MarcosSantos

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Todas as palavras são poucas para definir o estado ou os estados numa profunda alegoria ao sentir e pensar a sucessão de momentos em que vivemos num passado tão perto do presente e num futuro tão semelhante ao seu passado.

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O Despoletar

Oh...amor! quão belas são as palavras que escuto vindas da tua alma.
Nesta plena imensidão de ternura ofegante
que desliza sobre o teu peito como pedras onde me sento e descanso.
Ou não fosse eu a inspiração dos meus olhos fixados nos teus
como abraços longínquo numa plena tarde de sol num tempo de inverno.
As palavras soltam-se devagarinho, reluzem estrelas num céu defunto
e por magia espreita sobre as nuvens a lua por onde desce agarrada ao fio
como se dela deslizasses e poisasses no banco do jardim
onde te espero e canto o amanhecer naquela deslumbrada flor onde desabrochou sorrindo
por detrás da arvore que a tomou como filha
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Poemas

32

O Intrinseco

Ah!... as palavras...amontoam-se no caderno,
seduzem, e jorram emoções no coração,
manifestam-se na mente e deslumbram pensamentos floridos.
Ah!... as palavras... essas belas frases projectadas
que se pronunciam e criam visões e sensações metamorficas.
Ah!... quantas vezes sentimos ausentes?...

...quantas vezes estrapolamos sensaçõe vadias?
Ah!...as sensações...esse estado onde nos sucumbimos...
Essa emoção que nos invade e nos toma por tolos.
Ah!... lembras-te...?
...e a razão? Essa efémera luta pela verdade.

Esse trajecto infindável.
Essa procura onde encontramos sempre a porta fechada,

mas resistimos e insistimos sem nada nos vencer.
E o silêncio manifesta-se...
Esse estado em que se encontra...

...esse mergulho interno que corroi a alma.
Essa busca em perpétuo movimento.

Esse insaciável caminho sob o estado,

que leva ao mais profundo de si.

Olho-te... toca e beijo-te.

Doce o sabor do desejo,

E entre o toque dos lábios...

Anseio-te na emotividade gerada.

Deslizo sobre ti o calor que transporto,

Perco-me no aroma do teu corpo,

E resvalo mil sensações por ele.

E no cruzamento dos corpos,

183

O Silêncio

Não há palavras para descrever o estado que possuo.

Se assim o fizesse talvez não chegassem as palavras,

Talvez só o universo compreenda, ou tu,

Mas não posso dizer o que vai nos subúrbios da minha concepção

Pois se assim o fizesse talvez pudesse por em causa

a verdade, e por isso não me permito faze-lo,

e terás que ler no intrínseco e intangível universo.

A luz espelhou-se entre dois universos,

E estenderam-se as palavras guardadas,

No cruzamento dos olhares manifestaram-se pecados,

Frutos proibidos que se anseiam, saciou-se o espírito,

E a vontade tomou conta, perdeu-se o beijo proporcionado,

O toque, a insaciável procura,

E nele ficou manifestado o desejo.

Tomo o sabor da tua boca espelhada no espaço,

As palavras silenciadas percorrem o teu olhar,

E nele manifestas o desejo,

Agarras fortemente o corpo

e abandona-lo sem nada dizeres.

163

A Flor de Lotús

Cumpre-se de forma inigualável, única e intangível,
os estados enquadrados num cenário de cumplicidade
que toca nos mais belos dos sentimentos, de forma tão profunda, e singular
que toma a noite que luz o sobreiro resplandecente, na sua forma tão peculiar.
Evidencias-te enquanto me olhas e tornas-te tão suave
que deslizas nas minhas mãos que te encobrem e protegem do frio que se apregoa.
Por vezes, foges para o teu mundo e lá permaneces calada,
enquanto respiras profundamente o beijo que me roubaste
naquela manhã em que o sol respirou a vida que no nosso ventre
partilhou a luz mística com que nos cobriu.
E mais uma vez, te deitas sobre o meu peito, aconchegada ao amor que transpiro,
relaxando-te na madrugada que se apresenta, com a lua a cobrir a janela
numa imensa chama que nos baptiza com o sentimento
que desce e manifesta no decorrer da noite que denuncia o beijo
agarrado ao abraço que incandesce a unicidade de um todo.
Lembras-te?...

186

O ENDÓGENO








POESIA
170

O Mundo Oculto

O universo espelha-se sob uma realidade que nos mostra.

A visão que se toma, não é mais que o conforto de uns para a desgraça de outros.
Na verdade, o universo real está bem longe de ser aquele que aparenta,
pois é necessário o convencimento de uma imagem apocalíptica,
para que o universo humano se confunda e por sua vez,
não aguente as consequências dissimuladas sozinho.
Esta quimera que nos invade a casa, cria em cada um a sensação de um todo.
Com esta representação, podemos então, analisar e pressupor,
que afinal, aquilo que pensamos ser real, não é mais do que todos os sinais
que Jesus Cristo relatou referente ao apocalipse.
E por mais que nos tenham concebido este abismo,
existe intrinsecamente a esperança de que o caminho da luz tornará
e com isso um novo amanhecer.
Determinados, perante um irreal universo, tomamo-lo como certo,
e perante isto, antevemos o princípio do fim e o começo de um novo mundo.
A imagem perdura á séculos, e nela designa-se por ventura
o destino traçado da humanidade.

173

O Maquiavelismo Arquitectónico

Este ano, ainda em volta do bacalhau, podemos sorrir,
nem que seja por momentos,
podemos ainda partilhar este bocadinho quase proibido,
num país onde o excesso tomou lugar,
e as empresas tentam desta e daquela maneira tirar-nos o jubileu
ainda que com um sabor amargo.
No entanto, há quem não se permita que lhe tirem esse momento
cuja ostentação é reino do poder de quem quer a todo custo
subtrair-nos o ar e colocar- nos no calaboiço
para que a voz se cale perante um fascismo denunciado nos colarinhos doirados do poder politico e empresarial,
que caminham de braço dado negociando o destino de um povo rendido á miséria que lhes consome a alma.
Esta grotesca realidade, bate-nos á porta diariamente de forma repetitiva e maquiavélica,
incutindo-nos o aviso do caminho para o abismo.
Desta forma, eleva-se um poder eleito pelo povo soberano, subalterno espelhado no silêncio de uma nação
que já não se basta mas morre e mata-se num desequilíbrio propenso á fadiga mental
e consequente rendição sobre um estado fascista.

Perdoe-nos a inconsciência de uma sociedade esclerosada sobre todas as suas convicções e forças,
que se tornaram hoje, incapazes de resistirem ao flagelo,
cujo este único responsável pela destruição massiva, de uma nação
vendida a um estrangeirismo cooperativo
concebendo a sua grandeza através da guerra criando laços com o diabo.
E nós não menos responsáveis, subalternos a um imperialismo de extrema-direita.
181

O Ciclo

Perdi tudo, mais uma vez o ciclo se fechou,

Mais uma vez voltei ao inicio,

Mais uma vez tomei o nada como certo,

Mais uma vez o universo fez o seu ciclo normal,

E tudo voltou ao princípio como se nada se tivesse transformado;

E todas as barreiras voltaram a ser erguidas diante de uma

Visão que se toma.

O desvanecimento surge, e o amanhecer volta abrir excêntrico.

O tempo suprime-se, e nele se mascara a verdade escondida,

Por detrás da névoa que se apresenta.

Á parte isto, tudo se esfumara, e a poderosa sensação de vazio,

Torna-se real. O momento revela-se, e nele se pronuncia,

O estado, pois nele reside o todo que é tudo,

E nele se encosta a manhã prometida que desvaneceu,

Nas horas que se sucederam.

170

As Dicotomias


O bem e o mal. No Ocidente, estas duas vertentes, servem de argumentação
e pretexto para a salvação da consciência humana.
Verificamos que na falta de recursos pensantes, o ser depara-se num estado de imobilidade,
incapaz de analisar todas as questões que o cercam.
Desta forma, o último recurso que lhe resta é a redenção da sua consciência,
para tal, rege-se sobre conceitos místicos e ocultos,
na medida em que é necessário culpabilizar para que se sintam mais tranquilos consigo mesmo,
este tipo de pensamento advém do limite do ser,
quando este se depara numa circunstância em que não existe resposta para o momento.
As dicotomias servem então de consolo ao ser,
o que na verdade não consola mas alivia criando uma imagem
e um instante utópico sobre a verdadeira questão que o cerca.
E assume assim a desculpabilização do erro,
em virtude de este estar sobre alçada do ocultismo.
O caminho torna-se fácil, porem não soluciona as questões,
mas predispõe um estado emocional mais leve.
Este subterfúgio, não responde de forma concreta e absoluta ás necessidades do ser contudo,
alimenta a sua incapacidade de raciocinar de forma razoável mantendo-o enfraquecido e á mercê da sua crença.

193

A Metamorfose

Contrariamente á filosofia ocidental, esta demarcada primeiramente pelo eu
como um estado de obscuridade mental, em que o espelho reflecte o
antagonismo da iluminação espiritual, temos então a filosofia oriental,
que exclui o eu num estado de serenidade e iluminação,
em que para a atingir tem como (veículos) a filosofia maiaana e hinaiana
finalizando na filosofia zen, ultima após vários aperfeiçoamentos da filosofia budista
a ser findada. E aqui ao atingir o estado zen, o ego fica num plano secundário
sendo substituído, pelo amor, tranquilidade, serenidade tolerância e compreensão.
O esvaziamento do cálice, símbolo do recomeço de aprendizagem e conhecimento adquirido,
num percurso constante, como o trabalhar da pedra,
este inicio, destina-se á percepção da importância do outro,
e em consequência, o esvaziamento do eu, tornando assim cada um capaz de atingir equilíbrio mental.
No Ocidente, o cálice, símbolo do nosso eu, convencido e preconceituoso,
farto de conceitos, depara-se num estado de ignorância,
cujo seu conteúdo demarcado pela ambição, pela cobiça e pela ganância,
factores que exercem uma força negativa sobre o ser,
incapaz de manter o equilíbrio emocional de si, tendo como filosofia o cristianismo
que se demarca e incute no espírito dos homens e das mulheres o bem e o mal
como causadores de todos os estados e circunstancias. Porém,
devemos ter como principio que o cálice constitui o eu e todo o seu conteúdo deve ser esvaziado.
- Temos como exemplo um copo de água, em que o copo simboliza o eu
e a água o convencimento das nossas certezas, preconceitos e conceitos no entanto,
se estamos em constante metamorfose, devemos perceber que afinal não temos certezas nenhumas,
e tudo aquilo que pensamos e que conhecemos afinal, não conhecemos e não passa senão do reflexo do espelho.
Assim sendo, para adquirirmos o conhecimento devemos esvaziar o copo de água
e voltar a enche-lo com conhecimento, talhando dia após dia a pedra para o nosso aperfeiçoamento.

190

A Alquimia

Rosto escondido, voz suave silencia,
Ternura apregoada na madrugada,
Tenra a voz que oiço nesta melodia,
Permite tecer a noite num dia.

Depois; invade o coração com subtileza,
Demonstra nas suaves palavras o amor escondido,
E entretanto; acaricia a alma num tom afectuoso
E foge como um relâmpago perdido.

Ao entardecer... de novo volta a chamar a noite,
E nela sobrevoam as palavras lunáticas;
Escondida por de trás da lua que encobre.
E nela se escreve em tons iluminados o sentimento.

Por momentos...vejo-te dentro dos meus olhos,
E com a suavidade da alma sossegas o coração,
E com o decorrer das horas deslizas palavras sob o limbo,
E nele te aconchegas iluminada.

A lua espreita imersa e intensa sobre a janela,
No teu corpo se reflecte em círculo luminoso,
E incandescente te uno ao beijo do momento.
O abraço intenso chama...

E por momentos o silêncio paira,
O sorriso escondido esbate-se no espírito
E envolve suspirando
E foges...mas como sempre voltas ao anoitecer.

185

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