marcioulisses

marcioulisses

n. 1979 BR BR

Amante da Literatura, Poeta, Biólogo, Mestre em Biologia Vegetal.

n. 1979-05-04, Carpina, PE

Perfil
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RESILIR

Entre o conforto que enche
Meus dias de amor
Calor, cheiros, cores, sabores
Dormir    acordar

Sonhar pra viver
Atravessar nuvens júlias
Ainda que pai natimorto
Sofro

Sempre me perseguirá
A brisa felicidade  
O acalanto da bondade
Aonde for me procurará

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Poemas

29

ENTRANDO NA PEDRA DO REINO [homenagem a Ariano e Zélia Suassuna]

Quando cheguei à pedra do reino

Encabulado com medo e respeito

Procurei seguranças e não vi

Um transeunte falou-me

Bate o chocalho... Aí pra chamar

 

Incrédulo, puxei a corda

 Chocalho de bode cantou

Um pedreiro lá de dentro gritou:

Pode entrar

 

Admirado com as belezas do Mestre

Perguntei pelo responsável

Uma moça da lida falou: vou chamar

Veio de lá de mãos dadas

 

É dona Zélia? – Sim senhor

É uma honra conhecê-la

Apertou-me a mão e disse: obrigado!

E assim me tomou aquela energia corpo inteiro

 

O reino mundano de Ariano

O altar, os símbolos, as pedras

As árvores, o casarão, a modéstia

Só sei que foi assim...

128

COMBATE E SOLIDÃO

A solidão é a única propriedade que levarás além-túmulo

Não necessariamente triste, te reveste de armadura

Da couraça dos vaqueiros, dos cangaceiros, 

Do povo de rua, que sob sol e sob lua

Não sabe a data de hoje nem o dia de amanhã

 

Te guiará com cuidado, confortará o frio da alma

Te lembrará que a saudade é o perfume de verões passados

Antes e depois de passada a tua memória

Do último ente se negar a ver tua desgraça

 

Mas solidão nem saudade é desgraça

Aprendes que não precisa de outrem pra viver

E ser uma ilha propensa a receber visitantes

Estarás sempre pronto à chuva ou batalha que vier

 

Ama aos outros, mas ama-te em primeiro

Tanto o bem quanto o mal é passageiro

E o amor como a vida é viagem

Segura o teu papel com arte e coragem

Até o ato derradeiro

102

NOS AMAMOS NA PRAÇA

Era ela
Era eu
Era a praça
A rua, a lua, o mar
Era perigo
Era abrigo
Meu e dela
Abrigo sim
Sem teto
Forrado de estrelas
Foi
És
Foi assim:
Na praça
Defronte ao mar
Como animais
Como o sal
Com o vento
Foi sim
Sim foi
Se foi
Ainda vive
Aqui nas minhas entranhas
Nas minhas narinas
No meu órgão sagrado
Não... Ou melhor sim
Sim e não
Não e sim
Inicio
Não fim
Oh please
Please
No speak
Eu explico
Explicito
Tudo
Todo mar que fizemos naquela noite
Enquanto as estrelas caíam sobre o mar...

117

AMOR DE CARNAVAIS

Ilusão, fascinação, alegria
Tudo brilha 
Confete e serpentina
E o mundo gira

E após uma década
O amor voltou com a translação do mundo
O surto, o impulso, o cheiro
Do travesseiro, do cavalheiro, da dama amada

Sim, amor de carnavais
De um, de dois e de muitos mais
A saudade, a vontade, as lembranças
Olinda, Itamaracá, Caruaru, esperanças

A certeza de um amor de ternura
De felicidade futura
De espelhos, de pelos, de pluma
Da alma dos palhaços que é pura

116

AMAR NO MAR

Ele voou pelas estradas de Paraíba a Pernambuco
Voava acima um coração resoluto
O pensamento corria a largo à ela
Chegou ao obelisco da ponta às nove

Olhou a imensidão verde, o sol alto
Até ver de súbito o clarão da estrela
Eunice chega depois, como de costume
Como de costume, sua beleza... surpresa!

Então a felicidade banhou a todos da praia
Foi impossível escapar daquela força
Era amor? Era paixão? Era ciúme? Era explosão!
Mãos dadas de fronte ao mar sempre tão companheiro

Pernas entrelaçadas, corpos um
Namoro, adolescentes, brincadeiras
Falésias, pedras de corais, bichinhos...
Olhos, bocas, mãos, multidão admirada

Não dá pra sair da água
O tempo parou em volta deles
Os outros deixaram de existir
O melhor dia primeiro do segundo ano
De nossa vida...

138

LUZ AZUL DE OLINDA

O sorriso ou os cabelos
A meiguice, simpatia
A luz, o mistério,
Sabe-los

O traço, o artesanal
O abraço, o carnaval
O cheiro das meninas
Os olhos negros
Como a pedra de Medina

O intocável
O desejo da alma
O calor da Calma
Do inatingível

108

NARCISISTAS

A desilusão foi meu egoísmo
De projetar em ti a musa que queria
De tentar aprisionar teu olhar
E guardar pra mim teu sorriso

Te imaginar como não és
Escrever uma história a sós
Estupidamente atirar-me ao convés
Domesticar uma ave feroz

Nada de flores nem árvores 
Tampouco abraços estelares
Nem mel, carinho ou ternura
Atração, não paixão sem cura

Aprender as mudanças 
Respeitar as diferenças
Entender que não há mais poesia
E esquecer de fato o que não merecia

153

O FURACÃO DE GARRAFA

Quero ver-te andando pelas ruas
Pelas pontes, colorindo jardins
Sorrindo nas lojas
Sugando o meu olhar

Esquentando meu corpo
Destruindo meu juízo 
Me excitando num abraço
Mostrando-me o êxtase

Me dando o doce travoso
O mel amargo raivoso
E o prazer de verdade
Feito à tua ambiguidade

102

ÁCIDO

É o que machuca com palavras

Soltas ao vento pra cara

Ditas como pedras em saraivadas

Que se escondem atrás da alma

 

Paixão irresoluta, tortura no peito

Ciúme calado, trancado e feroz

Duro imaginar o passado imperfeito

E ter que se esconder da sombra do algoz

 

E ter esse sentimento como defeito

Dentro do tronco da aorta

Qual dor do ciático, ou num osso estreito

Entalado como bacteriose na garganta

 

Mas tudo começou com alumbramento

Olhos queimantes, presenças ardentes

Doces gestos, cortesia, encantamento

Sonho, sorrisos, desejo instigante e reprimido

139

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