ÓCIO [Manoel Serrão]

Ócio... Ócio...
Ócio só é dócil se conciso.
Senão: vira ópio, negócio,
Divórcio ou caso de hospício!


Ação incontida pulsão.
Afirmação sem O não pela res furtiva omissão!
Desejo além, desejo aquém.
Sim! Desejo, e por que Não?
Mas Desejo, preferiria, Não!
Ó saibeis: desejo que Não se cura, tem mais-valia que a Vida no chão!

Onde a poesia triunfa,
Nenhum poema se basta.
Onde a esperança desperta,
Nenhum sonho se acaba.
Onde o sonho sonha...
Sonha porque sonhos
E poesias não são em vão!

Outrora O ser deveste sem o Ser devir.
O pó-a-vir ao pó do corpo sem nunca sê-lo ali.
O imutante, O show finito, O reality eco homoBBB.
O efêmero d’onde Hegel e o invisível esperto no terno jamais imaginou.
Agora, espaço e tempo com
mestria; cinesia; e evolução.
Ó eis a cônscia do homo por d'trás do pensamento.
Sim, agora Holos, sê-lo assim! Alma Quântica!

Dito, mal dito: - “Cal’-te"! Ó verbo ser que descarna.
Soletrais! Soletrais vós os soletrados em nós!
Dito, bem dito: - “Fala-te"! Ó verbo ser que incarna.
Cantais! Cantais vós os embolados em nós!
Dito, mal dito! Ó verbo, dito, bem dito?
Conjugado errado ou perdido.
Flexionado em voz; pessoa;
numero; modo e num tempo qualquer esquesito.
Ó só não lhes evite do Ser o Verbo!
E ei-los avessos...
C'os braços entrelaços na mass-media separados, ei-los!
E ei-los ahi frames despedaçados,
Homines do antanho, hospídes do hospício conhecido,
Ranço coberto de sânie, ratos doridos roídos de fome.
Corpus carnale mutilados, rechaços ao cosmos encantado.
E ei-los ahi, removidos: cera a cera para o museu do passado!
E ei-los aceitos...
C'os braços desenlaços nos todos abraçados, ei-los!
E ei-los ahi inteireza, o elo da nova hóstia comungada.
Homines -, Demiurgos -, do porvir desconhecidos, plasmas invisíveis transmutados.
Ostes do holos -, os inteiros - para novos entes iluminados.
E ei-los ahi, manutenidos: almas etéricas e a matéria no tempo de todos os mais preparados.
Ó não éreis vós bichos atávicos qu' nos instintos animaes,
Palmilháreis a modernidade via a transmodernidade inda por chegar?
Ó não éreis vós bichos atávicos qu' nos instintos animaes,
Palmilháreis a era da razão via à cônscia idade que se declara acolá?
Ó preparai-vos! Então, que sejais vós quão todos nós uma só nova linguagem nessa busca pela evolução:
Um novo “código” para o espaço-tempo do EU SOU na maior idade.


Luz toda nua na poça da chuva,
Caiu do céu a lua no meio da rua!
Ó e deu-se à Luz,
E o desejo do Amor em nós!
Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.