É o que machuca com palavras
Soltas ao vento pra cara
Ditas como pedras em saraivadas
Que se escondem atrás da alma
Paixão irresoluta, tortura no peito
Ciúme calado, trancado e feroz
Duro imaginar o passado imperfeito
E ter que se esconder da sombra do algoz
E ter esse sentimento como defeito
Dentro do tronco da aorta
Qual dor do ciático, ou num osso estreito
Entalado como bacteriose na garganta
Mas tudo começou com alumbramento
Olhos queimantes, presenças ardentes
Doces gestos, cortesia, encantamento
Sonho, sorrisos, desejo instigante e reprimido
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