Um homem às margens de um lago Frente a frente com a imensidão, pensa Sozinho finalmente Discute, grita, fica mudo e se muda Ao se deparar com o imenso nada (ou imenso tudo?) Vê o reflexo na água: ele. Nu e puro Mesmo calada a boca, grita a alma Será que escuta? Ou se perde, se distraí, se aquieta. Quisera haver homem, rio, terra ou alma, alta o suficiente. Ou melhor ainda Quiser haver essência Que pudesse gritar E ser ouvida
fazendo foto ofuscando o foco farejando a fauna do perfil fadigado o formigar infindo a fala fulgaz os fatos finais a falsa farsante de futuros frutos favos, felizes floridos ou fúteis o fálido fardo dos farelos faíscam e o fogo fatídico dá febre
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cisma:
sufocar as verdades com o ardor das pálpebras até que não me reste a obrigação de eclipsar-me e meu eu entre em completa emersão as palavras proferidas irão se extasiar e neste hermético ir e vir da minha vexatória (in)existência afundar-me-ei e o despertar será infindo.
renascerei e tu, caro leitor percebrás nossa relação categórica seremos íntimos e tu entenderás cada uma de minhas fantasmagorias porque estarás preso ao meu lugar secreto-arbitrário
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cinquentenário
forro forro forro delirante e emorfado nesse sábado deu-me o alarme diante completo desleixo como estás cansado... mas que não sejas para tanto prometo-te que não há de guardar mágoas forro forro forro enforrarei-me nas suas tábuas
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será que escuta?
Um homem às margens de um lago Frente a frente com a imensidão, pensa Sozinho finalmente Discute, grita, fica mudo e se muda Ao se deparar com o imenso nada (ou imenso tudo?) Vê o reflexo na água: ele. Nu e puro Mesmo calada a boca, grita a alma Será que escuta? Ou se perde, se distraí, se aquieta. Quisera haver homem, rio, terra ou alma, alta o suficiente. Ou melhor ainda Quiser haver essência Que pudesse gritar E ser ouvida
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sem título II
Se me encontro emerso Me sinto disperso. Desfaço, refaço E me erro. Se sou, ajo Se busco, acho Se não acho, largo. Não posso, mas quero Se não quero, me nego Mas me esforço, levo, e faço. Me faço. Me mesclo. E relaxo. De repente estou averso Me vendo exposto num verso Me sinto perverso Mas enxergo. Me enxergo. Transbordo. Exagero. Congelo. E depois...
Me cego.
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poesia à aliança de infância
no mais profundo dos meus seres clandestinamente há um ser solar que com constância me suplica à dança em dias nublados esse ser se acanha mas arbitrariamente com suas mãos em movimentos diretos me chama sempre firmando à memória que engano a mim somente.
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sem título I
espreito os olhares que me atentam. meu sol veste lua e a alvorecida noite bebe um pouco mais de mim o sonho fica despido e a lucidez se subtrai é quando durmo em ti e levito de tanto amar amar e amar armadura imbatível. espreito os olhares que me atentam.
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sèma
quero sempre lembrar de esquecer até esquecer que eu esqueço e consiga vislumbrar cada traço de cada palavra palavra que, embora representativa é rememorativa - e a memória é o reconhecimento real do poder da morte.
se nessa luta constante contra o esquecimento (sempre quase-a-ser vencida) adentro e me constituo o que fazer com esta poesia-epitáfica? existe lógica nestes escritos?
quero sempre me lembrar de esquecer para que o temor seja vencido até esquecer que eu esqueço e compreenderei: a palavra, o tempo, o túmulo e o signo são unos constituintes de um ato só.
e então, nessa ciranda quero ver o esquecimento de forma banal.