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n. 2002 BR BR

quisera haver essência que pudesse gritar. e ser ouvida.

n. 2002-03-06, São Luís - MA

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será que escuta?

Um homem às margens de um lago
Frente a frente com a imensidão, pensa
Sozinho finalmente
Discute, grita, fica mudo e se muda
Ao se deparar com o imenso nada (ou imenso tudo?)
Vê o reflexo na água: ele. Nu e puro
Mesmo calada a boca, grita a alma
Será que escuta?
Ou se perde, se distraí, se aquieta.
Quisera haver homem, rio, terra ou alma, alta o suficiente.
Ou melhor ainda
Quiser haver essência
Que pudesse gritar
E ser ouvida
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Poemas

8

(EFÊ)meros

fazendo foto
ofuscando o foco
farejando a fauna
do perfil fadigado
o formigar infindo
a fala fulgaz
os fatos finais
a falsa farsante
de futuros frutos
favos, felizes
floridos ou fúteis
o fálido fardo
dos farelos faíscam
e o fogo fatídico
dá febre
117

cisma:

sufocar as verdades com o ardor das pálpebras
até que não me reste a obrigação de eclipsar-me
e meu eu entre em completa emersão
as palavras proferidas irão se extasiar
e neste hermético ir e vir
da minha vexatória (in)existência
afundar-me-ei
e o despertar será infindo.

renascerei
e tu, caro leitor
percebrás nossa relação categórica
seremos íntimos
e tu entenderás cada uma de minhas
fantasmagorias
porque estarás preso
ao meu lugar secreto-arbitrário
119

cinquentenário

forro forro forro
delirante e emorfado
nesse sábado deu-me o alarme
diante completo desleixo
como estás cansado...
mas que não sejas para tanto
prometo-te que não há de guardar mágoas
forro forro forro
enforrarei-me nas suas tábuas
111

será que escuta?

Um homem às margens de um lago
Frente a frente com a imensidão, pensa
Sozinho finalmente
Discute, grita, fica mudo e se muda
Ao se deparar com o imenso nada (ou imenso tudo?)
Vê o reflexo na água: ele. Nu e puro
Mesmo calada a boca, grita a alma
Será que escuta?
Ou se perde, se distraí, se aquieta.
Quisera haver homem, rio, terra ou alma, alta o suficiente.
Ou melhor ainda
Quiser haver essência
Que pudesse gritar
E ser ouvida
119

sem título II

Se me encontro emerso
Me sinto disperso.
Desfaço, refaço
E me erro.
Se sou, ajo
Se busco, acho
Se não acho, largo.
Não posso, mas quero
Se não quero, me nego
Mas me esforço, levo, e faço.
Me faço.
Me mesclo. E relaxo.
De repente estou averso
Me vendo exposto num verso
Me sinto perverso
Mas enxergo.
Me enxergo.
Transbordo. Exagero. Congelo.
E depois...

Me cego.
111

poesia à aliança de infância

no mais profundo dos meus seres
clandestinamente
há um ser solar
que com constância
me suplica à dança
em dias nublados
esse ser se acanha
mas arbitrariamente
com suas mãos
em movimentos diretos
me chama
sempre firmando à memória
que engano a mim
somente.
111

sem título I

espreito os olhares que me atentam.
           meu sol veste lua
           e a alvorecida noite
           bebe um pouco mais de mim
           o sonho fica despido
           e a lucidez se subtrai
           é quando durmo em ti
           e levito de tanto amar
                                amar e amar
                  armadura
   imbatível.
espreito os olhares que me atentam.
118

sèma

quero sempre lembrar de esquecer
até esquecer que eu esqueço
e consiga vislumbrar
cada traço de cada palavra
palavra que, embora representativa
é rememorativa - e a memória é o reconhecimento real do poder da morte.

se nessa luta constante contra o esquecimento (sempre quase-a-ser vencida)
adentro
e me constituo
o que fazer com esta poesia-epitáfica?
existe lógica nestes escritos?

quero sempre me lembrar de esquecer
para que o temor seja vencido
até esquecer que eu esqueço
e compreenderei:
a palavra, o tempo, o túmulo e o signo são unos
constituintes de um ato só.

e então, nessa ciranda
quero ver o esquecimento 
de forma banal.
129

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