O Homem Morto - Niaxe Augusto

O Homem Morto - Niaxe Augusto

n. 1998 BR BR

"Viva para Amar e Ame para Viver!" - O Homem Morto

n. 1998-12-19, São Paulo

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Chuva II

ॐ   Funesta era a manhã de hoje, milhares de Almas desoladas cometiam suicídio coletivo. Uma acinzentada nuvem ranzinza, carregada com os mais pretumes sentimentos e os mais lúgubres pensamentos, se estendia por milhas e milhas de distância no Céu. Tão densamente entristecida e tão severamente rancorosa era, que não permitia se quer que os gracejos calorosos de Apolo arrancassem-lhe um só sorriso matinal e atravessassem, por um só segundo, as suas toneladas existenciais de sua mortuária imensidão. Os murmúrios de teu íntimo, ocos e blasfêmicos, ecoavam impetuosos, intempestivamente fatais às Vidas dos mortais que abaixo residem, fazendo com que as estruturas na Terra vacilassem ao tremor do Medo que as assolava.  Era mais que claro no consciente tempestuoso mundano, que ninguém ousava sair de suas casas quando o Colosso estava impassível, aflitos ficavam recolhidos embaixo de suas camas frias de madeira – estavam as famílias e os animais. De baixo das pontes os descrentes sem-tetos se escondiam do julgamento dos Céus, segundo o senso comum – mas a estes , o fim do dia nunca chegava após tais implacáveis tormentas, hirtos e gélidos padeciam sem Esperanças, apenas desejos utópicos, uns tinham fieis companheiros, cachorros ou gatos, unidos pela mesma miséria até a Morte. – Decido sair de meus devaneios racionais e torno meus soturnos olhares ao Infinito –. Tristosos saltavam das nuvens gélidas de concreto acinzentado os inconstantes orvalhos joviais, para o grand finale do espetáculo de horrores da Natureza, em seus últimos resquícios de existência antes de se transmutarem em milhares de partículas, expectativas e predições ao colidirem contra a minha embaçada janela de vidro. O Céu hoje está em Luto, meus sinceros sentimentos a cada Gota de Chuva que agora jaz na Terra em mais uma manhã amarga de Quarentena. ॐ
 
Um fragmento do projeto Chuva, o texto "Chuva II", por Niaxe Augusto ॐ
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Poemas

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A Morte literária d’um Poeta

E, então, nas entranhas de minha escuridão indômita, o Céu se mostrara por um fraco feixe de luz vindo de minha varanda. A alvorada de traços perfeitos, pigmentada por algum mestre das Artes superiores, que eu não saberia ao certo dizer-lhe quem seria ou até mesmo o que seria – tal entidade agênero – Cético eu era até o momento em que encontrei-te verdadeiramente pela primeira vez, tamanha serenidade e formosura deleitaram os olhos meus, olhos estes, que antes volviam-se ao Orco de meu Ser com desgosto. Aquele dia tinha um odor forte de café amargo, eu aproximei-me lentamente da janela, os únicos sons existentes a me circundar eram o do Silêncio mútuo e ensurdecedor da sala de estar, o das minhas companhias mais íntimas balbuciando falácias que transpassavam os meus ouvidos em direção à minha mente e retornavam ecoando no vazio meu em formas de afirmações sólidas envenenando o meu cálido coração e o do barulho quebradiço de ossos não mais lúbricos, por conta da corrosão do Tempo e da flacidez da carne a se arrastar pelo chão gélido de cerâmica cor bege. Uma odisseia homérica de músculos a praguejar, que sugara noventa e nove por cento de minha expectativa de vida. Lembro-me, que com o um por cento de anseio a vida que me restara pude eu romper novamente os limites predefinidos ao meu corpo físico e consegui abrir as dobradiças da janela empoeirada, o suficiente para que o Sr. Vento acariciasse a minha negrume cabeleira com um último cafuné e trouxesse a doçura do olor das roseiras às minhas narinas –saudades terei da brisa do litoral. E, também, fora o necessário para que o Lume vindo do Céu transpassasse a barreira de carvalho bruto entalhado ano a ano por cicatrizes e desilusões na superfície janela de minh’alma, apaziguando assim, a Dor remanescente.
"A Morte literária d’um Poeta" por Niaxe Augusto.
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Direitos

Direito de ver-te, não o tenho;
Direito da fala, calaram-me pelas pragas;
Direito da privacidade, tiraram-me e lançaram aos porcos;
Direito de escutar-te, não permitiram, e, tornaram-me um andarilho surdo;
Direitos estes negados, decretados por aqueles detentores da ditadura que me oprime.
 
A ti, biltre, celerado: – Amor dou-lhe!
Grasno as minhas palavras, mas, conto-lhe que o amo.
A mim, ser negado: – Hei-me a conjurar toda essa cólera aos pútridos que governam.
 
"Direito" por Niaxe Augusto.
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