Lista de Poemas

O ENTARDECER ATEMPORAL

Infelizmente a tarde irá sucumbir, tendo uma calma efêmera,
onde o clímax desse ensejo será a luz infinita.
Pois há neste fulgor solar um fragmento que pulsa o meu canto,
Apresentando uma música com melodias de dor, e a decadência numa canção solene.

Mas, a conformidade do nosso ser, esvai-se e perde o seu contexto
Solicitando ao meu coração, um desdobramento de desejos,
e a solitude se faz a espreita; e a vida, essa sim, se quebranta com delicadeza
Fazendo com que as minhas mãos trêmulas contemplem o destino infindo.

O que resta-me a dizer, é que a tarde tornou-se uma eterna moribunda,
ao qual deverá falecer, espalhando mágoas profundas dum céu anil
Através do meu olhar, fazendo-se cálida em minhas mãos, e pacífica ao meu ego.

Enfim essa é uma tarde impiedosa — sem conter a luminância que almejei
Porém, como ficará o céu deste amanhã?
Triste eu diria fenecendo dentro de mim...

São Paulo - SP
02/07/2020.
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A ARTE DE OMITIR-SE

Conscientemente, o ato de se exonerar
Sempre sobrevirá de um estado que convém ao esgotamento. 
E somente o exílio, pode ser o refúgio para que esse revés possa ter uma ação retroativa 
Dando alguns instantes de calmaria em meio ao mal que lhe é provocado.

Por isto, é necessário ser franco 
Quando testemunhamos a execução dessa real situação, ante aos nossos olhos
Numa conformidade de fluidez.
E pode ser que esta casualidade, seja a única oportunidade de nos encontrarmos 
Entre tantos ideais colocados num requinte de consolo.

Possuímos um elo que é inquebrável,
Fazendo uma conexão com o que temos a pensar, sentir e observar 
Visto que é algo deslumbrante descobrir essas características, 
No entanto, quando isso se decai acerca da solidão, tomamos um choque deveras considerável 
Tendo alguns resquícios de dramaticidade no primeiro momento.

Desse modo, é preciso que essa sensação seja experimentada
Pois, é o contato mais íntimo no qual é atribuído as conceituais inverdades 
Apresentadas em raciocínios que culpa-nos de um estágio de introversão,
No intuito, de agravar uma ocorrência de recesso à frente de contratempos hiperbólicos
Entre uma alma aflita e a sua comoção arrebatadora.

E quando isso vier a ocorrer,
Será transcrito recomeços nobres, da qual trouxe frutos resilientes num contexto de perdição
Retirada da conveniência solitária de percepções singelas,
Encobertas por camadas de ódio e fel em circunstâncias de desesperança.

Em síntese este é o desfecho que deveríamos compreender,
Só que o tempo nos ensina, que é oportuno esse conhecimento ser usufruído gradualmente.
Afinal, nascemos e morreremos sós não é mesmo? 
E a condição irrefutável dessa pergunta, me traz a mente que fazemos isso todos os dias 
Uma vez que sobreviemos de uma constante mudança solene,
Através dos impasses que criamos.

São Paulo - SP
27/05/2020.



 

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EXPOSIÇÕES À HADES - PARTE II

O lugar aonde estamos está decadente,
Pois fomos liderados pela violência.
Mas, a seguridade não é algo primordial a ser priorizado?
Sim estoicamente, digo-lhes.
E do mesmo modo
Nos afogamos na ilusão desta solenidade,
Sem visar o constante aumento da opressão.


Uma vez que é esperado o local dos degenerados,
Ao âmbito da luz a fim de conter essa barbárie.

E Azazel sabe,
Que não haverá espaço para todos os bastardos desse plano.


Aconselho-vos a seguir os escritos divinos de um livro,
Eternizado por suas palavras.

Onde em um dos trechos premeditados,
Revela a aproximação dos dias maus.

E teremos que ser astutos
Quando este dia chegar.


Pois a cada momento, 
Observo que as mudanças terrenas são tangíveis.

Em plena decorrência do desabamento dos velhos costumes,
Colocando em destaque uma nova ordem.

Neste caso, não confie no alimento informativo 
Antes disso, persiga a libertação
Enquanto estiver trancado nessa prisão antilógica.

É decepcionante ver o rebanho caindo em mãos de tirânicos,
Na conformidade firmada
À medida que a juventude se esgota. 

Tendo um foco doentio atrelado ao dinheiro
Sendo a pauta do interesse oculto,
Para que isto seja unitário.


Dado que a realidade costuma estressar,
E o tempo estagna-se
Na hipocrisia de cada instante.

Relevando para si,
Que as promessas ditas num passado distante
Não irão evoluir ao seu cumprimento.


E é perceptível que a luz
Não vigora em todas as criações.

Deixando-as no escuro abismal
Indigentes e sem casta.

RELATOS PSICOGRÁFICOS

São Paulo - SP
08/08/2020.
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EXPURGOS VULNERÁVEIS

É nítido que a nobreza de se viver é destinada a exaustão
Sendo o estado melancólico,
Aliado nesta empreitada repleta de indecisões.
Por certos motivos, sem particularidades inerentes
Isolando a excentricidade num viés incisivo
Ampliando a notoriedade dos fatores atípicos.

Sucedendo as emoções,
A uma abstinência das características inconcretas
Complementando-se acerca de devastações deliberantes.
Ao longo de meios transversais,
O qual se opõe dentre os seus benefícios difusos
Salientando a imprecisão decorrente,
Dum esclarecimento pautado na desordem impactante.

Mesmo que a sensitividade finita 
Se conduza numa incongruência dissonante.

Juntando aparências solúveis,
Sobre os métodos perspicazes reunidos.
Já que a universalidade é redutível,
Por intermédio dos períodos propagados pelas inabilidades.

Que idealiza-se supostamente,
Perante a exuberância regrada
Em um ímpeto de rebeldia.
No qual, os sentimentos mais febris
Se amenizam sob uma custódia subjetiva.

Onde estas condições formulam,
Novos marcos e metas
A qual tornam-se imprescindíveis,
Acima de um ônus já esperado.

Carregando as experiências advindas dos bons e maus momentos,
No encalço das alternativas optativas
Outorgando dilemas paradoxais,
A fim de provar a credulidade dos fenômenos inscientes.

Pois seccionar a epiderme vital da consciência
É confrontar os próprios interesses esdrúxulos,
Delegando a predominância do desconhecimento
A sua abstração explícita.

São Paulo - SP
27/05/2020.

3 656

O CERNE INTELIGÍVEL

Há uma confidência que paira sobre a espiriualidade
Mas esse sigilo não é complexo de se localizar.
Pois depara-se num ponto objetivo que expressa a sua vocação
Sendo representada na simplicidade
A qual aflora o seu espectro etéreo.

Onde a entrega é o gatilho necessário para que este ato ocorra
Portanto, isso se resume na disponibilidade.
Recebendo com vigor o chamado que foi-lhe expedido
Deixando o mentalismo em segundo plano,
E agindo conforme a interioridade exige.

Já que o acúmulo de pensamentos e anseios,
Sufoca o espírito que reside em ti
Privando a desenvoltura singular que te faz existir,
Tornando-se submetido a subsistência terrena.
Então se livre disso!
E escute os apelos intuitivos
Clamando por acolhida a cada instante.

Sendo assim, observe que isto não cabe dentro de si
E a totalidade das preocupações que residem na sua consciência
São laços mortíferos que ocupam a sua mente em troca de ilusões.
Que impede a sua caminhada e afasta a sua luz espontânea,
Consumindo a fonte energética habitada na sua gênese.

Por isso, não compactue com o detrimento exterior
Não olhe para fora e veja pensamentos terciários como uma fonte idealista
Que resolverá os seus enigmas ocultos pelo estímulo da presunção.
Aparte-se da aparência!
E se atente a essência que representa a sua imagem
Haja vista que este é o compartimento primordial ao qual basta em sua vida.

Se espelhe na sua consciência interior e nela encontrará abrigo
Tranquilize os períodos de furor em meio a harmonia que a intuição te traz,
E desta forma obterá o equilíbrio dentre os desmazelos.
Se contente com a franqueza o qual geriu a tua existência
E quebre as máscaras custosas que cobrem o teu rosto,
Numa ação de revolta.

Volte-se para as primícias e as aceite,
Expelindo o ego mental
E os acréscimos fúteis da externalidade.
Deixando a essencialidade fluir
Intuindo o regresso das vibrações,
Canalizando esta sintonia ao momento presente.

São Paulo - SP

28/08/2020.

3 507

A SINGELA PRECE

Humilho-me ao desconhecido,
Pedindo a um Ser superior, graça e perdão
Entre todos os conceitos já indeferidos, que se ocultam a cada aspecto da minh'alma errante
As incoerências dessa vida levam-me a acreditar de que tudo é vaidade,
E uma superficial corrida atrás do vento,
Onde as perspectivas se tornam nulas no leito mortal.


Contudo, prossigo nesta prece mesmo sem merecer compreensão em troca,
Pois é a partir da insistência que o milagre poderá surgir
Mas, a quem devo recorrer?
Qual o modo de conduta que posso reunir nessa petição?
Somente devo reaprender com as experiências das minhas incoerências.

Concebendo o brilho de uma luz iniciante, que ainda traz consigo traços de exaustão
E ouvirei uma voz amena que acalmará o meu coração,
Num acaso inesperado, que outrora me trará regozijo e a recapitulação dos embates enfrentados
Sendo esta uma forma vitoriosa de me tornar vencedor em meio a tantas derrotas.

O qual deve ser comemorada,
Tornando-se o preço, de um guerreiro abatido
Que não desistiu da sua grande luta interior;
E apenas se reergueu a cada passo infalso,
Fortificando-se sobre a essência de seus objetivos.

São Paulo - SP
07/02/2020.
11 134

INSANIDADE LEVIANA

Salientar o seu fascínio em um nuance minucioso,
É a necessidade que eu tenho, de expressar-lhe um aspecto sensitivo de emoções
Que eu meramente obtive quando trocávamos diálogos intensos.
Já que a sua fisionomia misteriosa e calculista fez-me despertar,
Certos tipos de curiosidades finitas

Pois tudo isso poderia ser somente uma porta de entrada ao seu coração imenso,
O qual transporta o seu amor fidedigno.

Dentro de características únicas e singulares,
Que deixa os meus dilemas estritamente cativados;
No qual as suas curvas e adeptos exteriores,
Transcreveram a percualiaridade do que ela tem a oferecer

Dentre todas as suas qualidades ocultas,
Que não são demonstradas de modo primordial.


Sendo sistematicamente diluída junto à camadas
Transformando os seus atos,
Numa definição fatídica que já se encontrava em pauta.

Através da intenção de gerar conexões únicas entre os nossos lábios,
Adequando-se apenas a uma diversão aparente do seu convívio habitual.

Talvez, a sua experiência notória como dona de si
Torna-lhe um elemento fugaz e derradeiro.

Atribuindo as suas feições, 
A fim de suprir as suas necessidades devassas

Levando os seus pretendentes a uma aparência de inferioridade.
Onde ela controla os instintos mais vorazes de seus enamorados
Domando-os numa sujeição leviana.

Creio eu, que estou sendo condicionado a essa perspicácia em forma de dama
Entretanto, condiciono-me a aproveitar estes momentos de perversidade exclusiva
Tendo a sua versão característica
Revelando-me, uma condição obtida 
Pelo olhar cirúrgico de seu rosto inexpressivo e misterioso.


Mantendo o calor do seu corpo ao meu,
Do qual os nossos beijos se tornam o fetiche mais convicto,
Atrelado a esse prazer ardente.

Sendo que omitimos os trejeitos conceituais que nos formam,
Como um complexo bastante desconexo de se resolver.

Que é unicamente solucionado,
Quando os nossos corpos entram num êxtase perfeito
De lascívia e paixão incontrolável.


São Paulo - SP
02/07/2020.
13 837

A OBRA SEM CONCLUSÃO

Começo a reunir blocos e a argamassa para concretizar a construção dos meus ideais,
Mas, o destino permeia formas e métodos para que a sua demolição seja feita.
Para que os tijolos destinados a sua constituição sejam desfeitos,
Levando-se o sonho que tanto almejei tê-lo, por um momento.

Por entre vigas e hastes de sustentação,
Pensamentos e ideias se vão, sem nexo ou direção.
Encontrando-se afoitas em meio a falhas solitárias
E fissuras que evidentemente foram causadas, por tristezas deliberadas.

Poderia o presente arruinar a empreitada que encontra-se logo a frente?
Isto não poderei explicar pois as ruínas continuam intactas
Porém, sem alguma efetividade de reforma.

O que me resta é aguardar a conclusão dessa obra,
E poder ter uma convicção de que a eficácia existiu ou não.
Assim o marasmo continuará e as definições apresentadas não serão respondidas, 
Encarregando-se ao futuro de me sanar essas dúvidas, e calar a minha insensatez.

São Paulo - SP
01/02/2020.
10 993

TRANSCRIÇÃO EM DECLÍNIO

Na solenidade das questões transpassadas, 
Observo que a pressão não faz parte desse querer
Fazendo com que a tranquilidade,
Faça uma morada digna, em cada passo de falsidade
Deixando a eloquência do desprendimento
Dissolver as obsessões maquiavélicas.

Uma vez que efetivou-se em costumes
Sem um porquê seguro de evolução,
Encaminhando ao tempo, as devidas correções dessas qualificações irreais
Ao qual foi criada a fim de sustentar um convívio mínino
Sobre a integralidade e a pendência da autossuficiência.

Agora compreendo as sustentações, 
Que contradizem os planejamentos constituídos diante do futuro
Já que o presente é incerto,
E nos faz aguardar com esperança, os reflexos provisórios
No qual pode mudar a qualquer instante.
Sem temer o medo, que rodeia o seu âmbito indecifrável
Deliberando diversas ações atuadas;
No decorrer da mistificação arbitrária deste tempo devidamente fugaz.

Fazendo com que, a ilusão permaneça como um haste central de letargia
Defronte aos conteúdos apresentados para minimizar os estragos obtidos
Acima dos erros cometidos, numa escala de perfeição mal vista
Em meio, as vistas vãs calejadas por aspectos mistos
Que se dinamiza na construção leviana
Acerca da ingratidão entre a conformidade dos períodos pretendidos.

Levando-me a crer, que estou escrevendo apenas fatos distorcidos
Para adquirir as possíveis tentativas tangíveis de aproximação ao desconhecido
Que aparenta ter requisitos discursivos
A qual desempenha as suas lições,
Fomentando os pilares sintéticos da alma omissa
Através dos pesadelos encantadores do qual atribui fascínio,
Nos delírios místicos dessas relações de pessoalidade.

O qual fez emitir,
Um desfecho impreciso de cordialidade
Para retransmitir um clamor de urgência,
Por meio das agremiações restantes;
Durante esta convivência repleta de devaneios inconclusivos.

São Paulo -SP
20/11/2019.
11 623

PRESSÕES DIRECIONADAS AO PRISMA

Olhares fulminantes dirigem-se para mim, diante do espelho
Observando o fundo da minh'alma,
O transformando como o último acontecimento desse instante
E o seu viés, 
É somente a adequação daquilo está acumulado em sentimentos.
A visão pautada nesse exato momento, intensifica o ódio
E a exteriorização característica neste olhar traz à tona, o sofrimento enjaulado há muito tempo.
 
No qual o corpo
Persiste somente para a sobrevivência ante aos dias que se sucede,
Fortalecendo a sua diretriz sofrível.
Fazendo com que isso seja uma perturbação rotineira
Trazendo dores e medo, constantemente 
Sem ter um porquê convicto.

Restando apenas a irresolução, 
De um caso distorcido pelos próprios pensamentos
Atraídos pela retina infame instaurada neste olhar ao espelho.

Enfim, irei me conter
Vou apenas repelir essa volatilidade que está me sufocando.
Tentando apelar a esses versos tímidos, 
O qual poucos irão ler de fato elevando o entendimento para si mesmos.

Não quero trazer contextos supérfluos 
Mas, o que me sobra neste tempo num formato compreensível
Que talvez, 
É o suspiro de mais uma dia que me sobrevém
Num alarde contínuo de caos e temeridade.
 
-M.Dantas-
21/08/2021.
2 070

Comentários (11)

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MiCeu Freitas

Com tanta normalidade anormal ser-se divergente é uma virtude.

Dantas

Agradecido que tenha gostado!

Karina Manchur

Belas poesias, muito originais e descrevem sua essência, parabéns!

matheusdantas

Caramba assim fico sem reação! Agradeço muito pelo teu comentário, e não só por isso! Mas também pelo seu carinho e afago, que do seu modo tão singular são aconchegantes ao modo mais extremo que eu posso imaginar. Muito obrigado, mesmo!

matheusdantas

Fico agradecido que tenha gostado, muito obrigado!

Não tenho muito para dizer. Só sei, que as vanglórias nunca fizeram parte da minha essencialidade e convivo com a dor da mudança árdua e os conflitos intensos dentro de mim. Para conceber um ato de insanidade em meio a solidão.


Criado no ambiente urbano da metrópole paulistana, sou considerado um membro divergente em meio a normalidade que me cerca. Atualmente, sigo rumos alternativos para ter diversas experiências e contemplações diante dos aspectos vivenciáveis que essa existência me proporciona. E não sei ao certo, se isso irá me destinar novas ações e concepções ante a cada dilema e erro que cometi. Entretanto, prossigo na sombra sem ter a confiança íntima no que nisso pode resultar no final.
matheusdantasilva255@gmail.com