CAPIM - DOURADO
CAPIM - DOURADO
Fui lá pro Cerrado,
em busca do Capim - Dorado,
pra fazer um entrelaçado,
que vai sair uns bichos
todos engraçados.
Destes bichos, eu fiz,
uma Coruja- Buraqueira,
um Tamanduá - Bandeira,
um Lobo - Guara
e até uma Siriema.
Entrelacei da melhor maneira,
e pus eles todos na soleira,
e cochilei no balanço da cadeira,
porque afinal, era Lua Cheia.
E por ser Lua Cheia,
no lumiar da candeia,
todos bichos que fiz,
de Capim - Dourado,
se transformou em vida,
afinal de um a forma
tão querida.
Mas mais do que vida,
os bichos me olharam
em despedida,
e num voo alado,
com meu coração apertado,
foram desbravar o Cerrado.
E naquela Lua toda cheia,
que iluminou toda a aldeia,
vendo a bicharada que fiz,
voando pelo Cerrado,
a caminho do Luar,
e eu me lembrando,
de quem não deixo
de Amar.
M . A. Tisi
(23/11/2012)
TUDO FICOU DIFERENTE
TUDO FICOU DIFERENTE
Tudo agora ficou diferente,
tem vezes que me sinto
completamente dormente.
Do nada surge uma lagrima,
e a ai a tristeza inunda minha alma,
atazanando com a minha calma.
Tem momentos de um vazio candente,
que me deixa numa ação premente.
Entretanto há momentos de estrema calma,
onde tudo parece que nada aconteceu,
mas são esse momentos breves
onde tudo emudeceu.
Por quanto tempo tudo ficara diferente,
sinceramente, queria poder saber
sobejamente.
Sinto muita saudades,
não sei se isso é um erro meu,
mas não sou eu que ira dominar
os sentimentos meus.
Mas hoje tenho minhas duvidas,
se o Amor realmente existe,
ou se fui eu que quis senti - lo
numa atitude que em mim persiste.
Tudo ficou diferente,
e nada ira mudar essa ausência,
que é uma ambivalência,
que me confunde e me sufoca,
e que parece não ter escapatória,
sera para sempre minha maior
e pior memoria.
Tudo ficou diferente,
dificilmente ficarei
num estado de espirito
alegremente e talvez
ficarei pra sempre dormente.
M . A. Tisi
(15/08/2012)
PAÚRA
PAÚRA
Tem dias que me dá uma Paúra,
parece que não tenho mais inspiração,
pra fazer minha Poesia dura.
É Tanta coisa que se passa
pela minha mente,
que fico disperso presentemente.
Mas é que estou impaciente,
sofrendo previamente,
pois , afinal, é assim que é
justamente.
Na verdade,
a cada dia que desponta,
as vezes não me dou conta,
e fico como mosca - tonta,
querendo,
ainda, acreditar naquilo que
mais me afronta.
Talvez um dia, se eu souber,
o Real Motivo de tudo
que veio a acontecer,
a Paz pode em mim alvorecer.
Mas sinceramente,
acho que nunca irei saber,
e essa Paúra que sinto
ira me corroer,
mas mesmo assim,
minhas singelas
Poesias tentarei fazer.
Incrível,
depois de mais de ano e
meio que tudo acabou.
Eu ainda estou aqui
nesta tristeza imensa,
tentando fazer que minha vida
seja intensa.
Mas, só não quero ter Paúra,
de perder a vontade,
de fazer minha Poesia dura.
Marco Aurelio Tisi
(13/05/2013 )
ACONTECER
ACONTECER
Nada acontece,
nada acontecera,
nada aconteceu.
A sensação é de inércia,
é o tempo na sua tirania,
fazendo me sentir
nessa apatia.
Me sinto tão inconformado,
tão incomodado,
tão logrado.
Mas esta tudo bem,
todos estão bem,
porque nada acontece,
nada acontecera,
nada aconteceu.
Todos estão no caminho certo,
todos estão corretos,
todos estão tranquilos,
todos estão conscientes,
para claro,
viverem sabidamente.
Eu já não durmo mais tranquilo,
a Paz que tanto quero não vem,
esta tudo enevoado,
é como se estivesse naufragado.
Mas sei meu lugar,
as vezes demoro,
mas sei que tenho que me afastar,
não se deve ter convicções,
nem muito menos certezas,
só não quero ter uma vida
com muita agudeza.
Mas nada acontece,
nada acontecera,
nada aconteceu,
e hoje já não sei
se o Amor que tenho
foi uma " Armadilha ".
Marco Aurelio Tisi
(11/05/2013)
AVÔ POSTIÇO
AVÔ POSTIÇO
Faz cerca de um ano, que fui Avô Postiço,
tive um casal de netos lindos e castiços,
ainda bem, pois nessa função era noviço.
Foi uma experiencia única,
fui palhaço, fui amiguinho,
despertou em mim Amor que não conhecia,
Amor de Avô Postiço,
pra voltar a ser criança,
pra rolar no chão,
fazer bola de sabão,
em suma a maior diversão.
Casal de netos lindos,
não pela beleza exterior,
as quais eles possuem.
Mas, por serem crianças
tão meigas e singelas,
por isso mesmo tão belas.
Mas agora, que já se passou quase um ano,
já não sou mais Avô Postiço,
e infelizmente, nem um beijo de despedida
pude eu dar, não tive essa concessão,
e sabe se lá, o que a eles foi dito,
sobre essa situação.
Mas eles são crianças, são inocentes,
são ingênuos, assim como ingenuo eu fui,
mas eles serão para sempre meus netos postiços,
estão em meu coração, e de mim para eles,
só tenho bons pensamentos,
sei que deles não tenho nenhum julgamento.
Mas foi bom , foi muito bom,
ser Avô Postiço, daqueles dois,
eles são inesquecíveis,
são para mim, por demais sensíveis .
Talvez um dia, num acaso qualquer,
possamos nos encontrar,
e então vou torcer para que mim
eles possam se lembrar.
M . A. Tisi
(16/09/2012)
NEVOEIRO
NEVOEIRO
Hoje o Nevoeiro cobre a cidade,
e eu continuo nessa obscuridade,
ainda sem entender e por isso mesmo,
essa minha total inconformidade.
Mas agora isso já é parte de mim,
e se pudesse queria ser um Curumim,
pra ficar cuidando de Jasmim,
e cultivar um lindo Jardim.
Nevoeiro que vira e mexe aparece,
pra lembrar o que afinal não se esquece,
e minha alma se esvaece,
e meu coração se amolece,
nessa amargura que só me entristece.
O Tempo passa tão depressa,
e eu sem a minima pressa,
porque a Vida tá revessa,
porque o Nevoeiro do nada confessa,
que o caminho agora é por uma
estreita travessa.
As vezes fica tudo sem sentido,
por tudo aquilo que foi vivido,
e que foi por mim nutrido,
mas que realidade foi perdido,
porque era uma ilusão minha
e eu pensei que tinha acontecido.
È assim o Nevoeiro traiçoeiro,
que faz questão de sempre se apresentar,
pra fazer a tristeza transbordar,
dessas minhas lembranças
que não querem se dissipar.
Marco Aurelio Tisi
( 30/05/2013 )
AREIA QUE CANTA
AREIA QUE CANTA
Naquela praia paradisíaca e deserta,
onde só eu estava, te fiz uma poesia,
que gravei na areia que cantava,
enquanto os versos para você
eu rascunhava.
Eram versos de muito Amor e Dor,
versos elaborados com lagrimas tristes,
onde queria traduzir esses meu Amor por você,
onde minha alma insiste em te saudar.
E no galho fino, feito um " Anchieta " solitário,
aproveitando o canto da areia, cravava a Poesia,
toda cheia de ardor, toda cheia de saudade,
pela nossa incapacidade de um dia nos tornar
realidade.
Areia que canta, quando caminho,
pela minha emoção, ao fazer os versos
do meu Amor por você,
que se diluíram, quando a maré alta chegar.
Maré que ira levar os versos doloridos,
que para você eu fiz com ardor e Amor,
versos feitos ao som da Areia que canta,
canta o meu lamento da tua perda,
canta a tristeza da tua ausência.
E agora caminho pela praia,
onde tem a areia que canta,
e eu com ela canto também,
um canto gostoso e harmonioso,
das boas lembranças que contigo convivi,
e ter a certeza que por você todo o meu Amor,
que você não mais quis,
no canto da areia eu pude saber que com você,
por um tempo fui de todos, o mais Feliz.
M . A. Tisi
(12/09/2012)
SOBREVIVER
SOBREVIVER
Agora o que mais quero é Sobreviver,
só quero outra vez me reconhecer,
não quero ter expectativa,
nem quero alternativas,
quero Sobreviver pra me reconhecer.
Quero poder ler um livro até o fim,
quero ouvir uma musica sem chorar,
quero assistir um filme de drama,
sem uma gota derramar.
Quero me reconhecer,
quero sobreviver,
já não tem ninguém por perto,
já não sou boa companhia,
ninguém quer ter papo
sobre o imaterial,
já também não forço nada
não quero mais nenhuma magoa.
A vida agora é de Solitário,
como era antes de me atrever
a ter um outro itinerário,
sonhei demais,
coisa que não deveria
ter tentado jamais.
Quero Sobreviver a tudo mais,
mas não quero incomodar
que quer que seja,
agora é outra peleja,
Só quero me reconhecer,
por mais que o Tempo,
para isso esta,
como um castigo,
me fazendo sofrer.
Só quero ficar no meu canto,
e as vezes sonhar com um encanto,
um encanto que muito bem convivi,
mas que possa, mesmo com esse sonho,
Sobreviver pra me Reconhecer.
Marco Aurelio Tisi
( 02 / 05 / 2013 )
VOLTANDO AO NORMAL
VOLTANDO AO NORMAL
Fui pegar uma camisa,
e vi uma calça antiga,
resolvi vesti - la,
e eis que agora
ela me serve novamente.
Estou voltando ao meu normal,
mas bem diferente do que fui outrora,
há muita coisa na memória.
Aquela calça antiga,
me serve novamente,
engordei um pouco,
mas estou na duvida,
se engordei porque deixei de fumar,
ou se afinal, retornei a estar,
como sempre deveria estar.
É, sou um " Sozinho " e gosto assim,
mas por ser assim, houve um dedo em riste,
apesar de não vê - lo, me julgando,
por ser assim.
Sou " Sozinho ", sou careta,
não tomo " todas ",
não curto " Esterco potencializado ",
meu linguajar é dos mais educados,
tenho a gentiliza como minha delicadeza,
tenho o respeito como o meu maior enlevo.
Mas esse sou eu, o eu " Sozinho ",
cujo dedo em riste, fui acusado,
é fácil agir assim ,
quando já não se é mais necessário.
Mas, estou voltando ao normal,
mas não totalmente,
a tristeza ainda é muito presente,
mas tenho em mente,
que apesar de tudo que passei,
só eu amei, e isso só eu é que sei,
o que para sempre, é la no coração,
que a recordação sera sempre uma emoção.
M . A. Tisi
(07/11/2012)
REMANSO
REMANSO
É lá na lagoa calma e tranquila,
de águas translucidas,
habitada por peixes lindos
e botos bonitos,
que remo no remanso do descanso.
É uma lagoa como nenhuma outra,
lá tem harmonia, tem pureza,
tem calmaria, não há luxuria,
tem consonância dos pássaros
em revoada sincronizada,
tem o ecoar do vento entre as arvores
que formam um degradê lindo
no contorno da lagoa do remanso.
É a lagoa onde remo só,
na minha melhor solidão,
que apesar do que possa parecer,
para mim é o meu prazer.
É lá que na minha solidão,
estou livre daquilo que é enganoso,
que é corrosivo, que é venenoso,
porque é falso e dissimulado,
é a revelação do mal,
onde nunca vi nada igual.
É bom remar no remanso
da lagoa tranquila,
lagoa triste e saudosa,
da ilusão que tive,
da minha luta inglória,
de um Amor sincero,
que me dediquei
com muito esmero.
Mas na realidade,
essa remanso da lagoa
com suavidade,
é enfim a tranquilidade,
da alma que esta em saciedade,
daquilo que tenho como verdade.
M . A. Tisi
(12/11/2012)