mari_80s_ana

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Amor ardente

Amor ardente é aquele
que deixa a alma maltratada,
Tortura com o silêncio
E o desprezo de não ser amada;

Quando tal paixão despertou,
Me acho incerta quanto ao tempo,
Mas ser capaz de a contemplar
Serve para o meu contentamento;

Não sei o que hei de esperar,
Se para mim tanto me dói mais
não poder a ele tocar;

Expresso-me pela agonia,
Essa que me tem quebrada,
De quem ama e jamais foi amada.
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Poemas

24

Pura imaginação

Era assim,
Como as borboletas
brotam do jardim,
Como a delicadeza
Da pele alva
se esconde sob cetim;

Era assim,
Sorria com rubor,
A bochecha corada
De vermelho escarlate,
O brilho das estrelas
No castanho chocolate;

Sim, os olhos,
Que iluminavam uma cidade,
Ai que belos olhos,
Que carregavam tanta vaidade;

Os lábios que tragavam
Num suspiro de saudade,
Um vulto que se movia,
Um toque de insanidade;

E era assim,
Como se quebrava uma alma
Num leito de escravidão,
Aquela doçura nas palavras
Não pertenciam a mim,
Jamais ao meu coração;

Era pura imaginação.

633

Em cinzas

O choque,
O duro sabor da realidade,
Gosto de maldade e desilusão,
Uma pedra dura que depressa
Rachou os fios do meu coração;

Em cinzas ele se ficou
Quando te vi lá no alto,
De vestes, segurando-lhe a mão,
Enternecido, olhando-a
Com tamanha devoção;

E eu olhava-te com pesar
Entre as luzes da boate,
Desviando ruborizada quando,
Por descuido, o meu castanho Encontrava o teu chocolate;

Como se não te fosse ver mais
Queimava-te com o olhar,
Sem saber, derreti-me,
Quando dei por mim a chorar
Uma única lágrima para te consolar;

Eras o mais formoso e galante,
Por momentos de incoerência,
Vidrada em ti, no teu molde, pensei
Que tantos suspiros roubaste
Por entre todas que passaste;

E num momento de fraqueza,
Lá deixei eu que me maltratasses,
Que me fizesses ser a única
Com dor de não poder em ti ver
O que desejei anos que me pertencesse,
Que lutei em silêncio
Para que nunca se soubesse,
E porquê?
Que tal injúria bateu à minha porta,
Que me trás ira, tristeza
Que me põe morta,
Que me faz capaz de te culpar
Pela vida assim o ser,
Mas tudo volta
Com um novo conectar de olhos,
Vago, frio, distante,
As relíquias que tanto estimei,
Que me fazem ter vontade
De agarrar no que sinto e
Jamais repetir que algum dia te amei.

531

O tempo não pára

O tempo não pára
Não nos deixa repousar
Afasta-nos da lua
E cega-nos ao luar
Empurra para o precipício
Fere a alma com um olhar
Ilude-nos com um sorriso
Que é fatal que vá matar
Rouba-nos a vida
Doma as belas mágoas
Cura as feridas
Das paixões arrastadas
Sabe mentir
Que nada cura no meu ser
Nada faz para me cegar
Nada faz para tirar de mim
Quem não pode ser meu jamais
E o tempo não pára
Mal sabe ele que não o quero parado
Não sabe ele o porquê de não parar
Não sei eu o porquê dele de mim não gostar.
737

Pobre alma lusitana

Pobre alma lusitana a minha
Cheia de fado e amargura,
Chamo Deus como quem bebe
E repousa na cova escura;+

Deixa que te olhe direito,
Os meus olhos já estão embargados,
Se eu pudesse pedir um desejo:
Que eu pereça e morra aos bocados;

Sob o teu sorriso de encantar
Ouvem-se as cantigas da manhã,
A madrugada hoje deitou-se cedo
Só para ti ela poder cantar;

Tão minha, tão somente minha,
Que sem eu saber não é,
Rendo-me a Deus, mas não a ti,
Meu anjo, como poderia?

770

Quanto Deus me deu

Quanto Deus me deu,
Olhar para te olhar,
O teu gesto tão singular
Que me tem cativa;

Entre pérolas e esmeraldas,
Entre sorriso e olhos cansados,
Entre ti, meu bem, minha alma,
Entre lágrimas e soluços agoniados;

Face pálida e deleitosa,
Lábios rosados tão belos
Que me perco de tão formosa;

Senhor leva a minha dor sofrida,
Só te peço que não leves os meus olhos
Para contemplar a minha inimiga.

634

De frente ao mar

Aqui me sento
De frente ao mar,
Não sabendo o que há de vir,
Não sabendo o que hei de esperar;

Dedilhando a areia,
Deixo-me levar por pensamentos,
Deixo-me molhar pela água,
Deixo que ela leve os meus tormentos;

E se o meu amor fosse tão bom
Quanto a formosura deste lugar?
E se o meu amor fosse alcançável
Quanto o medo que tenho de esperar?

A dor da incerteza é bem pesada,
Cuidarei do meu pássaro
Ou deixá-lo-ei voar?
Mal sabe ele que d'ele não espero nada.

622

Pelas entranhas do mar

Vejo uma fraca linha no horizonte,
Sussurros agoniados de ventos se ouvem,
Sente-se as gentes gritando poesia
Em meio ao inebriante cheiro a maresia;+

Consigo até imaginar o seu gesto,
O seu corpo esculpido banalmente,
Pelas entranhas do mar vejo
A minha esmeralda no meio desta gente;

O seu corpo balança ao som das ondas,
Numa dança envolvente que me cega,
O meu olhar de desejo reprimido
Culpa-me e entrega-me d'alma a ela;

Enfim, sua sombra se dissipou,
Resta-me contemplá-la no meu pensamento,
O mar agita-se bruscamente
Para dar ínicio a todo este tormento.

640

Padecer no Mundo

Minha alma despe-se
Com esta chuva que cai,
Relâmpagos e trovões,
Esta desgraça arruinai;

Foi Senhor que se revoltou
Com este mundo desconcertado,
Nesta manhã de pleno deserto,
Os vilões rezam por seu belo estado;

Quem tirou ao Mundo
A paz dos nossos corações,
Que seja sugado pela tormenta,
Que repousem nas chamas, seus ladrões;

Seja preto ou branco,
Gordo, alto ou de boa mente,
Ninguém pode fugir deste Mundo,
Só resta padecer nele descontente.

683

Tirai os meus olhos e o coração

De ti cansada estou,
Cansada estou de esperar por ti,
O meu descaso e cansaço
Vem da mágoa que já senti;

A paixão a ir-se pelas entranhas,
Chorando a minha alma
De servo inexperiente,
Enquanto espero por ti amargamente;

Passei a celeste madrugada
A contemplar aquilo que não é meu,
De jeito nenhum me pertence,
Tal amor que Senhor me deu;+

Rogai a Deus que peço:
Tirai os meus olhos e o coração,
Que para mim só o desprezo chega
Para acabar com esta sansão.

663

Quanta dor

Quanta dor não faz sentir,
Em cada fibra do meu jeito,
A dor da rejeição,
Essa que me fere o peito;

Orgulho ferido num leito desenhado,
Pingas do que te corre nas veias
Que caiem, piedosamente, em mim
Sob a sombra d'um gesto quebrado;

Vejo-me leda e formosa,
Tamanha é a minha fantasia,
Quantos dias eu não conto
Para sanar de mim tal agonia;

Some-te dos meus pensamentos,
Que de ti não quero que não me queiras,
Quem seria eu, meu anjo,
Se a ti não te quisesse?

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Comentários (4)

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miguel_damas

Muito prezo as tuas palavras miuda, não tens só beleza exterior, o que sai de ti é bem mais forte e bem notável. 17 anos e muita boa escrita :D Um Abraço

jw2018

Lindos poemas!

aliceholanda9

Suas palavras são verdadeiras e sinceras, consigo sentir quando algo é bom, mas isso é ótimo

Alberto de Castro

Tão jovem, tão bela e tão talentosa. São três ingrediente mágicos e incendiários. Parabens!