Nabelle

Nabelle

Ainda é cedo, amor.

n. 0000-02-20

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Ternura ilusionista.

Jogada aos cantos do meu quarto que parece preencher todo o abismo de meus pensamentos, sem ter ideia de onde está à parte frágil do meu eu. Sinto-me tão sozinha. Sinto-me tão desnecessária. Apego-me apenas no sereno das noites que cai perante meus olhos e me traz um minuto de tranquilidade. Se ao menos pudesse ter um manto de imunidade em que sugasse aos poucos as tristezas que em lágrimas se acumulam em mim. Busco incansavelmente um lugar seguro em olhos que me rodeiam, mas o que fazer quando o refúgio que há em mim clama pela tua imensidão? A incerteza de um futuro junto a ti me enforca aos poucos e o medo da perca acaba sendo meu suspiro final. Desacostumei com sua ausência. Não quero acostumar-me novamente. Quero acalentar teus ferimentos e embalar-me em teu riso. Quero um nós tão musical que em linhas e estrofes confundem o mundo exterior e nos faz caber em um só peito. Desejo apenas participar do sonho em que encontro meu tão esperado chamego.

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Poemas

1

Aflição em carta

Solte-se de meus laços
Voe
Bata tuas asas
Volte para o interno de tuas inseguranças

Largue o colorido
Martírio eterno
Dos choros dos calados
E cante o mais alto silencio
Que os poucos escritores mortos ouçam a se arrepiar

A lágrima desenhada
No rosto dos fracos
Que fortalecem o escuro da noite
Em sonhos sombrios que me suicido
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