Marco Aqueiva

Marco Aqueiva

n. 1966 BR BR

n. 1966-04-05, Atibaia

Perfil
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Ir ao azul com céu palavras pés

Ir às palavras com os pés na noite
costela arrancada do escuro, e luzes
sobre o breu para ver um pouco as coisas

 

O breu de tantos poemas mal calados
sons e olhos lotam os campos de versos
céu nuvens beiram as linhas do beco

 

Tamanho muro incomoda a existência
costela arrancada do escuro, o azul
sobre o breu mal liberta o próprio sonho

 

Tamanho azul mergulha em minúcias
refaz evidências que não se enxergam
e, negando a existência, nos descobre

___________________

De O azul versus o cinza (Patuá, 2012)

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Biografia
MARCO AQUEIVA, poeta, é autor de NESTE EMBRULHO DE NÓS (poesia: Scortecci, 2005), SÓIS, OUTONO, SOU? (novela: Dulcineia Catadora, 2009) e O AZUL VERSUS O CINZA (poesia: Patuá, 2012). Organiza com Gonçalo Moraes Galvão o projeto Diálogos: Literatura e Psicanálise no Cinema. Integra o coletivo QUATATI: http://quatati.blogspot.com.br/.

Poemas

5

Ir ao azul com céu palavras pés

Ir às palavras com os pés na noite
costela arrancada do escuro, e luzes
sobre o breu para ver um pouco as coisas

 

O breu de tantos poemas mal calados
sons e olhos lotam os campos de versos
céu nuvens beiram as linhas do beco

 

Tamanho muro incomoda a existência
costela arrancada do escuro, o azul
sobre o breu mal liberta o próprio sonho

 

Tamanho azul mergulha em minúcias
refaz evidências que não se enxergam
e, negando a existência, nos descobre

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De O azul versus o cinza (Patuá, 2012)

309

Clareza Seca I


seca como o olhar suspenso

            quenão se retira do céu limpo

 

seca como o nariz para fora dajanela

            quenão esbarra na menor aba de vento

 

seca como há coisas

            queainda sobram à luz escaldante


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De O azul versus o cinza (Patuá, 2012)

320

Clareza Seca XVII

Estou farto de reformar a pedra

pedra extrema de aridez semhidratantes

 

Não há vagas

para reformadores da sensibilidade

 

Estou agora muito muito cansado

para revitalizar o azul

azul nulo de velhas hipóteseslactantes

 

Não há mais vagas

para educadores nos limites daternura


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De O azul versus o cinza (Patuá, 2012)  


308

No comprimento das tintas

Modelar o cinza

o cinza em seu acorde baixo e negro

a ferrugem carregada nas unhas

o aço inoxidável adestrando o nervo

a fome, sempre ela, chão masamorosa

 

Remodelar o telhado

a respiração encosta suas telhasbrutas

sobre o azul pedra, sem peso semaltura

só então, para melhor sentir ocinza

remodelar o sustento ao estalo doextravio

 

Nenhum reforço tropeça a palavrachão

nenhum desabrigo contorna a arenavida

o azul, mantido nos cardumes, éainda

solitário – avesso de madrugadas esonhos


___________________

De O azul versus o cinza (Patuá, 2012)

327

Aos tropeços

Sóis
e ainda
mal clara
a transpiração

 

Estrelas
aos tropeços

 

Céus
às cegas
até dourar-me
os calos


___________________

De O azul versus o cinza (Patuá, 2012)

310

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