MarcosSantos

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Todas as palavras são poucas para definir o estado ou os estados numa profunda alegoria ao sentir e pensar a sucessão de momentos em que vivemos num passado tão perto do presente e num futuro tão semelhante ao seu passado.

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O Despoletar

Oh...amor! quão belas são as palavras que escuto vindas da tua alma.
Nesta plena imensidão de ternura ofegante
que desliza sobre o teu peito como pedras onde me sento e descanso.
Ou não fosse eu a inspiração dos meus olhos fixados nos teus
como abraços longínquo numa plena tarde de sol num tempo de inverno.
As palavras soltam-se devagarinho, reluzem estrelas num céu defunto
e por magia espreita sobre as nuvens a lua por onde desce agarrada ao fio
como se dela deslizasses e poisasses no banco do jardim
onde te espero e canto o amanhecer naquela deslumbrada flor onde desabrochou sorrindo
por detrás da arvore que a tomou como filha
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Poemas

32

O Encontro

Torna-se noite ao dia que antecedeu,

As palavras soltam-se devagarinho,

Rio de sentimentos que não se perdeu,

Falas de amor baixinho.

Soletram-se as palavras sufocadas

Que trazem com elas agarradas

O nobre receio de amar,

Fecundado na fragrância que contempla

o desígnio num desabrochar,

da paixão que nos atormenta.

164

Incomensurável Estado Ladino

Mar repleto de gente; escadaria

Deslumbrante numa correria

Ofegante da pobreza esfomeada

De bocas alvas amargas.

Braços estendidos num atropelo

Do dia que se fazia da chegada

Esperada dos barcos encostada

Ás bermas do rio atalhados de

Riqueza que espantaria a fome

Que se fazia entranhados nos

Olhares da luz.

Nobre povo de feições enrugadas,

De vidas fatigadas na ascensão

Da aurora prometida de trabalhos

Cumprida, e a fome revestida de

Dissabores partilhados, da

Entrega não exercida depois de

Uma vida de trabalho oferecida

Dos barões concluída.

Fecho da luz, que trás o Douro,

Noite ruidosa de almas perdidas

No seio ofendidas, do mundo

Infesto de braço dado com a

Ostentação do alegado senhor

Professo que traz no bolso

Poder da razão.

Vagabundos escondidos por detrás

Do dique, á espera da hora pensada,

do flagrante empurrão Consumada, do roubo atroz visada,

Numa correria desalmada avistava

A tasca onde comeria a carne

Profanada.

A sirene tocava no alto da cidade,

Como um aviso á autoridade do

Roubo consagrado pelo mendigo,

Agora atulhado do pedaço de carne

Que havia disputado.

A autoridade tinha corrido toda a

Cidade onde o roubo havia

Acontecido, o mendigo já cansado,

Contemplava a cama que ninguém

Lhe tinha oferecido.

Neste entretanto, na sala dos

Barões dançavam a valsa das

Razões, de impérios concordantes

Lá fora aclamava-se a revolta da

Mundana gente incandescente

De gestos e faces pulverizados

Dos momentos acatados do calmo

E infamo tempo da fome

Proclamado.

O silencio na praça arrebatado,

O riso na sala dos barões

Promulgado; noite ingrata.

A voz que se fez ouvir, espalhada

Pelo povo firme e faminto,

A praça que há-de aludir a gente

Que travou a "guerra" que pelo

Pão lutou.

Já faz tempo que passou.

A história assim julgou, a noite

Que caiu, mais uma página

Pereceu do século que persistiu

Em manter a diferença do povo que

Lutou, e do barão que sorriu com

A razão que fingiu.

178

A Beleza do Todo

Mera a simplicidade com que o azul do céu

Transborda, essa magnitude que se torna,

Quase como as flores que me olham

De longe, naquele único momento.

A estrela solar brilha sobre um céu

Estonteante, a lua adormece na

Plenitude de um espaço aberto,

Numa criação de excêntricas vozes.

Há! Se tudo não fosse senão a passagem,

Se por momentos tudo se desvanecesse,

Na criação da fecunda oração templária,

Essa voz do tempo que espreita sobre a mão.


Delirais da alma que vos atira sobre a utopia

Essa mágica sensação de romperdes o dia

Numa fusão de sentir o amanhecer, com

A ilusão de mais uma aurora, parecem as

Flores de um jardim coroado de botões a romper.

Essa permissão que da vossa vontade, esculpida

Numa tanta raridade da sucessão dos dias que

Em vós talhais de um sonegado abrir postado.

185

Mãe...


Mãe! Embala-me o sono para adormecer,

As palavras brincam com so pensametos,

Que me trazem aurora a correr,

Fluem em mim como tormentos

Que me fazem padecer.

Mãe! Carrego em mim o sufoco respirado,

Que transporto diáriamente,

Como se o diabo me tivesse agarrado!

Exprimo na minha face o descontentamento

172

Controverso Sentimento

Não é possível amar uma verdade escondida,

Uma porta fechada com uma janela partida.

Não é possível carregar nele o sentimento perdido,

Num mundo onde o amor há ferido.

Temo até já ter desvanecido entre vós,

Coisa que nunca cheguei a estar,

Por mais que esteja já convencido.

Quis o universo ocultar a verdade esquecida,

Foste tão alma querida que permitiste,

Julgar-me defronte do espelho que concebeu

Em mim, o resultado de estar morto como um pedinte.

Não, não morri! Por mais que o tempo em mim se esgote,

Por mais que o mundo com o seu braço forte,

Me tente deter diante desta falsa façanha, que

Não é mais verdadeira que a morte.

Foi possível enquanto pude, deixar parte de mim,

Que jamais abrirá a janela que defronte da parede suporta.

179

Para ti...

quando chegas a casa...

procuro o carinho em ti,

e na minha inocencia,

cito frases que aprendi,


depois, levo-te comigo

para o meu mundo,

onde brincamos e sorrimos juntos,

jogamos e ganho sempre.

Envolvidos brincamos no meu universo,

Que partilhas com afecto,

Segredo-te ao ouvido a ternura que me entregas,

E ali desdobramo-nos em sorrisos

E palavras de liberdade,

Que nos estendem unidos.

150

Poesias Inéditas


Cai misteriosa e esbelta,

Que iluminas todas as janelas,

Assombrosa nua e celta,

Trazes ao rubro toda a beleza singela.

Crescente e divinal na sua plenidão

Numa marcha lenta e libertina,

Nívea redonda bola suspensa de natrão.

E permaneço sentado á beira da janela

Olhando para ti, pura e bela.

160

Poesias Inéditas

Sublime distância que me corrói,

No ventre do meu ser,

Pensando sempre me destrói

Em virtude de o ser e de não o ter.

Ah! Quanta coisa em mim desejei.

Quantas palavras em vão!?

Quantos mundos em mim criei?

E o velhote calmamente me observa até então...

Inerte e vigoroso sentado na pedra,

Calmamente pensante espera...

E sempre que a noite o abate medra,

Na nobre meditação que esmera.

146

Poesias Inéditas

I

Trago comigo a verdade do pensamento,

Desencadeado no frescor da minha alma

Que corre como um rio isento,

Cheio de fado; cheio de palma.

A emoção contida na profundeza

Carrego-a para o fim do mundo,

Com a tamanha certeza de

Que morrerei bem lá no fundo.

Da janela te avistarei sombria,

Num quadro negro de ousadia.

As mãos que levarás ao peito

Sentir-se-ão carregadas do teu feito.

150

Apoteose

A revelação, é imensa e intensa, proclamam-se verdades envelhecidas,
sentimentos vertidos no despoletamento das emoções encadeadas no mais belo dos sentimetos.
Sorris como se o mundo estivesse bordado de flores campestres,
sorris como se o dia de amanhã não fosse senão o principio,
e tudo voltasse ao principio e lá permanecesses naquele estado de manifestação de borboletas
que erradiam nos olhos que difundes encoberta pelo amor que enlaçamos.

Ah...quando te vejo!...

Quando os teus olhos brilham nos meus...quando o teu sorriso incandesce o meu sorriso...

Quando nos abraçamos e nos sentimos por dentro como se fosse a última vez,
como se não houvesse mais dia depois daquele dia...
como se todas horas fossem poucas e em nenhuma delas bastasse o que basta,
e proclamamos verdades presentes, revivemos momentos que jamais esqueceremos,
como se nos marcassem para sempre e não houvessem palavras que os pudessem descrever
e sucumbimos no silencio enquanto nos olhamos, e manifestamos palavras silenciadas que os olhos sabem ler.

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