Marcelo Reis

Marcelo Reis

n. 1971 BR BR

n. 1971-02-20, São Paulo

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Deus e o eu


Sem motivo aparente,

Decidiu permanecer só.

E o fez.

Por alguns duradouros instantes.

Nu, num quarto vazio.

Foi então que na solidão se encontrou.

E pôde demorar-se em si mesmo.

Aventura como aquela nunca vivera.

E viver lhe pareceu tão abonador.

Tão revelador.

Despiu-se de roupas e coisas

Por óbvio,

Mas também das máscaras.

Das ansiedades.

Dos demais pensamentos que pesam.

Das intolerâncias que secam.

E das tantas futilidades de seu cotidiano.

Era o encontro com o Deus.

Desconhecido eu.
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Poemas

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Último solo



Avançou sobre o descampado como aquele que cobiça a catarse.

Acelerou a marcha, despiu-se, rodopiou, embebedou os sentidos.

Num golpe, alteou a cabeça e pôde divisar os tons azuis enegrecidos.

Restava-lhe claro que os céus, sem tréguas, inundariam seu êxtase.

Descarregou-se nele uma centelha raivosa daqueles raios em profusão,

Que, de tão luminosa, relampejou na retina daquela alma vulnerável.

Seu corpo, agora mais energizado, tombou despossuído e imóvel.

Era o derradeiro encontro com o solo, tocado pelo catártico trovão.
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