida é dura
E estar só é ruim

Milagre é deixar vela acesa
E Pra quem está na mesa
Diante do prato,
Faminto e cansado
Espera um minuto 
E se põe a rezar 

Também é pra quem foi escolhido
Na fila de emprego
Para começar
Na segunda-feira
Acordar mais cedo
E sair pra trabalhar
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Poemas

5

Clube da Esquina 3

Sonhos não envelhecem?
Adormecem!
E por que?
Tanto tempo passa
E quando se nota
Já foi
Já não tem mais volta
Já não tem mais sono
Já não tem mais sonho
Mais lágrimas 
Mais amor
Só dor
Dor e dor
Seca

129

Um medíocre

Prender o amor, a dor
Segurar o choro, o arrepio da pele
Ser forte, racional, natural 
Desumano
A beleza de ser humano
De sentir, sentir, sentir!
Eu quero viver, viver!
Antes da morte e depois o que viér
Não sei
Quem sabe?
É a solidão a paz, 
Até quando não suportar mais 
O contato, da sorte um retrato
O contrato, abaixo assinado
O suspiro de quem caiu apaixonado
E não mais cantou, nem subiu ao palco
Porque cedeu a mediocridade

178

Não quero esquecer que vivi...

Não quero esquecer que vivi...
Ao tocar sua mão
Ao notar a arte dos seus lábios, soprando o café
Ao ver nossos rastros na areia que o mar não ousou tocar
E o olhar lacrimoso pela janela do ônibus, que não mais voltará
São palavras cruzadas, 
Canções mau cantadas, 
Que não farão você voltar
Mas que retardam o amor, 
Pois meu maior temor 
É deixar de sentir...
Mesmo que não me perdoas, 
Mesmo que nunca me entendas
Não quero esquecer que vivi...
Ao tocar sua mão
Ao notar a arte dos seus lábios, soprando o café
Ao ver nossos rastros na areia que o mar não ousou tocar
E o olhar lacrimoso pela janela do ônibus, que não mais voltará
Pois tocou-me a brisa do amor 
E eu não quero esquecer quem me amou 
E eu fiz sofrer...
 

228

Perdão, Perdão, Perdão

Em prece e quieto
Eu descanso
As dores do corpo 
Procuro remédio pro meu coração

Sinto a dor seca no peito
Por não ter dado chances
Ao sopro da vida
Que alimenta o fogo da paixão

Eu quis controlar a balança 
Escolher sobre vidas, anulando a emoção 
Errei em interpretar sentimentos
Sempre foi o medo ao invés da razão

Perdão, perdão, perdão

Em silêncio 
No canto do quarto
Espera calado
O meu violão

Estendo-lhe a mão 
Mas sinto-me machucado
Eu já não posso tocar
O seu coração 

178

Um manco de coração

A paixão perdeu-se 
Cedo, fiquei com passos em falso
E no medo de cair 
Equilibrei-me, meio tonto, num pé só 
Me afastei do invisível 
Deixei de sonhar
E quando você veio
Agarrei-me na razão 
Sem você e sem paixão segui
Como um manco de coração

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mairon

Fico feliz que te agrade, obrigado Thais!