Murilo Porfírio

Murilo Porfírio

n. 1995 BR BR

n. 1995-07-28, Minas Gerais

Perfil
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II-I In a Basement With Bertha Mason

In the shadow of a silent sin, a sense of discord grows within.

Long lost in a tale of old, in silence, my thoughts unfold.

Dreams are shaped by hands not mine, destined for him or the divine.

Evening prayers, a hope for peace, yet bring visions that never cease:

A world designed for you and me, yet from it, my soul yearns to be free.

I learned that kindness is my role, dreaming for others, a part of my soul.

Battles within, a constant fight, fade as I face my inner plight.

A common curse we all bear, my dreams shrouded in a common despair.

Life and death, themes I’d rather not ponder, seeking answers that within me wander.
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Poemas

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I-LV Jaezes de vida e morte

Pus-te como promessa de vida,

e vi-te ausentar para que me pusesse a pensar:

O quão longe tenho ido que precise ser omitido,

o quão distante perduraria se fosse eu quem o seguiria.

E sobrevivi daquela morte de fantasia.

 

Nunca o vi chegar, exceto agora que,

diante da passionalidade, o vi brotar.

Há quanto esteve lá? Pois o trouxe em meio

ao júbilo, como por culpa por ver-me queixar.

 

O passado justifiquei pela ignorância,

pedi perdão pelas ameaças de criança.

E pelo medo deste acaso, perco a noite

acordado: Será um presente por agrado,

ou és um grego desalmado?
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I-LIV Jaezes de vida e morte

Sinto que a vida vale a pena

quando um mortal me tens em mãos

e me corteja, disse ao Pai muitas vezes.

Fui agraciado pelos céus de sábado,

e agora sofro temoroso por um domingo ao acaso.

 

Um de meus vícios é apostar o que recuperei,

penso o quão péssimo é isso, e concluo ser pior que imagino.

Costumo perder-me na conta de quantos sacrifico

para fazer deste mundo um lugar para mim e meus filhos.

Assim ponho-me louco, para a que a conclusão

de um fim venha, e me arranque a vaidade do corpo.

 

Real ou não, ainda assim é por você,

vícios não seriam hábitos se não voltassem a acontecer.

Temo um mundo pior por domá-lo,

sofro um pouco menos por ser um amparo.

Oro ser este o último dos que me inspiram a estimar,

pois mal atingi o meio e tantos de ti vi passar.
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I-LIII Jaezes de vida e morte

Diante de tanta enfermidade, por nada sofro que me adoeça.

Amarguro-me sob luxos que me separam dos apuros,

e falho estando bem, lembrando-me dos anseios que trouxe ao mundo.

Privilegiado por chorar e viver para lembrar,

duvido ser vício, duvido não haver sentido no que lastimo.

 

Se há alguém, não sou eu quem a vida, com regalo, atravessa.

Não serei eu quem peregrina aos refúgios de quem espera.

Nego dizer que arrisquei por não haver o que fiz.

Perante aos infelizes em busca de tempo,

creio eu ser mais feliz.

 

Culpam minha índole que abandona a caça,

que, por qualquer prazer, se desvia da estrada.

Índole que me leva ao longe, ao fundo, respirando e desvairando,

alcançando e pensando, e menos me culpando.

Meu ápice do prazer é à tona trazer algo meu que nem sei se sou eu.

É pouco caso fazer do que conheço, e aos outros dizer que tenho o que mereço.

Gozo pelo privilégio de não ser exposto,

por o luxo de amar alguém pelo prazer do desconforto.
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I-LII Jaezes de vida e morte

Suplico por ter quem guie-me ao reto,

quem livre-me das tentações à direita,

quem cega-me das à esquerda.

Quem permita-me desviar do certo

quando nele já não me considero.

 

Procuro civilização amante da liberdade de expressão

e escrava da ignorância que nos tornam vãos.

Procuro pelas capitais que, dos que abrigam, tempo tomam,

e crescem dando à vida razões que nada consolam.

Lá há quem a natureza desvalorize e a carne ridicularize,

e esculpa, ainda assim, presentes a mim.

 

Ouço do alto, então, maiores insultos,

fazendo-me proporcional ao palpável mundo que oriundo.

E em nada posso julga-los sem que me lembro de meus pecados.

Maior seja a insipiência dos que de mim se afastam,

e profundo o inferno dos que, deste mundo, tanto acham.
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I-LI Jaezes de vida e morte

É um espetáculo

minha insistência de sentir o que não quero viver.

Quando prendem-me com tantas correntes,

sinto-me tão livre quanto fui aos treze.

Pelo menos rimos quando caímos,

definhamos enquanto nos amamos.

Sinto o mundo impressionado por sermos

cada vez menos quando mais nos gostamos.

 

Mal sei a origem do que me faz incontestável,

mas sinto-me seguro sobre tudo que me trouxe ao báratro.

Não é como quando vivemos para aprender, ou morremos para voltar a crer,

é como sentir-se enganado sobre o que é dito de você,

sem mar que se abra por aquilo que crê.

 

Não faço por diversão, por rebeldia ou por fé.

Não faço por mim, e não me atreveria a fazer por você.

Faço por um racional instinto que persevera.

Como lhe disse sobre as japonesas velas entregues ao mar,

sinto ser eu o único audaz a me guiar.
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I-L Jaezes de vida e morte

Vistes-me descer os céus, por que perguntas de onde vim?

Usas a liberdade mas esqueces da percepção,

exatamente como fui, carregando os homens com ambas as mãos.

Se dificilmente vê-se jovem, perdoe-nos enquanto ainda somos pobres.

 

Crio o que tens feito, a insegurança alimento,

e me empreguiço para evitar o que tanto tento.

Me apaixono por como ages sob o único sol que vejo,

mas a noite vem, lembrando-me ser ambos criados pelo Mesmo.

 

Prometa-me então, Charn, que à Londres nunca me levará,

pois me vicio em tu que me mata devagar.

Ouso enraizar-me ao chão,

abafo o mundo, guardo o perigo,

e mal sei sobre a loucura de quem cogita além do instinto.
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I-XLIX Jaezes de vida e morte

Estou nervoso, mas não por estar mentindo,

temo coisas além de você e deste abrigo.

É a ansiedade por tanto desejar,

a incapacidade de esquecer o mundo que me faz viciar.

E culpa alguma sinto por vê-la chorar,

pois sei que não lhe resta tempo para durar.

 

Assombras um hipócrita que mata por futuros e julga prostíbulos.

Um fraco do tipo que chora por frustações que não vão embora.

Se julga-me não sei, mas sabes que para alguns o pior ansiei,

pois sou um ingênuo que nos zodíacos fiz-me e acreditei.

 

Há ainda quem aponte minha bondade santa, vendo-me como criança.

Calado e mutilado por quem permito e por quem insiste, sei que queres

mais uma vítima dessa tormenta, alguém que mostre, na arte, toda fraqueza.

Assim caminho longe e volto sempre, com coração frio e mente quente.
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I-XLVIII Jaezes de vida e morte

Finalmente, livre da maçante liberdade, tens-me,

mas não me tenho com tanta facilidade.

Lembro-me sendo algo como dezoito ou vinte e oito,

vendo-te surpreso por esta vida que não mudou

diante do mundo que muitos desolou.

 

Qualquer horizonte é euforia

desde que és tu que cobres minha vista.

Então o poupo das sortes desta noite,

não impedirei de sofrer o que o destino reservou-te.

 

Poupe-se de erguer-me a mão quando contento-me no chão.

Poupe-se de comparar-me ao mal,

pois não houve segundo que não fui igual.

E quando caído, enfraquecido e entorpecido,

preserva-me do romantismo, pois tendo ao transvio.
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