MiCeu Freitas

MiCeu Freitas

n. 1959 PT PT

Eterno aprendiz

n. 1959-05-11, Vila Real de Trás os Montes

Perfil
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o devir

Tempo estranho este
que põe a nu o lado obscuro da vida
Pendurados por um fio de teia de aranha
Onde a única coisa que sabes ao certo
É que nasceste
Passem os anos depressa
não tenho medo de envelhecer
Antes anos vividos alegremente
que estar morto sem morrer
Ler poema completo
Biografia
Irreverente, independente, responsável e sempre aberta a novos desafios, sou o que sou.

            Nasci de dois seres maravilhosos, meus pais, que tudo fizeram para que a minha vida fosse uma vida alegre, responsável e sobretudo com visão de futuro, projectando deste modo no presente sempre para o futuro.

            Com uma infância vivida numa quinta maravilhosa, num local, também ele maravilhoso (entre dois bairros “os Prazeres e a Preguiça”) fui uma criança feliz e livre e com muito espaço para me expandir com os meus irmãos em todo o terreno subjacente à casa de dois pisos edificada no meio da quinta.

Como curiosa, que sempre fui, e sempre com vontade e sede do saber e de novos horizontes, tive o privilégio de conhecer pessoas ligadas às artes e à escrita, (o que também já fazia a título privado -pequenos versos e prosas), que me proporcionaram escritos em livros publicados, na base de homenagens feitas a pintores (Amadeu de Souza Cardoso, por exemplo).

Poemas

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o devir

Tempo estranho este
que põe a nu o lado obscuro da vida
Pendurados por um fio de teia de aranha
Onde a única coisa que sabes ao certo
É que nasceste
Passem os anos depressa
não tenho medo de envelhecer
Antes anos vividos alegremente
que estar morto sem morrer
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RITUAL

Uma hora 
Após uma hora
Um cálice de vinho fresco
Um petisco
Uma série televisiva
Sem amarras
Nua
Após oito horas
Dormir
Acordar
Conduzir
Fardar
Trabalhar
Uma hora
Após uma hora
Uma bebida fresca
Um petisco
Uma série televisiva
Sem amarras
Muito importante
Sem amarras
Livre
Nua
Dormir
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PARA QUÊ,? MULHER

Para quê? mulher
Uma vida inteira a trabalhar
E dos outros sempre a tratar
Para quê? mulher
A capacidade enorme, de poucos,
de todos os dias,  e dia a dia,
conseguir coordenar e organizar 
para que nada pudesse falhar
Para quê? mulher
Anos passados a trabalhar
E, em casa, a perfeita fada do lar
Do marido e filhos sempre a cuidar
Para quê? mulher
Para ao fim de tantos anos te cansares?
de tanto, sozinha, teres que lutar
e a tua cabeça conseguires arruinar
Para quê? mulher
Para ficares sujeita e esperar
pelo que te querem e/ou podem dar?
Para quê? mulher
levar anos de luta para se cansar
enquanto os outros estão a gozar
e quem durante anos e anos cuidaste
em pouco tempo se sente a desgastar
e outros ainda, no meio do "mar" te deixam naufragar
sabendo de antemão que tu, mulher
nunca na vida aprendeste a nadar
Para quê? MULHER, para quê?

 
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cansei de burrice


Esqueci e fiquei vulnerável aqueles
para quem a dignidade está no seu estatuto social,
na sua conta bancária, nas suas relações sociais,
na sua futilidade,
na sua prisão de ventre mental
e não na verdade e no conhecimento,
tornando-se deste modo, um medíocre
um desgraçado zé ninguém preso na sua solidão,
fechado, agarrado ao estirador,
preso num colete de forças,
aquele que, sempre bom na acumulação e no dispêndio,
só sabe sorver e apanhar,
mas incapaz de criar, de progredir
ou gerar algo de novo, de dar,
servindo-se sempre do bom
que os outros lhe oferecem numa bandeja de prata,
porque a atitude básica do seu corpo é a da retenção e despeito,
entrando em pânico cada vez que sente
os impulsos primordiais do amor e da dádiva;
aquele que vive na sua prisão de ventre mental,
onde a sua própria obscenidade o assusta,
tendo sempre de ver a verdade
num espelho onde não possa chegar;
aquele que tem medo do amor genuíno,
da responsabilidade, do conhecimento,
explorando o amor, o trabalho,
o conhecimento do outro,
aquele que é incapaz de encarar
quando acusa de imoral,
porque sabe qual deles é o imoral,
o obsceno, o pornográfico,
aquele que “incapaz” de dizer uma asneira,
não entende o outro
quando este afirma que não gosta
de anedotas nem de linguagem pornográfica
ou obscena sobre amor ou sexo,
aquele que não sabe o que é o verdadeiro amor,
o verdadeiro sexo, o bom sexo,
onde a vertente carnal
é sempre acompanhada da vertente espiritual
e da SUPERIORIDADE INTLECTUAL
95

Esquecimento fatal

ESQUECIMENTO FATAL

ESQUECI O ZÉ NINGUÉM E SUA PRISÃO DE VENTRE MENTAL.
Desacreditada, tinha deixado de confiar,
distraí-me e voltei a acreditar,
ou talvez por necessidade disso mesmo.
ACREDITAR…
e esqueci....
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HORA DO DIABO

"O PRINCÍPIO DA CIÊNCIA
É SABERMOS QUE IGNORAMOS
O MUNDO, QUE É ONDE ESTAMOS
A CARNE QUE É O QUE SOMOS
O DIABO QUE É O QUE DESEJAMOS
ESSES TRÊS, NA HORA ALTA
NOS MATARAM O MESTRE
QUE ESTIVEMOS PARA SER"

Fernando Pessoa - "A hora do diabo"
157

A HORA DO DIABO

»Não se assuste,porém,
porque eu sou realmente o diabo,
e por isso não faço mal.
Certos imitadores meus,
na terra...são perigosos...
porque não conhecem a minha maneira de ser"
Fernando Pessoa in "A Hora do Diabo"
111

HIATO

"HÁ UM HIATO DE TEMPO
QUE O PRÓPRIO TEMPO NÃO CONTROLA "
470

TEDIO

Um dia sem bom dia não é dia
Um dia com chuva não é dia
Umdia em casa não é dia
Mudemos o dia...
SOLTAR A FRANGA
FUI
43

TEDIO

Um dia sem bom dia não é dia
Um dia com chuva não é dia
Umdia em casa não é dia
Mudemos o dia...
SOLTAR A FRANGA
FUI
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Comentários (1)

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Olá...me sinto maravilhado com sua vida-vivida.abraços.