Manuel de Freitas

Manuel de Freitas

n. 1972 PT PT

Manuel de Freitas foi um poeta português conhecido pela sua obra lírica e pela sua profunda ligação com a cultura popular e a tradição oral. A sua poesia é marcada por uma linguagem acessível, mas carregada de simbolismo, explorando temas como a memória, a identidade e a passagem do tempo. Destacou-se pela capacidade de capturar a essência da vida quotidiana e das paisagens portuguesas, conferindo-lhes uma dimensão universal e atemporal. A sua obra reflete uma sensibilidade aguçada e uma profunda humanidade.

n. 1972-01-01, Santarém

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Alma exilada



No topo do mundo aprisionei a brisa
Matutina dentro de um incabível silêncio
Desalinhando os lençóis do tempo melodiosamente
Requintado...apaixonadamente sublimado

Entreabrem-se famintos os desejos mais demolidores
Plantando um estéril gomo de luz amarrotado e redentor
Entre as brumas de uma solitária madrugada nascendo acolhedora
Neste momento tão patriótico, absoluto...delator

Viajando pelo cosmos de todas as existências adentro o
Universo quântico dos meus silêncios predominantes
Esvaindo-se no exorbitante eco genitor e estonteante onde
Por fim alimento o pecúlio de desejos orbitando-te assim tão ofegante

Ficou como fado toda esta nostalgia vibrante porque
Assim acato os beijos castos que reivindico nesta transfusão
De alegria expectante e minuciosa drenando cada citação
Que escrevinho nestes versos incandescentes balindo em reclusão

A noite nos seus espasmos ternos e soturnos agoniza agora
Ante uma madrugada serena exalando esparsos perfumes
Que vagueiam pelo degredo de minh'alma exilada...deflorada
Modulando a orquestra de tantas paixões inquietantes e revigoradas

Por fim retive este pluvioso tempo que chuvisca em torrenciais
Lamentos escorados à beira do simiesco sonho escançado, exíguo
Bebericado com fervor quase mendicante e acirrado saudando a
Roçagante madrugada que expira delapidada, resfolgando...consolidada

Frederico de Castro
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Biografia

Identificação e contexto básico

Manuel de Freitas, cujo nome completo é Manuel Maria Rodrigues de Freitas, nasceu em 1962. É um poeta português contemporâneo. A sua obra insere-se no contexto da poesia portuguesa pós-moderna, dialogando com as tradições literárias, mas também com as linguagens e problemáticas da contemporaneidade.

Infância e formação

Informações detalhadas sobre a sua infância e formação não são amplamente divulgadas, mas a sua obra sugere uma forte ligação com a cultura popular e a tradição oral portuguesa, indicando uma formação que valoriza a transmissão de saberes e sensibilidades.

Percurso literário

O percurso literário de Manuel de Freitas tem sido marcado pela publicação de diversas obras poéticas que o consolidaram como uma voz importante na poesia portuguesa contemporânea. A sua escrita evoluiu explorando diferentes facetas do lirismo, mantendo sempre uma coerência temática e estilística.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias As suas obras principais incluem títulos que exploram temas como a memória, a identidade, a passagem do tempo e a relação com a terra e as suas gentes. O estilo de Freitas caracteriza-se por uma linguagem clara e acessível, mas rica em imagens e simbolismo, com uma forte musicalidade e ritmo. Frequentemente, utiliza o verso livre, mas com uma atenção cuidada à forma. A sua voz poética é predominantemente lírica e confessional, mas com uma capacidade de universalização das experiências. A sua obra dialoga com a tradição literária portuguesa, mas também incorpora elementos da modernidade, sem aderir estritamente a movimentos específicos. Explora a complexidade da condição humana de forma sensível e profunda.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Manuel de Freitas escreve numa Portugal democrático, marcado pelas transformações sociais e culturais do final do século XX e início do século XXI. A sua obra reflete, de forma subtil, as inquietações e as dinâmicas da sociedade contemporânea, procurando uma conexão com as raízes culturais e a identidade nacional.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Detalhes específicos sobre a sua vida pessoal são escassos na esfera pública, privilegiando a sua obra e a sua dimensão artística.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Manuel de Freitas tem vindo a conquistar um lugar significativo na poesia portuguesa contemporânea, sendo a sua obra reconhecida pela crítica e pelo público leitor. A sua poesia é valorizada pela autenticidade e pela profundidade.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado A sua obra parece dialogar com a tradição lírica portuguesa, mas com uma sensibilidade contemporânea. O seu legado assenta na capacidade de renovar a linguagem poética, mantendo uma ligação com as emoções e experiências humanas mais profundas.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Manuel de Freitas tem sido interpretada como uma exploração da memória individual e coletiva, da busca por identidade num mundo em constante mudança e da valorização das pequenas coisas e das relações humanas. A sua poesia convida à introspeção e à reflexão sobre a existência.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos A sua poesia é por vezes associada a uma certa melancolia, mas sempre temperada por uma esperança e por uma profunda apreciação da vida.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Manuel de Freitas encontra-se vivo e em atividade literária.

Poemas

1432

Silêncio intrínseco

Neste silêncio interno circula uma magmático eco tão conciso
Desata os nós a um extenso lamento tão axiomático e narciso
Alimenta o mais incontestável e lacónico desejo infalível e faminto

Um peculiar e recôndito momento saúda a solidão carente e intrínseca
Intromete-se nas artérias venosas onde circula a saudade tão privativa
Num milésimo segundo aquieta aquela curial e seleta gargalhada ali cativa

Frederico de Castro

130

Que me importa...

Que importa se a noite na sua coscuvilhice se intrigue
Com esta solidão matreira, tão indiscreta e leviana
E trame uma daquelas tramóias fuxiquentas e insanas

Que importa se a luz se desnude numa querela de breus
Intrometidos na urdidura dos silêncios alcoviteiros e profanos
E nós dois intrigados nos entreguemos num bailado de afagos ufanos

Que importa…pois que importa, se na saudade eu ainda
Engendre uma lânguida e trafulhenta memória tão sedenta
E no mais ávido eco orquestre uma fanfarra de palavras fraudulentas

Que importa se nesta solidão à candonga eu revele a nudez desta
Escuridão polvilhada de murmúrios soezes encrenqueiros…tão matreiros
E depois, bem depois adormeça ao colo de tantos lampeiros silêncios caloteiros
Que me importa...

Frederico de Castro

137

New Life(nova vida)

Claudica o tempo emaranhado num segundo tão empírico
Dei um sonífero à solidão para que esta adormecesse pousada
No dorso de todos os lamentos profanados, quase quase degradados

Na aldeia dos meus silêncios escuto o timbre de cada sussurro enamorado
Escovo a cabeleira das palavras onde se penteia o dia sereno e imaculado
Assim me lambuzo com brisas regurgitadas por um poente mágico e exaltado

Nova vida será aquela que, sem desacatos romperá clonando e plagiando as
ilusões tão sinóticas e irrepreensíveis, além onde se venera a fé tão grandiosa
E na liturgia das palavras elegantes condecorar a esperança, inata, ilibada…contagiosa

Frederico de Castro

112

Ontem passei por aqui...

Quando passei por aqui encontrei as fenestras da solidão
Tão fechadas, quase algemadas a um lamento especulativo
Apenas consegui tatear donde vinha aquele afago interativo

Ontem passei por aqui e deixei à janela do tempo uma eternidade
Confinada à academia do meu lirismo mais poético e tão cognitivo
Ali me despi e de tocaia embrenhei-me em cada mágico silêncio altivo

Por onde passei passeou-se uma hora prenhe, fecunda e putativa
Em linhas de giz escrevi o prefácio das tuas sedentas caricias apelativas
E por fim adormeci juntinho às coxas desnudas desta solidão tão superlativa

Por onde passei deixei as palavras em litigio alimentar uma prece recreativa
Opus-me ferozmente àquela solidão que teimava ser arguida nesta paz infinitiva
E dali extraí o mesmo silêncio que pastava na sucursal das brisas amenas e sensitivas

Frederico de Castro

189

Juro-te lua

para a Carla

Em cacos a noite adormece estilhaçada, tão penosa e sentenciada
Advém deste silêncio minhas preces saboreadas numa brisa solene e enamorada
Tal qual a imensidão de escuridões pousadas no tapume das palavras mais estouvadas

Juro-te lua soltar teu luar para apascentar o imarcescível horizonte de breus louvados
Congregar em cada gargalhada o sabor faminto das ânsias e dos desejos agora revelados
Acantonar-me nas margens do silêncio onde desbravo um turbilhão de ecos bem preservados

Juro-te lua dessedentar-te nas mais íngremes estepes dos céus voláteis vorazes e impulsivos
No perímetro da noite contornar a geometria dos tempos periféricos, mágicos e compassivos
Medindo a tridimensão de cada hora onde assenta a solidão do teu olhar ainda tão persuasivo

Frederico de Castro

131

Em Órbita

Estou em órbita em torno da Terra
Vejo-me noutra dimensão e perspectiva
Gosto do espaço amplo e genérico porque
Ali não há mal-entendidos, nem caos ou desordem
Há somente nada e um pouco de quase tudo…

Frederico de Castro

240

A chuva também sabe dançar

A chuva dança ao som de uma rumba elegante e arrebatadora
Sapateia entre cada pingo de chuva caindo no meio da solidão desertora
Sua sincopação extravasa a sensualidade de todas as carícias tão generosas

Ao som de um prodigioso eco o tempo tatua cada hora macilenta, felina e refulgente
Revela-me as nitentes batidas do coração que respinga ao ritmo de cada uivo urgente
Enquanto flamam palavras prenhes e seduzidas pela escuridão mansa e fluorescente

Frederico de Castro

171

Dói-me tanto a alma...

oje esgotou-se a solidão trajada de silêncios quase impunes
Deixou resíduos de mágoas, ali a bolinar tão serenamente vulneráveis
Devorou a luz que imune, se escondia entre as fendas do tempo imparável

Hoje dói-me tanto a alma que até me esqueci de lograr o silêncio impenetrável
Ver entardecer o dia regando com lágrimas o jardim de preces mágicas e afáveis
Costurar neste poema a indumentária de cada uivo felino, voraz e indecifrável

Sem pudores despe-se a alma regurgitando sua nudez tão lírica, poética e passional
Escancara a janela das emoções onde se trajam palavras gizadas numa brisa mitigável
Onde todos os indeléveis improvisos da minha tristeza ali dormitam tão volúveis e imutáveis

Frederico de Castro

246

E se preciso for...

E se preciso for, tatuarei os céus com azuis tão mágicos
Todos eles empoleirados num enfeitiçante eco subjugado
Tantos deles pastando no redil dos meus silêncios ali manietados

Surripiam cada murmúrio que macio ornamenta uma carícia atordoada
Engodam tantas gargalhadas empolgadas, aconchegantes e apaixonadas
Arrojam-se aos pés do silêncio que escorrega pelo palato das meiguices empolgadas

E se preciso for, fecundarei o gineceu das palavras famintas e tão privilegiadas
Para que se homenageie a solidão ilustrada num sussurro canonizado, ali manietado
E no frescor aromático de cada desejo, lambuzar-me com muitos, tantos afagos enamorados

Frederico de Castro

181

Clamei delicadamente

Clamei escondido num breu tão delicadamente ameno
Tentei seduzir a noite bordada de murmúrios castos e serenos
Debruei a negrura do céu onde flutuavam as pétalas de um afago ferrenho

Vi clamar a noite dissimulada num finório desejo mais sorrateiro
Triunfante a escuridão pousou, ágil e inquieta sobre uma brisa desordeira
Embebedou-se neste aguaceiro de palavras despencando numa carícia inteira

E subitamente deu-se a redenção do luar estagnado sobre aquela hora inconstante
Pingo a pingo espargiu no silêncio ternos e tenros murmúrios vulpinos e devorantes
Deixou que um sub reptício desejo algemasse os meus rebeldes versos tão suplicantes

Frederico de Castro

169

Comentários (3)

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asdfgh

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

asdfgh

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

ania_lepp

Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!