Inimigo
[XXX]
Tento encontrar meu sentido aqui na vida.
Você já?
Eu não sei. Às vezes me prendo a pensamentos nada confiáveis.
Fico me perguntando o que minha Alma quer.
Percorro mundos, atrás do viés da minha vida.
E tento costurar minhas cicatrizes com minhas mão trêmulas.
E me entorpeço em doses altas de sofrimento
E tento me aliviar em curtidas e compartilhamentos
Imagino, entre minhas quatro paredes meu destino
E choro a luz do dia, buscando algum alívio.
A arte de se esconder
[XXIX]
Sabe, as pessoas abafam tudo o que sentem.
Por dias e anos da sua vida.
Elas camuflam paixões com medo da dor
Escondem emoções com medo de perder o controle
Guardam um “eu te amo” apenas para amores passageiros
Mas têm vergonha de dizer que ama a um familiar companheiro.
Mas não se preocupe, existe um dia reservado para expressar esses sentimentos.
O dia da morte.
Nesse dia a pessoa traz à superfície tudo que sente.
De repente tornou-se conveniente.
Mas de nada adianta.
Não preciso lhe dizer o porquê.
Mas se você anda preocupado em se esconder
Meus parabéns.
Vai morrer sem ao menos saber viver.
Ainda sobre quem...
[XXVIII]
É engraçada a maneira como você ainda me rouba
Cômico perceber que tu ainda tira minha paz
Saber que tua brincadeira tinha um fundo de verdade
Saber que tudo não passava de vaidade.
E fingir todos os dias, viver de realidade
Eu já não te sinto.
Mas você ainda está presente.
E minha raiva é ainda mais engraçada,
que minha tristeza disfarçada e
minhas falas decoradas.
Mas a verdade é que tu virou fantasma
E eu virei uma vítima.
De coragem, camuflada.
Sou ela.
[XXVII]
Ela gentil, mas está cansada
Ela mente, mas tem suas razões
Ela chora, mas se esconde
Ela canta, uma canção sobre solidão
Ela rir, enquanto conversa
Ela vive, tentando se sentir completa
Ela procura, seu eu perdido
Ela tem o tom do coração partido
Ela pinta sua vida, com lágrimas em aquarela
Ela cria expectativas e se decepciona, na mesma frequência.
Ela se libera em poemas
Pra esquecer de suas mazelas.
É sobre ser só...
[XXVI]
É sobre solidão
É sobre ser só
É sobre dividir
É sobre compartilhar
E se doar para cada mundo amigo
É sobre partilhar cada pedacinho bom meu
E não receber de volta
É sobre entender que tudo tem sua hora
É sobre sofrer um pouco hoje
E chorar um pouco amanhã
E sorrir no fim de um dia, sem perceber
E ficar mal, na sequência
E viver cada dilema.
Eu no espelho
[XXV]
Queria não sentir minhas dores.
Mas não me permito enxergar além de mim.
Às vezes me cobro para ser eu mesma.
E as vezes volto atrás, sem a certeza do que sou.
Talvez meu mundo paralelo seja melhor
E talvez lá, eu seja mais feliz.
Nutro, cada cena imaginativa com positividade.
Camuflando os pixels da minha realidade
Pois acredito em poucas verdades e algumas mentiras
Seria essa minha sina?
Só pra você saber...
[XXIV]
A palavra que eu queria você roubou.
Mas parece que eu não precisava dela.
Garoto menino
[XXIII]
Garoto menino.
Me diz, qual a sensação?
De me ter. Ou ter meus pensamentos
Me ganha, quando rouba toda minha criatividade
Meus substantivos são seus
Faz, valer a pena, cada artigo que pus antes do teu nome
Corresponde a cada adjetivo que te dou
Seja presente no meu presente imperfeito
E a cada ponto final que ponho, me dê um novo início.
Sane com minhas dúvidas. Quando eu for arguição
Me permita derreter em palavras
E por favor seja meu dicionário de inspiração
Não seja perfeição
Mas também não seja ilusão
Então? Menino garoto, qual a sensação?
Good News
[XXII]
Me dê boas notícias.
Ou me dê a chance de imaginar elas.
Imaginação
[XXI]
Me invade com teu carinho ausente
Me persegue com teus rastros inexistentes
Me abraça com teus braços invisíveis
E me beija, como se fosse possível.