Nathanael

Nathanael

n. 1996

Apenas mais um amante caloroso da dúvida.

n. 1996-10-26

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Reflexo Nu

Despindo-me
Arranco florzinhas de girassol
Pergunto
Por que não te despes também?
Arranco florzinhas de girassol
Pergunto
Por que não te despes também?
Tu gritas
Tu esperneia-te
Tu escabela-te com tamanha extravagância
Tu choras com a inocência
De não saber a razão de todas as coisas
Tu gritas com a inocência
De saber a razão de todas as coisas
Um feixe de luz entra em meu escuro quarto
Desprevenido fecho a cortina
Para ti não chorar
E espernear-te diante do sol
Arranco as florzinhas de girassol
Com um olhar de fulgor
Diante do espelho
E pergunto
Por que não te despe também?
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Poemas

1

Fluxo

beijo-te os pés amo-te
enquanto os infelizes anjos gritam
recordo-me da dor e questiono-a 
junto aos emaranhados e desconhecidos
fios do amanhã
não amo meus inimigos 
com a falsa espera de que há
a punição metafísica 
mentira sacralizada 
de baixo do cinzento céu 
da insatisfação humana
que grita em nossos corações
sempre a espera da 
infíma felicidade 
e nunca questionamos aquilo 
que nos faz feliz 
a dialética consigo mesmo
amedronta
os vivos embalsamados pela sórdida existência
os mortos que estão vivos 
despedaçam-se e preenchem-se
com o que podem 
enquanto abaixam a cabeça 
e o rio corre em seu fluxo 
do qual nunca teremos certeza


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Comentários (1)

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Gabriel Albuquerque

lindíssimos e profundos versos brancos. dahora demais!