Nathália Botelho

Nathália Botelho

n. 1998 BR BR

Oi.

n. 1998-02-18

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Paiz

[IV]


Pais não façam isso.

Paz não se compra, conquista.

Pais não comparem seus filhos.

Paz não é sinal de dever comprido.

Pais não olhem apenas para seu poder

Paz aparece quando o diálogo acontece

Pais a vida é maior que tarefas domésticas

Paz não está em um almoço servido

Pais vocês também erram

Paz estar em aceitar que errou 

Pais a última palavra não é a sua.

Paz é entender que a última palavra não existe.
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Poemas

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L

L


Minha vida pede um interlúdio

Mas não há cenas suficientes

Um órgão soa ao fundo

Enquanto violinos cantam impacientes

A Luz, o luar, a luneta -lamentam-

Inconscientes de seus sorrisos

Por hora o sol e o mar sustentam

Mas a lua já deu seu aviso

Eu não tenho pensamentos e nem linhas

As agulhas trançam caminho em minha pele fina

A caneta em algum momento perdeu a tinta

E só hoje percebi que o interlúdio é a minha vida.

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C

C


Cessei. Estou usando palavras aleatórias e construindo orações sem devoção alguma. 

Usando de prefixos para antecipar minha ansiedade. Fechando portões com maus sentimentos. Generalizando a dor, quando sei que poucos sentem.

Tentando tornar real a poesia. Buscando sentido. E me anestesiando. 

Já sinto tanto. 

E ao mesmo tempo nada. Outra voz canta em mim. Ouço a distância sussurrar ao pé do ouvido. E me contento com a minha prisão interior. Já sinto tanto e mais.  

Depois de um ou dois dias, já sinto a devoção por esses versos. 

Por aqui nada se passou. Nem um segundo. Mas há duas de mim. Dois tempos. 

Já passou e passará mais e mais. E não me importo. Apesar de incomodar. 

Já sinto tanto. Tanto que cessei.
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F

F


Hoje uma palavra fez festa em meus pensamentos

Indo e voltando como cometas perdidos sem alvo

Estremecida em sanidade, fiz jus a semente que plantei

Me ajoelhei mentalmente e fiz o ato

Fez sentido durante alguns minutos

Tanto como, não faz sentindo um coral de igreja afinado

A fé fez a festa em meus pensamentos.
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D

D


A dúvida me faz chorar por dentro

Derreter o pouco que sei

Por que é tão fácil existir na dor?

Porque a felicidade faz esquecer?

E por que a dúvida nos faz lembrar?

Onde estou agora?

É escuro, mas há música

Há também eu e o espaço

E versões fora de uso.

Sento-me ao meu lado.

É ela mesma.

Sou eu.

É a dúvida.
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A

A


Tanta coisa para lhe dizer
Mas não vivi o suficiente para aprender…


Como abrir um baú antigo com curiosidade
E sinto, toco, me intrigo, perco o foco
E a liberdade chave mestra dos armários
Abro todos, admiro e saio.


O tempo acabou, porém me levou, a outro mundo
Onde o tempo me deu tempo 
E aprendi que amar é confuso,
o pensar difuso e que existe saudade em outros mundos.


Tanta coisa pra lhe dizer
Que vivi o suficiente para entender.

Que não há nada para aprender
Nem aqui ou em outro mundo
A não ser que Amar,
É o presente, passado e futuro.
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E

Farelos de átomos voam como pólen 
Fertilizando histórias durante os séculos
Construindo a entidade maior que os movem 
Fazendo da promessa seu destino e elo

Levando o amor para além da morte
Induzidos a apenas viverem
Fadados a dor, a penumbra…-e sofrem-
Prometidos ao silêncio do segredo

Sussurros com cheiro de volúpia 
Gritando -suas fomes mútuas- em confluência com seus desejos
Um amar furtivo…-indivisível-
E invisível aos sentidos dos leigos

Se esperam com ternura -Vida após vida-
Se acorrentam pela alma - Morte após morte-
Perfuram o tempo como videa
E um faz do outro o seu norte
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Nathália Botelho

Obrigada Trenco!