Nathanael

Nathanael

n. 1996

Apenas mais um amante caloroso da dúvida.

n. 1996-10-26

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Reflexo Nu

Despindo-me
Arranco florzinhas de girassol
Pergunto
Por que não te despes também?
Arranco florzinhas de girassol
Pergunto
Por que não te despes também?
Tu gritas
Tu esperneia-te
Tu escabela-te com tamanha extravagância
Tu choras com a inocência
De não saber a razão de todas as coisas
Tu gritas com a inocência
De saber a razão de todas as coisas
Um feixe de luz entra em meu escuro quarto
Desprevenido fecho a cortina
Para ti não chorar
E espernear-te diante do sol
Arranco as florzinhas de girassol
Com um olhar de fulgor
Diante do espelho
E pergunto
Por que não te despe também?
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Poemas

3

Amor Surreal

São teus afáveis olhares de farol 
Que iluminam a cidade 
Dentro da minha cabeça 
É tua voz soando como um violino 
Como uma trilha sonora ao meu filme onírico 
Me fazem esquecer o que há lá fora 
Teu toque aquece e estremece 
E todos os prédios dessa cidade 
Tendem a cair 
Tu deixas colorido até mesmo 
O concreto cinzento 
Tuas palavras fazem 
Com que borboletas passeiem por toda minha cidade 
Ferozes animais passeiam 
Por todos os cantos 
Tudo fica há solta na cidade 
Aqui é sempre noite 
Onde os animais passeiam e vivem em harmonia 
Não há barulhos de carros 
Ou fábricas fumacentas 
Apenas rios e lagos cristalinos 
Flamboyants amarelos, vermelhos 
Margaridas e Rosas 
Se misturam em meio ao orvalho 
Na beira do rio que corre 
Com uma lenta fluidez 
E segue tomando outras formas 
Para além da cidade 
Em um longínquo campo 
Informo-lhe que não sou mais o prefeito dessa cidade.
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A vida

A vida é como tu percebe cada intervalo de espaço-tempo 
Cada detalhe cada átomo de existência 
É uma caminhada 
Em um escuro e gélido embrião de dúvidas 
Que vamos nos aquecendo em uma grande lentidão 
É a busca do reconhecimento da nossa consciência 
Pela nossa própria existência 
E o que resta aos que nunca se sentem aquecidos? 
Como posso responder? 
Quem dirá eu que sou um aquecido? 
Não seria pretensioso de minha parte 
Me considerar um aquecido? 
Ser humano é ter a consciência 
De que não temos controle de tudo 
E se tivéssemos controle de tudo 
Ainda assim seriamos humanos? 
Mas ainda buscamos ter controle de tudo 
É a busca que nos torna humanos 
É o sofrimento da busca que é a luz da vida 
Se eu fosse feliz o tempo inteiro 
Me tornaria um bobo 
Todos nós sofremos mas em graus diferentes 
Isso também é a vida 
Tua consciência perceber que existem diferentes graus 
Em cada limite de espaço-tempo 
É a tua consciência ter a consciência de que outra consciência 
Sofre em diferentes graus 
Ela percebe os intervalos de espaço-tempo 
De uma maneira totalmente diferente da tua 
Quantas vezes ao dia tu tentas ter consciência da tua existência? 
A vida é pequenos fragmentos do tempo 
Que se deslocam em um espaço invisível e intocável 
Apenas sentimos 
A vida é uma eterna caminhada 
Em pura subjetividade.

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Reflexo Nu

Despindo-me
Arranco florzinhas de girassol
Pergunto
Por que não te despes também?
Arranco florzinhas de girassol
Pergunto
Por que não te despes também?
Tu gritas
Tu esperneia-te
Tu escabela-te com tamanha extravagância
Tu choras com a inocência
De não saber a razão de todas as coisas
Tu gritas com a inocência
De saber a razão de todas as coisas
Um feixe de luz entra em meu escuro quarto
Desprevenido fecho a cortina
Para ti não chorar
E espernear-te diante do sol
Arranco as florzinhas de girassol
Com um olhar de fulgor
Diante do espelho
E pergunto
Por que não te despe também?
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Comentários (1)

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Gabriel Albuquerque

lindíssimos e profundos versos brancos. dahora demais!