No fim
Estamos distantes,
Separados
Como cacos de vidro no chão,
Quebrados
E não há mãos que os junte,
Intocáveis
Machucam quem se aproxima,
Desagradáveis
No meio
Em meio a um uivar,
Corações unidos
Na luz do luar,
Nós nos amando despidos
No início
Minha cabeça dói
Minhas pernas fraquejam
Meu coração se corrói
Seus lábios me beijam
Pessoas ou coisas?
Somos mercadoria,
E não falo de tráfico de gente
Falo de vender nossa força
Para esse mundo indigente.
Somos carne morta
Movidos pelo despertador
Em pleno horário de verão
Indo em direção ao matador.
Somos almas vazias
Pensando e fazendo sob o que nos dão,
Sem pensar duas vezes
Na real razão.
Somos meros plebeus
Que trabalham em prol da burguesia
Que não ligam para nós
A não ser que sejamos mercadoria.
Tudo que fazes
Tuas lágrimas me situam,
Tua gargalhada me desperta,
Teus risos me acomodam.
Teu choro me aperta.
Tudo que fazes estás interligado a mim.
Hora extra
Eu sempre tudo fiz,
Na intenção de te agradar.
Mas nada foi o bastante,
Então resolvi mudar.
Estou farto de você,
De não ser o suficiente.
Então eu te troco,
Após o expediente.
Eu estou aqui
Obs: Leia ouvindo Crossfire - Stephen.
E você está deitada
Com pensamentos maldosos na cabeça
O peito a mil
A ilusão te enfeitiçando
Eu ao seu lado
Impossibilitada de ajudar
Apenas vendo você
Suas lágrimas derramar
Isso não dói apenas em você
Veja isso
Fale comigo
O passo mais difícil é aceitar que não está sozinha
E que precisa de um salvador
Eu não falo de Deus,
Não vim para pregar
Pode ser uma mão qualquer
Mas que venha para ajudar.
E nós estamos aqui
Mesmo sendo todos invisíveis
Mas quero que nos veja
Ou apenas a mim, meu amor
Não se faça de cega
Eu sei que pode me ver.
Não se deixe mais ser ludibriada
Porque se viemos aqui para matar, roubar e destruir, Estamos fazendo um bom papel
Mas isso não deve ser feito com as pessoas que amamos
Então me veja
Me enxergue
Eu estou aqui
Contigo
E continuamos vivas até hoje.
Um veneninho a mais não muda nada,
nesse mundo de impurezas.
Abra os olhos na posição que está
E veja esse lindo céu azul
que morre junto conosco,
Com a destrução humana.
Esse mundo de monstros não nos merece
Mas temos que ficar firmes
E nos mostrar fortes
Porque não estamos bem,
Afundamos mais a cada dia
Pois essa areia movediça é feita dos nossoa piores pecados
E por pior que pareça,
Eu não quero ser perdoada, pura
Se isso é o que nos faz ficar juntos.
Agora olhe para mim
Pois eu sei que me vê
E sabe o que sinto.
Aperte minha mão,
E me deixe compreender você
Pois a parte mais difícil já foi feita
e agora podemos sair em busca da felicidade.
Crescer?
Emprego, faculdade e casa?
Tudo isso me dá náusea.
Casa, emprego e faculdade?
Muita coisa para pouca idade.
Faculdade, casa e emprego?
Tirem me deste pesadelo.
(Des)coberta
Tenho vergonha
De quem me viu crescer.
Mas de quem conheço a pouco,
Não tenho o que esconder.
Meu corpo todos já viram,
Não tenho o que temer.
Porém continuo na moita,
Como quem quer correr.
O que houve comigo,
E com quem eu era?
Foi a sociedade,
Ou simplesmente a nova Era?
Ida ao paraíso
Estava longe da costa,
E perto do céu.
No meio do nada,
Diante do véu.
Quanto mais debatia,
Mais afundava.
A cada grito,
Mais longe ficava.
Não iria desistir,
Pois o fim se aproximava.
Decidiu calar-se,
Deixar-se levar.
Porque nada que fizesse
Iria adiantar.
Morreu.