REMANSO
REMANSO
É lá na lagoa calma e tranquila,
de águas translucidas,
habitada por peixes lindos
e botos bonitos,
que remo no remanso do descanso.
É uma lagoa como nenhuma outra,
lá tem harmonia, tem pureza,
tem calmaria, não há luxuria,
tem consonância dos pássaros
em revoada sincronizada,
tem o ecoar do vento entre as arvores
que formam um degradê lindo
no contorno da lagoa do remanso.
É a lagoa onde remo só,
na minha melhor solidão,
que apesar do que possa parecer,
para mim é o meu prazer.
É lá que na minha solidão,
estou livre daquilo que é enganoso,
que é corrosivo, que é venenoso,
porque é falso e dissimulado,
é a revelação do mal,
onde nunca vi nada igual.
É bom remar no remanso
da lagoa tranquila,
lagoa triste e saudosa,
da ilusão que tive,
da minha luta inglória,
de um Amor sincero,
que me dediquei
com muito esmero.
Mas na realidade,
essa remanso da lagoa
com suavidade,
é enfim a tranquilidade,
da alma que esta em saciedade,
daquilo que tenho como verdade.
M . A. Tisi
(12/11/2012)
ACONTECER
ACONTECER
Nada acontece,
nada acontecera,
nada aconteceu.
A sensação é de inércia,
é o tempo na sua tirania,
fazendo me sentir
nessa apatia.
Me sinto tão inconformado,
tão incomodado,
tão logrado.
Mas esta tudo bem,
todos estão bem,
porque nada acontece,
nada acontecera,
nada aconteceu.
Todos estão no caminho certo,
todos estão corretos,
todos estão tranquilos,
todos estão conscientes,
para claro,
viverem sabidamente.
Eu já não durmo mais tranquilo,
a Paz que tanto quero não vem,
esta tudo enevoado,
é como se estivesse naufragado.
Mas sei meu lugar,
as vezes demoro,
mas sei que tenho que me afastar,
não se deve ter convicções,
nem muito menos certezas,
só não quero ter uma vida
com muita agudeza.
Mas nada acontece,
nada acontecera,
nada aconteceu,
e hoje já não sei
se o Amor que tenho
foi uma " Armadilha ".
Marco Aurelio Tisi
(11/05/2013)
SINO DOS VENTOS
SINO DOS VENTOS
O calor esta Senegalesco,
não esta dando para respirar,
muito pelo calor que esta a estalar,
muito também pela tristeza,
que causa mal estar.
Escancaro todas as janelas,
para abrir caminho para o vento,
aliviar um pouco o respirar.
Mas tenho um Sino de Ventos,
e ao abrir caminho para o vento,
ele se põe a tilintar,
então fecho os olhos
e me ponho a sonhar e recordar,
de tudo que fiz e apesar de tudo,
como é bom Amar.
Ah, como é bom abrir os caminhos,
para o vento, para tudo, para fazer
os Sinos dos ventos tilintar.
Mas os Sinos dos Ventos,
só irão tlintar, se dentro de você,
tiver verdade, tiver sinceridade,
tiver solidariedade, tiver lealdade,
tiver bondade, tiver caridade,
tiver honestidade, tiver hombridade,
tiver respeitabilidade,
em suma tiver Amor com coragem;
Porque as vezes não adianta ter
Sinos dos Ventos em casa,
pois eles não tilintarão,
pois falta no minimo emoção,
e ai eles serão apenas uma decoração,
ou seja uma dissimulação,
pois não tocarão.
Abro os caminhos dos ventos,
abro meus caminhos pelo que sou,
para tilintar os Sinos dos Ventos,
e me levar aos melhores momentos,
e melhores pensamentos,
do Amor que tenho e por ele nunca
me contenho.
M . A. Tisi
(01/11/2012)
AVÔ POSTIÇO
AVÔ POSTIÇO
Faz cerca de um ano, que fui Avô Postiço,
tive um casal de netos lindos e castiços,
ainda bem, pois nessa função era noviço.
Foi uma experiencia única,
fui palhaço, fui amiguinho,
despertou em mim Amor que não conhecia,
Amor de Avô Postiço,
pra voltar a ser criança,
pra rolar no chão,
fazer bola de sabão,
em suma a maior diversão.
Casal de netos lindos,
não pela beleza exterior,
as quais eles possuem.
Mas, por serem crianças
tão meigas e singelas,
por isso mesmo tão belas.
Mas agora, que já se passou quase um ano,
já não sou mais Avô Postiço,
e infelizmente, nem um beijo de despedida
pude eu dar, não tive essa concessão,
e sabe se lá, o que a eles foi dito,
sobre essa situação.
Mas eles são crianças, são inocentes,
são ingênuos, assim como ingenuo eu fui,
mas eles serão para sempre meus netos postiços,
estão em meu coração, e de mim para eles,
só tenho bons pensamentos,
sei que deles não tenho nenhum julgamento.
Mas foi bom , foi muito bom,
ser Avô Postiço, daqueles dois,
eles são inesquecíveis,
são para mim, por demais sensíveis .
Talvez um dia, num acaso qualquer,
possamos nos encontrar,
e então vou torcer para que mim
eles possam se lembrar.
M . A. Tisi
(16/09/2012)
TUDO FICOU DIFERENTE
TUDO FICOU DIFERENTE
Tudo agora ficou diferente,
tem vezes que me sinto
completamente dormente.
Do nada surge uma lagrima,
e a ai a tristeza inunda minha alma,
atazanando com a minha calma.
Tem momentos de um vazio candente,
que me deixa numa ação premente.
Entretanto há momentos de estrema calma,
onde tudo parece que nada aconteceu,
mas são esse momentos breves
onde tudo emudeceu.
Por quanto tempo tudo ficara diferente,
sinceramente, queria poder saber
sobejamente.
Sinto muita saudades,
não sei se isso é um erro meu,
mas não sou eu que ira dominar
os sentimentos meus.
Mas hoje tenho minhas duvidas,
se o Amor realmente existe,
ou se fui eu que quis senti - lo
numa atitude que em mim persiste.
Tudo ficou diferente,
e nada ira mudar essa ausência,
que é uma ambivalência,
que me confunde e me sufoca,
e que parece não ter escapatória,
sera para sempre minha maior
e pior memoria.
Tudo ficou diferente,
dificilmente ficarei
num estado de espirito
alegremente e talvez
ficarei pra sempre dormente.
M . A. Tisi
(15/08/2012)
NOVA TERAPIA
NOVA TERAPIA
Eu que nunca fiz Terapia,
descobri nela as minhas Poesias,
mas agora completei
com mais outra terapia,
é o consumo de Tangerina.
Tangerina, seria Ponkan,
Murcott ou Mexerica,
não importa, na realidade
é meio sem logica.
Mas tá tão barato a Mexerica,
que pra compensar a carestia,
carestia lembra Terapia.
É tão bom quando se começa
a descascar a Mexerica,
exala aquele aroma critico,
que dai eu fico menos critico,
sem ser apolítico,
e só quero, acordado,
ter um sonho onírico.
E enquanto se vai tirando
do gomo o fiapinho,
pra ficar bem lisinho,
pra poder sorver
o gosto meio amarguinho.
Vou curtindo minha nova terapia,
de comer Mexerica,
bem devagarinho,
pra suporta o cotidiano,
sem nenhum outro dano,
nenhum plano,
só querendo ser mais humano,
sem nada profano,
e la no fundo ouvindo um Piano.
Procurando motivo,
pra levar a vida,
mas suave e mais simples,
como descascar uma Mexerica.
Marco Aurelio Tisi
( 04 / 05 /2013 )
ELA VEM, IMPIEDOSAMENTE
ELA VEM, IMPIEDOSAMENTE.
Ela vem impiedosamente, ela é friamente glacial,
ela é realisticamente certeira, ela é de uma verdade
fulminante, ela é a RAZÂO, a minha RAZÃO,
que estava demorando para chegar.
E ela ao chegar, como diz a passagem bíblica,
me mostrou que eu era o pior dos cegos,
porque mesmo enxergando não quis ver,
que o que estava sendo orquestrado para comigo,
em detrimento do Amor que de mim tinha nascido.
E justamente pelo Amor que de mim nasceu,
foi me presenteado com a dissimulação,
fui usado para um jogo torpe de provocação
sedutora, para aquele de quem realmente ama,
mas não tem a coragem de ser mais uma
odalisca no harém de quem é dono do
" especial carinho ".
Não não houve a coragem de me dizer o real motivo,
e usou de um álibi falso, para justificar o jogo a mim
engendrado, pois nesse álibi apresentado, jamais se quis
mexer no que nunca quis ser mexido.
Mas fui presenteado, pelo silencio covarde,
silencio esse travestido de pseudo superioridade,
carregada de soberba e arrogância,
se arrogando de dona da verdade,
verdade que não possui, porque ninguém
é dono da verdade, pois a verdade é feita
de honestidade, lealdade, e acima de tudo,
índole e principalmente livre - arbítrio,
pois só é verdadeiro que realmente quer se - lo.
Mas a RAZÃO esta me chegando,
impiedosamente, friamente,realisticamente,
verdadeiramente, mas que não me tirou
o AMOR que sinto , esse AMOR que no fundo,
foi só meu, mas foi e é um AMOR,
honesto, solidário, verdadeiro e fiel,
mas que é um AMOR impossível,
porque é um AMOR que em momento
algum foi correspondido.
M . A. Tisi
(07/08/2012)
FLOR DE NOVEMBRO
FLOR DE NOVEMBRO
É um jardim bem acanhado,
onde cultivo algumas flores,
que o deixam bem adornado.
Tem flores diversas,
que são aqueles entes queridos,
que já desencarnaram,
mas que em vida muito me
influenciaram.
Tem outras flores bonitas,
que são meus poucos amigos,
que eles na minha vida orbita.
Tem uma arvore frondosa,
que é um Cedro Libanês,
carinho meu todo especial
cuja semente esta lá no Parana.
Tem uma Margaridinha e um Cravinho,
é um casal de PIMPOLHOS,
inesquecíveis de tão amarosos.
Tem uma rosa bem cor de rosa,
que um dia haveremos de nos
entender.
Tem minha GIRASSOL querida,
que é essencial na minha vida .
Mas agora em novembro,
tem uma flor todo negra,
tão negra como tão rara,
nela contem minha tristeza,
minha melancolia,
minha maior desilusão,
pois enfim ela é uma
infeliz comemoração,
de um ano de sofrida
separação.
Mas no jardim bem acanhado,
não tem a flor que eu mais queria,
apesar de tanta Poesia que por ela
fiz e faria.
Essa flor na realidade, não entendi
o que de mim afinal quis,
e nos meus desenganos,
na minha luta inglória,
para querer preservar la,
na verdade dela para mim,
ela nunca existiu,
porque não havia sentimento ali,
e apesar de sua meiguice e candura,
ela é sem sentimentos,
ela é apenas uma bela dobradura.
E agora nessa flor negra de novembro,
que quase o dia inteiro ela fica orvalhada,
do rocio amargo que escorre de meus olhos,
pelas lembranças de tudo que se passou,
e na minha ingenuidade de pensar,
que aquilo tudo seria para sempre,
mas agora só fiquei demente,
pois tudo aquilo foi artificio,
para me usar afim de obter um beneficio.
Mas esse é meu jardim bem acanhado,
é meu coração que esta por demais amargurado,
e cultivo todas as flores que nele contem,
mas não tem a única flor que um dia pensei
que existia, e apesar disso, é a flor que mais queria.
M . A. Tisi
(31/10/2012)
PORTAL
PORTAL
Tenho uma
montanha
de roupa pra
passar,
tava com uma
tremenda
de uma
preguiça,
mas tinha
que começar,
Preparei o
ferro de passar,
abasteci com
água filtrada,
e liguei pra
esquentar.
Mas ao ficar
pronto para o uso,
e ao
encostar no ferro de passar,
como um
estupor, entrei num Portal
e fui parar
na sua sala de estar.
Era lá com
todo meu carinho,
que sua
roupa eu gostava passar.
Então
comecei a passar,
suas blusas
brancas de tanta alvura,
que te
vestia com tanta doçura.
E também ,
aquela tua blusa verde,
que lhe caia
tão bem,
que quando
você usava,
com muito
ciumes eu ficava.
Depois, suas
calças de sarja preta,
que você
ficava tão elegante,
que me
deixava estonteante.
Ai surgiu a
aquela saia que te dei,
que quando
você usava
tanto me
cativava .
E então, o
sei pijama de alcinha,
azul celeste
acetinado,
que quando
você usava
me deixava
embriagado,
e dentro
dele você era,
e ainda é,
meu Luar Consagrado.
E por
ultimo, aquele teu vestido
deslumbrante
vermelho,
que você
usou pra gente ir jantar,
e um ano de
namoro comemorar,
e imagino
com quem sera que hoje em dia,
você o usa
para festejar.
É, era a
tua roupa que eu gostava de passar,
e sei que
pra você, eu fazia porque queria,
mas para mim
era muito mais que isto,
era meu
jeito de te acarinhar,
e muito mais
que isto,
era o meu
jeito de te Amar.
Mas a água
do ferro acabou,
e então o
Portal se fechou,
e agora eu
estava de volta para minha sala,
para minha
roupa eu começar a passar,
e não
precisei reabastecer o ferro de passar,
pois a minha
roupa já estava ficando úmida,
umidade que
caia de meus olhos,
era uma
salgada umidade,
pela tua
imensa Saudade.
Marco Aurelio Tisi
( 14/05/2013 )
OITENTA DIAS
OITENTA DIAS
Oitenta dias sem fumar,
mas hoje esta de amargar,
é uma angustia de pelejar,
onde parece que tudo vai parar.
Oitenta dias sem fumar,
mas eu vou me segurar,
não posso mais me apegar,
não, não posso me apegar,
a um cigarro, a um alguém qualquer,
não posso e não quero me apegar,
seja lá de onde vier,
não quero ninguém para bailar.
Oitenta dias sem fumar,
e agora minha vida, mesmo assim,
é um eterno esfumaçar,
e agora só tenho DELA,
lembranças que são meu eterno deleitar,
mas não há como suplicar,
por aquilo que nunca mais
ira se realizar.
Oitenta dias sem fumar,
na procura de algum sentido
para a vida dar,
e na minha ingenuidade,
penso que talvez se tivesse,
DELA tido a verdade,
hoje eu poderia estar mais
na docilidade.
Oitenta dias sem parar,
já chegando um ano
que tudo veio a findar,
e o tempo fez do meu
estado de espirito atemporal,
num vazio celestial.
Oitenta dias sem fumar,
tudo perdeu a razão de ser,
a razão que não veio,
que o tempo fez com minha alma,
um lugar sem esteio,
sem que eu tenha anseio.
M . A. Tisi
(14/10/2012)