mariofrs

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Sobre mim estão escritos todos os ritmos do viver. Não sei o que sou, o que faço. Estou assim e este é o meu agora.

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Algo sobre a saudade

Saudade é o que se sente - lá - no escuro

quando a última luz se apaga triste.

Saudade é não ter algo que existe,

é sentir n'alma só, um vão murmuro.


Saudade é um perder-se só, consigo.

Saudade é um ir nu que não vai tudo

Porque fica por dentro, fica mudo.

Saudade é não ter-te cá, mas comigo.


Que sangre o arrebol das tardes findas

e jorrem do lembrar lágrimas frias;

É sinal de saudade que quer vindas.


E cante eu cá saudade, dor, lamento,

e cante tu, vontades de regresso,

Cantaremos nós, pois, os bons momentos.

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Poemas

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Algo sobre a saudade

Saudade é o que se sente - lá - no escuro

quando a última luz se apaga triste.

Saudade é não ter algo que existe,

é sentir n'alma só, um vão murmuro.


Saudade é um perder-se só, consigo.

Saudade é um ir nu que não vai tudo

Porque fica por dentro, fica mudo.

Saudade é não ter-te cá, mas comigo.


Que sangre o arrebol das tardes findas

e jorrem do lembrar lágrimas frias;

É sinal de saudade que quer vindas.


E cante eu cá saudade, dor, lamento,

e cante tu, vontades de regresso,

Cantaremos nós, pois, os bons momentos.

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Poema do Fim (Prelúdio)

Já se são dez do mês e já passam das quatro.

É abril.

É, abriu.


Eu bem quis, por teimoso que sou, segurar os ponteiros do relógio.

Mas são muitos relógios no mundo aflitos vomitando Tempo - o tempo todo -.

Eu bem quis, por berro, lástima e soluço, desistir da Ida.

Mas Dona Ida é um senhora certa, e, não fujo, Dona Ida me acertou.


Por que os homens grandes me diziam para o não fazer?

Eu preciso chorar!!!


Calado e só, na praia, não soube mais o que era lágrima ou o que era Mar.

Então, deitado n’areia triste à beira d’água,

eu bati o pé. Chão já não tinha.

Nada lá tinha.

Nada se não o sempre infindo horizonte.

Eu o olhei, vi que não tinha ninguém e o molhei.


O Sol azul de amar queimava-me.

Só o azul do Mar eu tinha.

Só o azul do Céu eu tinha.

Só o azul.

Só.


Não tinha amigos, não tinha Mãe, não tinha música,

Alunos não tinha, luar não tinha, paz também não.

Nada lá tinha.

Só eu.

Eu, só.

E o que sou eu?

Grão de areia ante o calçadão?!

Gota de lágrima emergida no oceano?

Sou eu esta lágrima viva que cai

Esta onda que levemente se desfaz na beira d’areia?

Ou sou mar, este todo?

Eu sou, quiçá, saudade, lembrar.

Sou uma casa escura em noite sem lua,

Há ali, sapos a cantar.

Quem eu sou não sei, não fui, não vi.

Sei que eis-me,

só,

eu,

cá.

Quem vai ouvir minha ensossa poesia

E minha voz rouca cantar?

Onde estão as pessoas?

Onde está o mundo?

Quem vai me ensinar?


Sou Palhaço medroso

E temo só estar

Quais mãos, braços e peitos irão me abraçar?

Amigos, caminho.

Vou sem nada rumo ao tudo que sonhei.

E sem nada, vou nadar.

Onde estão todos?


Sei que um dia vou querer ler Drummond,

Na pedra?

No Mar?

Onde?

Quem vai parar pra escutar

Um Palhaço apaixonado por letras,

Por gente, por Mar?


Muitas portas se fecham em Abril.

E quem sabe qual outra abrirá.

Será a dor certa? Ou é felicidade?

Eu não sei. Não sei. Mas vou.


Pra minha vitória ou derrota,

Pra pausa ou continuidade,

Não sei se estou morrendo de lembrança

ou vivendo de saudade.

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Poema do Fim (Prelúdio)

Já se são dez do mês e já passam das quatro.

É abril.

É, abriu.


Eu bem quis, por teimoso que sou, segurar os ponteiros do relógio.

Mas são muitos relógios no mundo aflitos vomitando Tempo - o tempo todo -.

Eu bem quis, por berro, lástima e soluço, desistir da Ida.

Mas Dona Ida é um senhora certa, e, não fujo, Dona Ida me acertou.


Por que os homens grandes me diziam para o não fazer?

Eu preciso chorar!!!


Calado e só, na praia, não soube mais o que era lágrima ou o que era Mar.

Então, deitado n’areia triste à beira d’água,

eu bati o pé. Chão já não tinha.

Nada lá tinha.

Nada se não o sempre infindo horizonte.

Eu o olhei, vi que não tinha ninguém e o molhei.


O Sol azul de amar queimava-me.

Só o azul do Mar eu tinha.

Só o azul do Céu eu tinha.

Só o azul.

Só.


Não tinha amigos, não tinha Mãe, não tinha música,

Alunos não tinha, luar não tinha, paz também não.

Nada lá tinha.

Só eu.

Eu, só.

E o que sou eu?

Grão de areia ante o calçadão?!

Gota de lágrima emergida no oceano?

Sou eu esta lágrima viva que cai

Esta onda que levemente se desfaz na beira d’areia?

Ou sou mar, este todo?

Eu sou, quiçá, saudade, lembrar.

Sou uma casa escura em noite sem lua,

Há ali, sapos a cantar.

Quem eu sou não sei, não fui, não vi.

Sei que eis-me,

só,

eu,

cá.

Quem vai ouvir minha ensossa poesia

E minha voz rouca cantar?

Onde estão as pessoas?

Onde está o mundo?

Quem vai me ensinar?


Sou Palhaço medroso

E temo só estar

Quais mãos, braços e peitos irão me abraçar?

Amigos, caminho.

Vou sem nada rumo ao tudo que sonhei.

E sem nada, vou nadar.

Onde estão todos?


Sei que um dia vou querer ler Drummond,

Na pedra?

No Mar?

Onde?

Quem vai parar pra escutar

Um Palhaço apaixonado por letras,

Por gente, por Mar?


Muitas portas se fecham em Abril.

E quem sabe qual outra abrirá.

Será a dor certa? Ou é felicidade?

Eu não sei. Não sei. Mas vou.


Pra minha vitória ou derrota,

Pra pausa ou continuidade,

Não sei se estou morrendo de lembrança

ou vivendo de saudade.

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À minha mãe

Quando suas mãos santas cobriram-lhe a fronte e seu rosto lindo de desfez em pranto, eu tive a certeza de que o minuto nosso último se subtraiu. Eu me decompus. Foi naquele momento em que seus olhos brilharam de pra sempre e suas vistas baixaram como nunca mais, que eu beirei em meio ao desalento desistir do voo, das nuvens e do todo grande sonho que, de ousado, eu criei. É que ter visto, minha mãe, seu olhar pr’aquele chão infindo em tom de luto, foi da minha vida toda o pior instante que vivi. Eu quis dizer, eu juro, das cousas que no fundo o meu coração sombrio esconde, mas que palavra soaria bem no momento em que filho e mãe se desprendem pela primeira ou derradeira vez? Beijei-lhe a testa porque, triste, eu não sabia o que dizer, então no íntimo frio que a dor tem eu parei, gritei por dentro um tanto quanto meio sem ar e chorei. Ah... eu chorei! Chorei-lhe o quanto pude esconder, mamãe, e cri dali que a vida me reservada era nua como a noite e incerta como o amanhã que pode não levantar-se ao sol das seis. Minha mais amada flor, eu parti como se parte um coração e uma parte de mim ficou, a outra o vento levou ao céu anil e transcodificou-se em pó de solidão. Agora, eu todo só que sou, me crio como se cria a fonte de um rio que gere lágrimas doces ao mar e me faço em versos para lhe dizer do amor que sinto e do amor que é (você). Minha rainha, neste dia em que minha voz sangra as cores da janela vidrada eu venho lhe dizer, a rastejar de lembrança e saudade, que lhe amo sem igual, ao tanto que não sei quanto, a todo que não sei tal. Te amo em estado incondicional.


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