despedaçada
a felicidade não parece vir até a mim
ela bate na porta,
mas a tristeza chega bem na hora...
estou cansada de tentar sobreviver no meio do caos
eu sou um ser humano capaz de me autodescobrir
mas será que a tempo?
penso ser imortal,
mas a cada aborrecimento, percebo
o quão despedaçada estou ao longo dos anos
tentando me manter de pé,
tentando ser a sobrevivente que nunca se desequilibra
ao observar e pensar mais um pouco eu vejo
o quão sozinha estou,
sempre fui
nunca tive alguém de verdade realmente ao meu lado
as pessoas são passageiras
ilusões também,
sentimentos nunca permanecem
evaporam feito pó,
em um piscar de olhos
em um respirar
é um vazio que não cabe no peito
ferida aberta que nunca se curará
maldito mar
eu quero tanto escapar
eu quero tanto fugir
se esconder
desse maldito mar imenso
de decepções
coberto de sentimentos límpidos
que eu preenchi
mas percebo que aos poucos
ele está se esvaziando...
ou estão o corrompendo novamente com suas lindas mentiras?
oh, meu maldito e límpido mar...
não se deixe lavar,
não se deixe desacreditar
que a vida é um conto de fadas
e que ao viver o fim não é a morte
não deixe que te purifiquem, belo mar
você é tão lindo preenchido de decepções
nunca supridas
de uma alma que sempre esteve vazia,
oh, meu querido eu tão desconhecido e longínquo
me mostre uma saída,
me dê uma solução
eu quero que a dor evapore,
feito a alma quando se encontra e dança com a morte
eu quero um mundo suportavel,
com pessoas que acreditem em mim
e não desacreditem em quem poderei vir a me tornar
eu quero fazer parte da loucura que é sonhar,
sonhar estar junto das estrelas
mesmo me conhecendo como a lua
sonhar em te encontrar meu querido eu
o temido desconhecido e longíquo eu,
eu quero que me ensines a amar
me faça aprender a ser amada
me torne alguém que eu nunca fui
mas que gostaria de ser
supra o vazio que habita dentro do meu ser
a dor nunca consolada
as feridas que permaneceram ali...
nunca reparadas,
em mim verás que só habitam folhas caídas do outono...
mas faça-as se tornarem flores puras que ao início da primavera florescerão
e que vão desabrochar
algo novo no ar
o meu novo eu, meu querido eu
tão esperado, mas nunca compreendido...
eu quero te sentir em minha pele
te sentir em meu sangue,
te sentir em meu coração
eu quero enxergar o mundo
senti-lo como uma alma pura de criança
olhar ao redor e perceber
como tudo mudou,
que a mesmice desvaneceu-se
e que o mistério do "novo" no ar pairou
permaneceu
faça morada, meu querido eu
não me abandone,
nem agora e nem nunca
fique
fique ao meu lado, permaneça comigo até o fim
não ouse me deixar,
não como aqueles desconhecidos com os corações despedaçados fizeram
eram tão frustados e mascarados
não buscavam a luz no fim do túnel
se afundavam cada vez mais no abismo sem fim
e queriam te levar junto, meu querido eu tão desconhecido e longíquo
mas você não se deixou levar
você permaneceu
e assim preencheu o maldito e límpido mar...
amor, te amo
eu queria me encontrar
entre os teus braços
me desecontrar no teus beijos
mergulhar na imensidão das tuas chamas
e no ardor delas bradar
o quão surtuda eu sou
por poder te amar,
e mesmo que seja só por algum tempo
valerá à pena
ter alguém para poder contar
e amar,
e talvez algum de nós dois saía despedaçado
mas sairemos sabendo e lembrando
do quão bom foi o que tivemos
mesmo que por um longo período de tempo
eu me sentia protegida
sã e salva,
mas acho que eu não era a pessoa certa pra você poder amar
e me desculpe se errei
me equivoquei
ao sentir demais por alguém que não era meu
e eu lembro do que me disse naquele dia
que não me abandonaria
mas essa promessa se tornou vazia
tão de repente,
e caso queira voltar
eu te esperarei ansiosamente chegar
eu escrevo sobre o amor
mas tampouco sei amar,
mas amor, se tu me desses esta oportunidade
eu te mostraria
o quão duradouro pode ser
uma fantasia
mas eu me decepcionei
acreditei
mais uma vez
que seria o certo a se fazer,
te amar da melhor forma que podia
e terminei despedaçada
da forma mais inesperada,
agora estou afundando
e não há ninguém para me salvar
eu tola pensava
que você seria a cura
que você seria quem me seguraria
que você seria quem teria o meu fragmentado coração
e eu estava certa em uma
você teve, (e tem o meu coração)
mas resolveu parti-lo ao meio, deixando-o em pedaços
e você ainda o tem, guardado em alguma caixinha de lembranças
e eu continuo no aguardo
de vê-lo reconstruindo pedacinho por pedacinho
acendendo a chama novamente
eu estava me acostumando a ser alguém que você amava
metamorfose
estou andando pela multidão
sozinha e vazia,
caminhando sob o mau tempo
eu procuro renascer todos os dias
e me redescobrir
começando uma batalha que no final sei que terei a alma contrapartida com a escuridão
eu caminho lado ao lado com ela
sei como é estar achada e perdida
sei como é se sentir reconfortada e ser destruída
mas eu sou muito mais que apenas carne e osso
sou muito mais que um ser humano
eu sou um coração que bate aqui dentro
eu sou uma alma que grita e clama
metamorfose
sou uma mente capaz de criar e transformar outras mentes,
não digo que sou única (o) mas também digo que não sou igual a todos
não desejo aclamação de todos
e sim ser apreciada com o coração
uma mão, um ombro amigo para me ensinar a dar os primeiros passos durante a tempestade
alguém que me entenda durante a transformação moral
me acuda durante os tombos da vida
seja a outra metade
que me falta
faça-me vivaz
sucumba me
deixe se levar por esta crescente chama entre nós