Toca na pedra
Criaturas leporinas a roer os seus dias,Nuvens altas no céu trancadas por chaves geométricasDeslizam em suaves tempestades refrigeradas.
íris castanhas em apêndices filamentosos pretos, brancos e marronsIndagam-se como pode as nuvens tomarem diversas formas,Sem serem eternas dia após dia.
Anjos cálidos com mãos nos rostosEscondem mandibulas equinasEnquanto riem de forma fenomenal.
De um granito uma voz reza :" Irmãos de Pinóquio deixem de enganar os desesperadosNão os ensine que a razão sobressai sempre Pois fomos entregues a loucuras produzidas !"
Enquanto isto um arfar humano corre pela florestaChega ao átrio em passos cadentes e charmososUma mulher, de cabelos multicoloridosDizendo que a carta do louco do baralho fala de uma forma diferente,Lapidando em versos transversais os ecos sinfônicos.
VG
Verbo cambaleante tentando apalpar
as luzes adormecidas,
frias e acrofóbicas.
Sintaxe desconexa
toma licor
em um canto desencarnado;
toda beleza esvaiu-se.
Barba ruiva entre blocos pesados,
olhos aparentes
a verem a translucidez,
enquanto o barro vermelho geme de amor pelo céu descortinado.
Amarelinha ( jogo infantil )
A frustração de não segurar o tempo entre os dedos
equivale a falarmos sem enxergar as cores;
O hálito de Deus é azul e a baba dos loucos são bolhinhas que as crianças estouram
rindo, gargalhando e tentando furar os olhos dos amiguinhos,
Nem todos veem o sangue adocicado e tão cheiroso escorrendo nos labirintos endurecido e cimentados.
Estamos doentes pois comemos nossos corações e fígados em banquetes afrodisíacos com outros outrora sadios como nós,
chamamos a prestar conta a nossa majestade, VITAE, desdenhosamente chega e em dentes apertadinhos,
como apertado é a paixão e grita para nos constranger...
- Non exiguum temporis habemus, sed multum perdimus !
A professora nos chama,
guardo meu lenço ensopado de choro e fétido como viúvas anelídeas,
olhos vermelhos e tristes...
... meus coleguinhas imitam seus pais... (seus mundos já são cinzas).
gritos de adultos dilaceram suas próprias artérias
seus olhos lupinos nos engolem e não nos digerem
eles tem medo de ficar sem sustentação.
Amanhece
Desponta no horizonte morno mais um dia,
Ele esconde no céu de sua boca
as cores quentes,
dilacerantes,
inquietantes.
Traz o passado como um futuro já vivido,
as danças ,
os bons dias,
os beijos...
... rituais adormecidos no escuro
despertam como estivessem realmente descansados.
Entre tantas coisas
Estou a pensar sobre definições de algumas palavras...
Posso não conseguir definir algo e dizer que a sinto ?
Como posso sentir algo que não sei o que é ?
Um dia qualquer
Fera cinza
Escondida;
Seus olhos
Castanhos,
à espreita de
Sentimentos .
Pastam em sombras
Frias
As manadas
Elegantes.
A realidade fartou-se,
Regurgita o que não foi digerido,
Seu gemido e risos
Mesclaram-se.
Pertubadas ;
Manadas confusas
Disparam.
União desfarelada.
Fera cinza;
Revelada
Em dentes brancos,
Fluidos bucais vermelho-anteriormente-vivo
à escorrer em sua alegria.
Sombras frias
Ausência de manadas
Realidade trancada
Em corrente de falácia.
Chapéu moderno
Um chapéu decolou
de uma cabeça não-pensante;
Fez tremer folhas,
Desestabilizou uma acrobacia
de uma libélula.
Uma cabeça não-pensante
Desestabilizou,
Fez tremer a história
escondida debaixo de um chapéu.
Janelas
Aberta,
Vultos caminham com o mundo em suas costas,
Brisa irritadiça faz balançar a saia estampada
de alguém perfumada e encantada;
Tijolos vermelhos e aparentes
camuflam todo pensamento em ebulição.
Senhoras a pensar no que perderam com o passar do tempo,
enquanto,
lustram seus móveis mudos e envernizados,
como mudo e envernizados são os nossas convenções sociais !!!!
Uma criança corre, de boca avermelhada,
O dia nem começa e o tilintar dos estômagos vazios,
saboreiam um descarte.
Filhos de Adão preso em algum Centro de Educação Infantil,
Esperando...
Taciturno chega das vistas ensolaradas,
ouve sem interesse algum o tradicional : Tudo bem?, Bom dia, Como está ?
Se chega de um final qualquer lhe perguntam : Como foi seu fim de semana ?
Ah !!! Seres febris, vermes pantanosos e indiscreto procuram
uma essência para devorar.
Da porta de vidro,
Ver-se os filhos de Caim,
Alimentando, com devoção, os filhos de Adão.
Sete Horas
Casas abrem suas bocas.
Mundos saem apressados
carregando nuvens
&
pontos cintilantes.
Poluentes dos autocarros
corroem as manhãs
que estão doentes .
Palavras indefinidas
passeiam,
próximo ao jardim apartado da Majestade.
Uma árvore de nome Religião
sacia sua sede,
produz flores de todos adjetivos,
suas raízes são canibais,
em sua garganta espinhosa
há sangue das eras,
mentiras profusas...
Todos a admiram enquanto o orvalho fenece. - em Todas esquinas