Marta

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Frígia

Desta eterna intermitência, salvação desumana puramentesonhada.

Nada existe para lá. Para além do céu caiado de asilo,chovendo luz.

É livre e de algodão a criança que desce para dançar ecorrer no centeio, bebendo sol.

O Inverno já longe vai, mas por aqui se arrastou, Um Norte,vestido de branco sujo.

Branco Russo. Diamantes duros. Azzuis, prateados, pétreos,laminados.

Arranhou a terra e delapidou m-águas. Correu terras cerradasde frio.

Soprou do vento os Homens. Para cismar na solidão.

Limpou e desbordou rios, à procura de um reflexo,

Talvez da lua, ou só da noite?

O saber do gelo tem escarpas nas palavras,

mas uma teia de imortalidade tecida sobre os ossos.

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Poemas

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Frígia

Desta eterna intermitência, salvação desumana puramentesonhada.

Nada existe para lá. Para além do céu caiado de asilo,chovendo luz.

É livre e de algodão a criança que desce para dançar ecorrer no centeio, bebendo sol.

O Inverno já longe vai, mas por aqui se arrastou, Um Norte,vestido de branco sujo.

Branco Russo. Diamantes duros. Azzuis, prateados, pétreos,laminados.

Arranhou a terra e delapidou m-águas. Correu terras cerradasde frio.

Soprou do vento os Homens. Para cismar na solidão.

Limpou e desbordou rios, à procura de um reflexo,

Talvez da lua, ou só da noite?

O saber do gelo tem escarpas nas palavras,

mas uma teia de imortalidade tecida sobre os ossos.

239

As portas quando a guerra

Se Taltíbio tiver

Meio de organizar ruínas,

Sem queimar todo o reino vazio;

Os gritos são ossos brancos,

Desapercebidos entre a espuma,

De um mar de jano(eiro)

Que tem sempre duas faces,

Aquela onde a vida parte

E a outra onde o Sol,

Ilumina o silêncio]

 

224

Fragmento

Quantos mais paços incertos

Há ainda que dar]

Sem seduzir o abismo.

Há que ter chão para puxar.

Há cantos esconsos

E cantos esquecidos

Que já não sei entoar]

Há lá fora toda uma urgência

Angular e metálica

De me fazer ficar]

Onde não caibo, dou cabo…

Há vãos de tanta queda forçada!

E luta, e luta, encaminhada.

Organizar o espaço pesado,

De um cárcere vazio,

Pensar que daqui a lá, o ar

Sentiu]

214

Barométrico

Deâmbulo, vem o tempo perdido,

Na geometria imperscrutável da cidade,

Metafícios escavados à rocha inelutável

Das horas.

Preâmbulos de sonos eternos,

De um cansaço ancestral,

De trazer sobre os ombros escassos,

A desmesurada e atmosférica,

Mudança de tempo.
212

Segundo da vida de Ricardo Reis.

A compaixão do medo 
 É ninguém acordar morto, 
 E todos dormirmos, 
 sobre mistério e fins, 
 E se o tempo que passa
 ésobre os objectos 
 Teu pó: 
 Marcescendo, 
que seque comigo. 
 Não quero secar só
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