Reza a lenda que quando nasceu, nos pampas chovia muito e uma trovejada em forma de versos, assustou o tal de doutor e sem querer riscou de caneta o vivente. Foi onde tudo se deu forma, mal respirava e o primeiro aroma que sentiu foi o da tinta, usada para descrever maravilhas e sonhos.
Não há ilusões Não existem fantasias, Falsas esperanças. Apenas a realidade Corrompida, suja e politica, Não existe punição Apenas acordos , Mensalão. Mãos amigas Inimigas e que sufocam A nação.
Reza a lenda que quando nasceu, nos pampas chovia muito e uma trovejada em forma de versos, assustou o tal de doutor e sem querer riscou de caneta o vivente. Foi onde tudo se deu forma, mal respirava e o primeiro aroma que sentiu foi o da tinta, usada para descrever maravilhas e sonhos.
Dai por diante, tudo foi natural e aquela tinta que ficou impregnada em seu sangue, encontrou a imaginação de um guri que sonhava acordado, não deu outra, versos e histórias surgiam sem parar.
Assim o minuano se encarregou de espalhar pelo descampado esse mundo imaginário, tomando forma ao encontrar ouvidos e olhos das mais diferentes pessoas.
Ao segurar a rosa desfolhada Livra de todo pudor a morte, Não é a sombra do medo E tão pouco o medo da solidão. A raiva contida no sorriso E as palavras sutis, Que marcam os desejos Recusados pelo coração. É teu suor, fedido, mórbido, De quem não lutou, não desejou revolução! É o espinho que sangra minha mão, Quase estragando o macio das pétalas. Morte certa pela beleza Da vida, de um amor, Trancado com medo de voar! Pois o vento não consegue levar o sangue Que seco sobra-lhe o chão. Não faz brotar vida nova Tão poucos sonhos belos, Apenas cicatrizes de dias secos Aonde a beleza das flores não curou. Feridas abertas, não cicatrizam, Mesmo feitas pelo amor.
351
Hora presos, hora livres
Orgulho, orgulha, Reprimes! Ciume, inveja, Pequenas crises. Palavras, suspiros, Amores ressentidos Aos poucos, hora presos, Hora Livres!
295
Lixo, vivo!
Lixo, Assim como á vida, Reciclável! Vida, Assim como lixo, Mal aproveitado! Ambos precisam Do homem, para ser, De sua vontade, para estar, Da sua atitude para melhorar! Lixo Somos todos lixos, Vida, Em busca de uma vida, Para reciclar, para recomeçar!
390
O ceifador do próximo sentido
Abra seus olhos Para a realidade, Abra sua mente Para a verdade. Falsas paredes Foram erguidas, Palavras com significado Foram ditas. Sua mente preparada Como uma lavoura, Adubada. Quando se der conta Estará totalmente envolvido! Será tarde de mais Tudo estará em fim, unido. A verdade disfarçada de bondade Será o ceifador de vidas, Que se diziam capazes Mas duvidavam do que ouviam.
288
Necrose
Certa vez Eu vi um homem, E ele estava só.
Assim como a noite Tão escura, Quanto suas ideias.
Não havia vida Em seus olhos.
Não havia cultura Em sua boca.
Tão vazio Quanto o espaço Que habitava.
Sobravam-lhe passos Quando suas palavras Findavam.
Suas vestes simples Apenas refletiam, A exclusão em que vivia.
Seus ouvidos cansados Confundiam palavras, Embriagados com tanta mentira. Mesmo assim, Este homem sobrevivia!
O cheiro que exalava Facilmente se confundia, Com sarjetas, esgotos, agonia.
Seus movimentos, lentos, Não eram calculados, Tal homem, não conseguiria.
Era fraqueza, luta! Pelas sobras do meio dia, Restos de uma sociedade Rompida pela hipocrisia.
Não se via os traços de sua mão Esfolada, os calos não permitiam.
Ao longe Impossível saber, Se era ele branco, preto ou amarelo.
Havia tantas vidas mortas Naquele corpo, que dificilmente, Algum sonho, sobreviveria.
Sim, Eu vi este homem só! Despido de toda carne podre ao seu redor.
Livre de pré-conceitos Humilhado o suficiente, Para não julgar.
Sem dinheiro, sem limites, Sem crimes, para se condenar.
Este homem Não tinha permissão da vida, Para a morte lhe causar.
Não seria esta noite Fria e só... Que poderia repousar!
A sociedade uma vez mais Teria que lhe usar, Como exemplo!
Como lamento, como espelho. De como um homem só Embora livre!
Não lhe seja permitido Chorar.
320
Vozes
Ouça as vozes Que sussurram os segredos, Caminhos construídos Com a luz, do autoconhecimento.
O ciclo que se apresenta é éterno Mas seu corpo é carne, fraca, E na terra ficará.
Apenas suas palavras, irão com o vento, Não importa quantas luas passarem Através da natureza, o caminho sagrado, O equilíbrio buscará.
Para saudar passado e presente, buscando o futuro, Valores como família e amigos, a linha da vida, Pilares da mente, como grandes portas se erguerá.
Assim estará feita a iniciação A elevação do corpo e espirito ocorrerão, O templo construído com tuas palavras Será teu fogo a iluminar-te na eternidade.
307
Desejo comum
Desolado coração Mutilado pela sociedade, Insano por cultivar esperanças! Dor que exala pelos teus tristes olhos. Somente mais um momento De angustia, dor, de morte, Caminhas sem saber o por quê? Viver sem saber para que! Medo de falar, medo de ouvir, medo de olhar, Medo apenas de ser notado Com mais um, ser comum! Fracassado por não ter o sorriso Perdedor por não olhar o próprio umbigo. Revela teus desejos ao mundo Expõe tua fraqueza diante do inevitável, Destino comum! Ser mais que uma sombra Estar presente e não ausente, Ser gente, ao invés de indigente!
294
Será que sabem?
Será Que esse povo sabe, O que faz?
Será Que sabem O que sentem?
Imaginam o que é real? Eles pensam que vivem? Ou apenas passam os dias Simplesmente fingem saber.
Preenchendo lacunas Com falsos desejos Tentando não serem Carentes.
314
Por entre noites
Incógnita duvida Não me conhece além dos pecados, E tão pouco parece saber.
Mas é intima estranhamente Assim como o tempo, Inexplicavelmente desperdiçado.
Acompanha-me e dissipa-se nas duvidas Escondido por entre noites, É a sede pela luz que a torna tão intrusa.
E dança comigo! Como uma louca desconhecida, Testando meus limites Da dor, do prazer!
A cada vazio feito pelo medo A morte tão fria, que me cerca É o amor, que a vida Nunca vai ter!