L
L
Minha vida pede um interlúdio
Mas não há cenas suficientes
Um órgão soa ao fundo
Enquanto violinos cantam impacientes
A Luz, o luar, a luneta -lamentam-
Inconscientes de seus sorrisos
Por hora o sol e o mar sustentam
Mas a lua já deu seu aviso
Eu não tenho pensamentos e nem linhas
As agulhas trançam caminho em minha pele fina
A caneta em algum momento perdeu a tinta
E só hoje percebi que o interlúdio é a minha vida.
C
C
Cessei. Estou usando palavras aleatórias e construindo orações sem devoção alguma.
Usando de prefixos para antecipar minha ansiedade. Fechando portões com maus sentimentos. Generalizando a dor, quando sei que poucos sentem.
Tentando tornar real a poesia. Buscando sentido. E me anestesiando.
Já sinto tanto.
E ao mesmo tempo nada. Outra voz canta em mim. Ouço a distância sussurrar ao pé do ouvido. E me contento com a minha prisão interior. Já sinto tanto e mais.
Depois de um ou dois dias, já sinto a devoção por esses versos.
Por aqui nada se passou. Nem um segundo. Mas há duas de mim. Dois tempos.
Já passou e passará mais e mais. E não me importo. Apesar de incomodar.
Já sinto tanto. Tanto que cessei.
F
F
Hoje uma palavra fez festa em meus pensamentos
Indo e voltando como cometas perdidos sem alvo
Estremecida em sanidade, fiz jus a semente que plantei
Me ajoelhei mentalmente e fiz o ato
Fez sentido durante alguns minutos
Tanto como, não faz sentindo um coral de igreja afinado
A fé fez a festa em meus pensamentos.
D
D
A dúvida me faz chorar por dentro
Derreter o pouco que sei
Por que é tão fácil existir na dor?
Porque a felicidade faz esquecer?
E por que a dúvida nos faz lembrar?
Onde estou agora?
É escuro, mas há música
Há também eu e o espaço
E versões fora de uso.
Sento-me ao meu lado.
É ela mesma.
Sou eu.
É a dúvida.
A
A
Tanta coisa para lhe dizer
Mas não vivi o suficiente para aprender…
Como abrir um baú antigo com curiosidade
E sinto, toco, me intrigo, perco o foco
E a liberdade chave mestra dos armários
Abro todos, admiro e saio.
O tempo acabou, porém me levou, a outro mundo
Onde o tempo me deu tempo
E aprendi que amar é confuso,
o pensar difuso e que existe saudade em outros mundos.
Tanta coisa pra lhe dizer
Que vivi o suficiente para entender.
Que não há nada para aprender
Nem aqui ou em outro mundo
A não ser que Amar,
É o presente, passado e futuro.
E
Farelos de átomos voam como pólen
Fertilizando histórias durante os séculos
Construindo a entidade maior que os movem
Fazendo da promessa seu destino e elo
Levando o amor para além da morte
Induzidos a apenas viverem
Fadados a dor, a penumbra…-e sofrem-
Prometidos ao silêncio do segredo
Sussurros com cheiro de volúpia
Gritando -suas fomes mútuas- em confluência com seus desejos
Um amar furtivo…-indivisível-
E invisível aos sentidos dos leigos
Se esperam com ternura -Vida após vida-
Se acorrentam pela alma - Morte após morte-
Perfuram o tempo como videa
E um faz do outro o seu norte