marcioulisses

marcioulisses

n. 1979 BR BR

Amante da Literatura, Poeta, Biólogo, Mestre em Biologia Vegetal.

n. 1979-05-04, Carpina, PE

Perfil
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RESILIR

Entre o conforto que enche
Meus dias de amor
Calor, cheiros, cores, sabores
Dormir    acordar

Sonhar pra viver
Atravessar nuvens júlias
Ainda que pai natimorto
Sofro

Sempre me perseguirá
A brisa felicidade  
O acalanto da bondade
Aonde for me procurará

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Poemas

16

O MARACAIBO

Em Maracaibo ficas
E aqui mareio eu
No luar alguma carta foi transcrita
E no mar as contas dos teus olhos caíram

A superfície do sol fica azul
Toda vez que te mostras a mim
E o mundo sul ou norte
Enfim, o tudo em mim

Clareia então o horizonte
E a margem do rio Capibaribe se transfere pra ti
E suas luzes trafegam pelas noites da Venezuela
E ficam nossos bêbados poetas à cegueira

Enquanto as gôndolas se aglomeram em Veneza
A nossa Veneza do Brasil ficava triste
Por não ter por aqui teu ventre à mostra
E assim te digo em prosa:

Não feche seus olhos nem o sorriso
E assim fique sempre feliz
E não se preocupe com o pobre poeta
Pois este vive por viver e por isso é feliz

131

DE CORAÇÃO HÁ CORAÇÃO

De todo coração a ti serei amante
E de todo peito errante
Te farei sorrir e chorar
E menina, mulher, rainha e atriz

E assim serei nem que por um triz
O amor verdadeiro
Quem sabe ao menos por algum segundo
Nem que seja por um terceiro

E toda ira, intriga, meiguice e solidão
Serão validadas
E toda nossa beleza será aliada
Se amante eu te for de todo coração.
199

LUA COBRA DE PRATA

No canavial, nas noites de lua cheia
As cobras, graças a Deus, ficam prateadas
E a nossa solidão bonita

E quando as línguas de fogo vêm
A gente fica tentando sorrir e não chora
Quando o dia vem
A gente fica triste
E extenuada

E vem o clarão
Nos queimando, fortalecendo
A fome também chega
A gente come saudade

Não há prato mais saboroso
Para nossa tropa faminta
Vinda da terra vermelha
Como pés de cana encarnados
189

BRASILEIRO DE GEMA E RAIZ

Eu vim nas caravelas e negreiros
E estava na praia avistando as velas
Habitava a mata, a caatinga e o cerrado.

Troquei a liberdade por espelhos
Também comi o padre Sardinha
Aprendi e ensinei a catequese

Plantei e queimei a doce cana
Melava os dedos no melaço e a cara de aguardente
Conhecia de tudo que fosse Manihot
Beiju, beijo, beijei, lambi, me fartei

Então não se atreva dizer para não cantar
Não beber a jurema
Nem pra não adorar o ouricuri
Nem chorar meus mortos
E queimar-lhes os corpos
Para depois comermos as cinzas
212

CONTROVERSO

Se existisse o amor
Qual modo o mundo seria?
Sem que exista é tudo tão mau
Quiçá se houvesse essa derradeira dor

Melhor colecionar vontades
Absorver olhares procurando o teu
Stalkear tua voz, relembrar teu corpo
Sem jamais esperar me amares

Vasculho os bairros do Recife
Tentando interceptar teu caminho
Gostando a lembrança do carinho
Rua da Guia, Aurora, Beberibe

 Mais uma madrugada sem sucesso
Da janela do carro de aplicativo
Vejo a cidade pela qual vivo
Reavivando minha descrença, controverso
206

ARRECIFE

Da cidade invisível
Se encobriu a cruz do patrão
Por agrotóxicos
Do centro nem mais a pena de Carlos é tangível

A linda Ilha de Antônio Vaz
Hoje Egito para os capitalistas, tal qual o fora aos Hebreus
Boa vista, Santo Antônio, São José
Guetos murados por palacetes de 40 andares

A imagem histórica quase quinquincentenária do Recife
Invisível por trás do muro de arranha-céus estelicianos
O nosso solo outrora sagrado, hoje feudo de canteiros de obras
Aproveitou-se astutamente do incentivo da Caixa para multiplicar-se os preços
Nosso povo pernambucano hoje é sem-teto – e ainda paga aluguel

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