Marcio Santos

Marcio Santos

n. 1968 BR BR

Atuo na área cultural há mais de 30 anos, nasci e moro na Cidade do Rio de Janeiro, onde parte da cidade é repleta de opções culturais e outra parte gigantesca tem raríssimas manifestações de qualidade.

n. 1968-02-06, Rio de Janeiro

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De Ferir e de Acariciar

meu verso
é ácido, pontiagudo
e aveludado...

meu verso
é a mais hábil carícia
de que sou capaz
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Poemas

21

Paixões

Dentre as paixões que me cabem
A mais arrebatadora ainda está por vir
E furtará a serenidade dos meus oitenta anos
 
 
 
346

Poesia cotidiana

Todo dia chove poesia
Mas não basta sair na chuva
É preciso se deixar molhar

E beber um pouco de vinho
Na sua taça, sob os lençóis
Para que a poesia se faça
E se perpetue em nós
 
 
 
385

Língua

Eu sou a língua
Que te traz o verso
Ao pé da orelha
Que te lambe a carne
E te alucina os sentidos
Que te expande o corpo
Em gozo
Que te roça os lábios
E entorna o brilho
Dos teus olhos de Espanha

Eu sou a língua
Que te acende a lua
No céu da boca
Que te foge ao controle
E te alimenta o cio
Que te arrepia os pelos
De ouro
Que cala a palavra
E impulsiona o grito
Do prazer que brota em ti
367

Heranças

Tenho sempre à mão
Um punhado de sonhos
E outro de desejos
Um terço herdado
E um bendito punhal destinado
A defender meus poucos bens

Tenho sempre a mão
Alguns calos formados pela labuta
A memória e o calor
Do corpo de alguma puta
As tristezas e os medos
Escapando pelas frestas dos dedos

Tenho sempre a mão
Um pedaço do que fui um dia
E muito do que somos... para sempre
 
 
 
411

Silêncio

O mesmo silêncio
diz verdades distintas
e revela a mensagem
que cada um precisa ouvir.
 
330

De Ferir e de Acariciar

meu verso
é ácido, pontiagudo
e aveludado...

meu verso
é a mais hábil carícia
de que sou capaz
449

Hipocrisia

o fantástico mundo da hipocrisia
impõem que os sorrisos sejam amarelos
que os testemunhos sejam falsos
que as atitudes sejam pálidas
e que ninguém se olhe nos olhos

que os amores se submetam a cálculos
que as loucuras se limitem por regras
que os caminhos da perdição
tenham placas sinalizadoras
e que ninguém se olhe nos olhos

que os erros tenham sempre a autoria do alheio
e que ninguém se olhe nos olhos
418

Escassez

Tenho colhido escassez
e minha lavoura se ri
tanto da minha penúria
quanto dela própria
a infecunda

temos tecido
gigantescas teses
a esse respeito
e a esse desrespeito
eu e a infecunda

ainda nos semeamos
mas nossa semente é estéril
e nossa guerra infecunda
477

Prisão

Ninguém que carregue consigo um celular pode se declarar verdadeiramente livre. Então, entenda o término da bateria como uma espécie de carta de alfirria.
432

Natural

A natureza deu asas aos pássaros
nadadeiras aos peixes
venenos às cobras
e sorrisos aos felizes.
562

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