Nathanael

Nathanael

n. 1996

Apenas mais um amante caloroso da dúvida.

n. 1996-10-26

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Reflexo Nu

Despindo-me
Arranco florzinhas de girassol
Pergunto
Por que não te despes também?
Arranco florzinhas de girassol
Pergunto
Por que não te despes também?
Tu gritas
Tu esperneia-te
Tu escabela-te com tamanha extravagância
Tu choras com a inocência
De não saber a razão de todas as coisas
Tu gritas com a inocência
De saber a razão de todas as coisas
Um feixe de luz entra em meu escuro quarto
Desprevenido fecho a cortina
Para ti não chorar
E espernear-te diante do sol
Arranco as florzinhas de girassol
Com um olhar de fulgor
Diante do espelho
E pergunto
Por que não te despe também?
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Poemas

3

Brasa Brasil

Cá estou eu outra vez
Prestando homenagem ao sincopado
A vibração que não me deixa de lado
Desnudo minha alma ao samba
E ao tropicalismo que não me abandona
Me perco e me acho no Concretismo ávido sonoro
Vejo-me refletido e compreendido
Em teus aspectos mais sagazes e florescentes
Tão pitagórico quanto alegórico
És teu choro em teu ventre
O chorinho e o cavaquinho
Ah meu rico Brasil... que tu não caias
Outra vez nas amarras sanguinareas
E que não te prendam
Como um passáro enjaulado novamente.
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Barbarismo não-instintivo

O espectro do agora
Anseia por novidades inexistentes
Falsas ramificações da existência
Latéx extraído da seringueira
Também extraiu a vida dos verdadeiros donos
Escravos nos bastidores
E todos somos espectadores envenenados
Não é ficção
Não é surreal nem "Kafkiano"
É o obscurantismo que sempre
Circundou a humanidade.





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O que há?

O que há depois da amargura? 
A paz seria aceitar a solidão  
Ao caminhar pelos ciclos findáveis e taciturnos? 
Me sentir confortável com os velhos sapatos na estante? 
Lidar com tuas vontades seria  
A resolução do sopro efêmero da modernidade? 
O tempo também rompe laços 
Com pessoas, lugares 
E velhos amantes que agora enxergam  
A pérola da vida semelhante ao estado 
Em que flores desabrochavam sobre tua cabeça 
Ideias que refletiam o futuro 
Agora podem estar mais perto da tua alma substancial 
Talvez não há nada o que esperar de volta 
Talvez assim seja melhor
A astúcia de não esperar algo
Apenas o caminhar pela velha cidade  
Ouvindo o barulho do sapato 
"TAC" "TAC".
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Comentários (1)

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Gabriel Albuquerque

lindíssimos e profundos versos brancos. dahora demais!