Tempo estranho este que põe a nu o lado obscuro da vida Pendurados por um fio de teia de aranha Onde a única coisa que sabes ao certo É que nasceste Passem os anos depressa não tenho medo de envelhecer Antes anos vividos alegremente que estar morto sem morrer
Irreverente, independente, responsável e sempre aberta a novos desafios, sou o que sou.
Nasci de dois seres maravilhosos, meus pais, que tudo fizeram para que a minha vida fosse uma vida alegre, responsável e sobretudo com visão de futuro, projectando deste modo no presente sempre para o futuro.
Com uma infância vivida numa quinta maravilhosa, num local, também ele maravilhoso (entre dois bairros “os Prazeres e a Preguiça”) fui uma criança feliz e livre e com muito espaço para me expandir com os meus irmãos em todo o terreno subjacente à casa de dois pisos edificada no meio da quinta.
Como curiosa, que sempre fui, e sempre com vontade e sede do saber e de novos horizontes, tive o privilégio de conhecer pessoas ligadas às artes e à escrita, (o que também já fazia a título privado -pequenos versos e prosas), que me proporcionaram escritos em livros publicados, na base de homenagens feitas a pintores (Amadeu de Souza Cardoso, por exemplo).
Tempo estranho este que põe a nu o lado obscuro da vida Pendurados por um fio de teia de aranha Onde a única coisa que sabes ao certo É que nasceste Passem os anos depressa não tenho medo de envelhecer Antes anos vividos alegremente que estar morto sem morrer
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RITUAL
Uma hora Após uma hora Um cálice de vinho fresco Um petisco Uma série televisiva Sem amarras Nua Após oito horas Dormir Acordar Conduzir Fardar Trabalhar Uma hora Após uma hora Uma bebida fresca Um petisco Uma série televisiva Sem amarras Muito importante Sem amarras Livre Nua Dormir
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PARA QUÊ,? MULHER
Para quê? mulher Uma vida inteira a trabalhar E dos outros sempre a tratar Para quê? mulher A capacidade enorme, de poucos, de todos os dias, e dia a dia, conseguir coordenar e organizar para que nada pudesse falhar Para quê? mulher Anos passados a trabalhar E, em casa, a perfeita fada do lar Do marido e filhos sempre a cuidar Para quê? mulher Para ao fim de tantos anos te cansares? de tanto, sozinha, teres que lutar e a tua cabeça conseguires arruinar Para quê? mulher Para ficares sujeita e esperar pelo que te querem e/ou podem dar? Para quê? mulher levar anos de luta para se cansar enquanto os outros estão a gozar e quem durante anos e anos cuidaste em pouco tempo se sente a desgastar e outros ainda, no meio do "mar" te deixam naufragar sabendo de antemão que tu, mulher nunca na vida aprendeste a nadar Para quê? MULHER, para quê?
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cansei de burrice
Esqueci e fiquei vulnerável aqueles para quem a dignidade está no seu estatuto social, na sua conta bancária, nas suas relações sociais, na sua futilidade, na sua prisão de ventre mental e não na verdade e no conhecimento, tornando-se deste modo, um medíocre um desgraçado zé ninguém preso na sua solidão, fechado, agarrado ao estirador, preso num colete de forças, aquele que, sempre bom na acumulação e no dispêndio, só sabe sorver e apanhar, mas incapaz de criar, de progredir ou gerar algo de novo, de dar, servindo-se sempre do bom que os outros lhe oferecem numa bandeja de prata, porque a atitude básica do seu corpo é a da retenção e despeito, entrando em pânico cada vez que sente os impulsos primordiais do amor e da dádiva; aquele que vive na sua prisão de ventre mental, onde a sua própria obscenidade o assusta, tendo sempre de ver a verdade num espelho onde não possa chegar; aquele que tem medo do amor genuíno, da responsabilidade, do conhecimento, explorando o amor, o trabalho, o conhecimento do outro, aquele que é incapaz de encarar quando acusa de imoral, porque sabe qual deles é o imoral, o obsceno, o pornográfico, aquele que “incapaz” de dizer uma asneira, não entende o outro quando este afirma que não gosta de anedotas nem de linguagem pornográfica ou obscena sobre amor ou sexo, aquele que não sabe o que é o verdadeiro amor, o verdadeiro sexo, o bom sexo, onde a vertente carnal é sempre acompanhada da vertente espiritual e da SUPERIORIDADE INTLECTUAL
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Esquecimento fatal
ESQUECIMENTO FATAL
ESQUECI O ZÉ NINGUÉM E SUA PRISÃO DE VENTRE MENTAL. Desacreditada, tinha deixado de confiar, distraí-me e voltei a acreditar, ou talvez por necessidade disso mesmo. ACREDITAR… e esqueci....
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HORA DO DIABO
"O PRINCÍPIO DA CIÊNCIA É SABERMOS QUE IGNORAMOS O MUNDO, QUE É ONDE ESTAMOS A CARNE QUE É O QUE SOMOS O DIABO QUE É O QUE DESEJAMOS ESSES TRÊS, NA HORA ALTA NOS MATARAM O MESTRE QUE ESTIVEMOS PARA SER"
Fernando Pessoa - "A hora do diabo"
157
A HORA DO DIABO
»Não se assuste,porém, porque eu sou realmente o diabo, e por isso não faço mal. Certos imitadores meus, na terra...são perigosos... porque não conhecem a minha maneira de ser" Fernando Pessoa in "A Hora do Diabo"
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HIATO
"HÁ UM HIATO DE TEMPO QUE O PRÓPRIO TEMPO NÃO CONTROLA "
470
TEDIO
Um dia sem bom dia não é dia Um dia com chuva não é dia Umdia em casa não é dia Mudemos o dia... SOLTAR A FRANGA FUI
43
TEDIO
Um dia sem bom dia não é dia Um dia com chuva não é dia Umdia em casa não é dia Mudemos o dia... SOLTAR A FRANGA FUI