Nelson de Medeiros

Nelson de Medeiros

n. 1952 BR BR

n. 1952-12-09, Cachoeiro de Itapemirim

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CONFISSÕES AO MAR



Escuta ó mar azul sem dimensão
Toda a dor da amargura que me assiste:
Jamais aqui eu voltarei tão triste;
Ouça, pois, o que diz meu coração:

Naquela tarde prenhe de emoção,
Tu foste a testemunha e tudo viste:
Vate e Musa e a Paixão que não resiste
Ao momento divino da atração!

Um instante de magia! Um segundo
Que juntou num momento antigas sanhas
Estancando o tempo e o espaço do mundo!

Mas a musa se foi pelas montanhas
Mar azul... Resta um pélago profundo
Que inda carcome do vate as entranhas!
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Poemas

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CONFISSÕES AO MAR



Escuta ó mar azul sem dimensão
Toda a dor da amargura que me assiste:
Jamais aqui eu voltarei tão triste;
Ouça, pois, o que diz meu coração:

Naquela tarde prenhe de emoção,
Tu foste a testemunha e tudo viste:
Vate e Musa e a Paixão que não resiste
Ao momento divino da atração!

Um instante de magia! Um segundo
Que juntou num momento antigas sanhas
Estancando o tempo e o espaço do mundo!

Mas a musa se foi pelas montanhas
Mar azul... Resta um pélago profundo
Que inda carcome do vate as entranhas!
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PARTIDA E REGRESSO



Parti, deixei meu lar e meus amores,
meu casto berço - a nupcial guarida;
levava n!alma amortalhada a vida
entre soluços de pungentes dores...!

Longo tempo se passou; outra partida
fiz em busca do lar, rever as flores,
o bosque verde, prenhe de frescores
e ouvir da fonte a nota enternecida.

Cheguei...Meu peito trespassou-se em mágoas!
Da fonte, o triste murmurar das águas,
mais vibrante cortava a solidão!

Do lar, do bosque e flores que deixei,
nem cinzas mais... Apenas encontrei
uns fragmentos de infância pelo chão.

Nelson de Medeiros
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ÚLTIMA CARTA





Tu és destinatária desta carta:
Desnecessário rabiscar teu nome
E dizer de toda a dor que consome
O trovador que do sonho se aparta!

Despedida? Renúncia? Não me importa
A aparência que a realidade tome;
Tua falta será sempre um cognome,
Pois saudade acepção não comporta!

Digo-te assim, sem receio: - Até breve,
Pois na roda do tempo, em qualquer lugar
Sei que inda verei os lindos olhos teus;

Tanto porque sei, com certeza invulgar,
Que em dois credos a vida circunscreve:
Não existe a morte, não existe adeus!

Nelson de Medeiros



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