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E regressei às origens

Transportai um punhado de terra todos os dias e fareis uma montanha.
Confúcio



Amar.

No princípio era o verbo.
Um verbo gerado numa praia distante,
ora solarenga, ora nublada,
ora enxuta, ora molhada.
Nela as areias formavam multidão
que lavrava, comia, pensava,
prometia, calava.

Certo dia,
nessa praia distante
entre a multidão,
duas areias pequeninas
brincando à cabra cega
chocaram de frente.
Retiraram as vendas
e olharam-se
olhos nos olhos.

Foi em terras do Gerêz.
E viram como isso é bom.
E foi de vez.

Enleando-se,
as duas areias morreram
para que pudesse nascer
uma pedrinha maior
que o mar já não podia arrastar.

Enleando-se,
Foram aos poucos morrendo
cada dia
para que pudessem nascer
rochas de tamanho maior.

E ontem,
passando em passeio
nessa praia distante,
ora solarenga, ora nublada,
ora enxuta, ora molhada,
o que vi.
Um rochedo virado montanha
que nenhum abalo derrubará.

Trepei a nossa montanha.
Sentei-me no pico, em silêncio,
olhando o horizonte.
Ao longe
eu vi fascinado
nessa praia distante
entre a multidão,
duas areias pequeninas
brincando à cabra cega,
olharem-se olhos nos olhos.

Na eternidade, olhando do Céu
essa nova rocha virada montagem,
seja eu quem for, esteja onde estiver,
serei feliz de novo.

11/11/2017
www.manuelpaulo.com
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Biografia
Poeta desde os quinze anos, publiquei o meu primeiro livro aos sessenta e cinco: - Ponto Final - Edição do autor. Lançamento em Vila Real. Após 2005 publiquei mais quatro livros de poesia: - Arca da Aliança - 2009 - Editora Scortecci, Brasil - Lançamento São Paulo. - De Olhos bem Abertos - 2012 - Editora Delicatta, Brasil. Lançamento na Bienal do Livro de São Paulo. - Pontas Soltas - 2016 - Chiado Editora. Lançamento em Lisboa. - As Coisa da Vida, A Vida das coisas - 2017 - Edição do Autor. Licenciei-me em Economia pela Universidade do Porto em 1970, assumindo ao posteriormente responsabilidades de gestão em sociedades de grupos empresariais tais como o Grupo Nestlé. Exerço ainda a atividade de Consultor de Gestão. Amador e amante de poesia, nunca deixei de escrever, criando muitos dos meus textos para serem declamados em momentos importantes ou simbólicos da vida da família e das comunidades a que fui pertencendo.

Poemas

2

E regressei às origens

Transportai um punhado de terra todos os dias e fareis uma montanha.
Confúcio



Amar.

No princípio era o verbo.
Um verbo gerado numa praia distante,
ora solarenga, ora nublada,
ora enxuta, ora molhada.
Nela as areias formavam multidão
que lavrava, comia, pensava,
prometia, calava.

Certo dia,
nessa praia distante
entre a multidão,
duas areias pequeninas
brincando à cabra cega
chocaram de frente.
Retiraram as vendas
e olharam-se
olhos nos olhos.

Foi em terras do Gerêz.
E viram como isso é bom.
E foi de vez.

Enleando-se,
as duas areias morreram
para que pudesse nascer
uma pedrinha maior
que o mar já não podia arrastar.

Enleando-se,
Foram aos poucos morrendo
cada dia
para que pudessem nascer
rochas de tamanho maior.

E ontem,
passando em passeio
nessa praia distante,
ora solarenga, ora nublada,
ora enxuta, ora molhada,
o que vi.
Um rochedo virado montanha
que nenhum abalo derrubará.

Trepei a nossa montanha.
Sentei-me no pico, em silêncio,
olhando o horizonte.
Ao longe
eu vi fascinado
nessa praia distante
entre a multidão,
duas areias pequeninas
brincando à cabra cega,
olharem-se olhos nos olhos.

Na eternidade, olhando do Céu
essa nova rocha virada montagem,
seja eu quem for, esteja onde estiver,
serei feliz de novo.

11/11/2017
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E regressei às origens

Transportai um punhado de terra todos os dias e fareis uma montanha.
Confúcio



Amar.

No princípio era o verbo.
Um verbo gerado numa praia distante,
ora solarenga, ora nublada,
ora enxuta, ora molhada.
Nela as areias formavam multidão
que lavrava, comia, pensava,
prometia, calava.

Certo dia,
nessa praia distante
entre a multidão,
duas areias pequeninas
brincando à cabra cega
chocaram de frente.
Retiraram as vendas
e olharam-se
olhos nos olhos.

Foi em terras do Gerêz.
E viram como isso é bom.
E foi de vez.

Enleando-se,
as duas areias morreram
para que pudesse nascer
uma pedrinha maior
que o mar já não podia arrastar.

Enleando-se,
Foram aos poucos morrendo
cada dia
para que pudessem nascer
rochas de tamanho maior.

E ontem,
passando em passeio
nessa praia distante,
ora solarenga, ora nublada,
ora enxuta, ora molhada,
o que vi.
Um rochedo virado montanha
que nenhum abalo derrubará.

Trepei a nossa montanha.
Sentei-me no pico, em silêncio,
olhando o horizonte.
Ao longe
eu vi fascinado
nessa praia distante
entre a multidão,
duas areias pequeninas
brincando à cabra cega,
olharem-se olhos nos olhos.

Na eternidade, olhando do Céu
essa nova rocha virada montagem,
seja eu quem for, esteja onde estiver,
serei feliz de novo.

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