Reza a lenda que quando nasceu, nos pampas chovia muito e uma trovejada em forma de versos, assustou o tal de doutor e sem querer riscou de caneta o vivente. Foi onde tudo se deu forma, mal respirava e o primeiro aroma que sentiu foi o da tinta, usada para descrever maravilhas e sonhos.
Não há ilusões Não existem fantasias, Falsas esperanças. Apenas a realidade Corrompida, suja e politica, Não existe punição Apenas acordos , Mensalão. Mãos amigas Inimigas e que sufocam A nação.
Reza a lenda que quando nasceu, nos pampas chovia muito e uma trovejada em forma de versos, assustou o tal de doutor e sem querer riscou de caneta o vivente. Foi onde tudo se deu forma, mal respirava e o primeiro aroma que sentiu foi o da tinta, usada para descrever maravilhas e sonhos.
Dai por diante, tudo foi natural e aquela tinta que ficou impregnada em seu sangue, encontrou a imaginação de um guri que sonhava acordado, não deu outra, versos e histórias surgiam sem parar.
Assim o minuano se encarregou de espalhar pelo descampado esse mundo imaginário, tomando forma ao encontrar ouvidos e olhos das mais diferentes pessoas.
Olha besta com chifres Raivosa, com a cara manchada, Á escoria, desiludida, pavão!
Toca com seu saltitar O som da ruína, Melodia da sociedade corrompida.
Cega pelo vil metal Por desejos além do pão!
Suga toda a esperança Vinda das veias rasgadas Da vida, que ao lado da indiferença, Pergunta! insistentemente?
Quem em meio a cobiça Não merce morrer? Se não se valoriza a vida!
Filho da ferida Que nunca cicatriza, Meretriz caída Amor, desilusão.
283
Peças lascadas
Apenas mais uma sombra Invisível á tantas outras Que dormem. Uma peça lascada De uma cidade despedaçada. Quadros vivos De uma paisagem petrificada, Pouco admirada Lembrada ou amada. Quem sabe ao amanhecer Mais uma mancha de sangue Se destaque na calçada. Revestida por corpos Pequenas diferenças Que por hora não são nada.
324
Linhas infinitas
Linhas infinitas Sentimentos inacabados Figuras abstratas, Um trago, mais um trago! Corpos atraídos, copos virados. A putrefação sentida na sua essência Decadência, desrespeito, negligência. Mais um trago, mais um trago! A trilha sonora que se segue É o silencio que rompe o escuro, Noticias de ultima hora Amaram-se em demasia, Beberam de mais! Sonhos e fantasias Acabaram como tristes, Mas quase sempre esperadas Manchetes de jornais! Enquanto amigos para reverenciar Imbecilmente conclamam, Mais um trago, mais um trago!
305
Epiderme
Se tens a boca nua Pelada de toda mentira Profana teus lábios, Com toda putaria Amanhece o dia Em Brasília!
Se tua pele Serve como pano Capa rala de feira! Limpa toda sujeira, Que deixa em teu caminho.
Não limpes apenas a epiderme Superficial como teu pensar! Não mira apenas o ouro Quando tuas mãos e braços Não aguentam o peso da idade Pura vaidade, escrota, Assim como tua imagem!
Leia tuas más escritas linhas Aonde conta tuas merdas Tua pobre e escrava vida.
E no lugar de teu musculo, chamado coração Coloca uma placa de manutenção, E que a sua falta, não tem feito falta não!
Pois para toda falta de emoção Não á razão que resolva os erros, Pedaços de tua falsa moral ao chão.
Morre na noite fria Criatura mesquinha, E renasce com o partilhar do pão!
368
Perfeição
O que é perfeição? Um olhar, por do sol, Quem sabe a frase certa Os lábios doces! Ou uma briga por motivos bobos. As mãos que se encaixam Uma noite de estrelas, A água lavando a alma. O que é perfeição? A dor, a lagrima e o sorriso, Não saber o que fazer Quando se esta frente a frente Com o amor, a paixão, indecisão. O que é perfeição? O dia após dia Conflitos e duvidas da vida, A incerteza do futuro A convicção no presente, O que é perfeição?
382
Vida inteira
Começa com uma letra, uma palavra Uma frase e quem sabe virgulas e exclamação! Um sorriso, uma lagrima, um momento e pensamentos, E quando se percebe,ao piscar olhos Alguns poucos suspiros e brincadeiras Sem saber,la se foi a vida inteira!
326
Em silencio
E você esperando a violência acontecer O próximo tiro, o próximo grito! Brincando de adivinhar, Qual será o beco escuro Que um politico vai se corromper.
Feridas que nunca cicatrizam De uma sociedade corrompida, Aonde impera o caos, corrupção!
Roleta russa com o cidadão Dia sim, dia não, no circo da civilização, Mais um corpo que cai ao chão.
As manchas de sangue, são Capas de jornais, Garantia de ibope na televisão A festa acontece no nosso quintal Em quanto você se prepara pro jantar!
Fingindo que não tem mais medo Rezando em silencio, chorando em segredo, Para que sua família não vire vitima Da sua omissão, falta de expressão!
307
Vida
E diante da imensidão da vida O mar se apequenou com seus desejos, é tanta vontade que surge Que nem ao menos o vento contra Consegue lhe impedir de sonhar.
318
Outros
Outras ruas Outros ecos, Outras vozes Outras mortes.
Entre tantos passos vazios Sombras, formas deformadas, Vidas, entre abismos! Escolhas que se dizem, Ser em algum momento sorte.
Desejou um sol Cobiçou uma lua, Dormiu com pedidos Amanheceu de mãos vazias.
Entre uma folha E outra história, Contos sem fim Sem final feliz.
Sede de amor Fome de palavras!
Quer que um estranho lhe diga Quer que um qualquer lhe toque, Quer que a morte não lhe encontre Mesmo que seja entre um copo e outro Da mais cobiçada face.
Escancara as cicatrizes Esconde os defeitos Marcas de uma guerra, Com falsos vencedores.
Não ha propaganda que sacie Tão pouco sombra que refresque, Valor tão barato de um sentimento Que por hora é apenas lamento.
Azar daqueles que não brindam Sorte daqueles que não vem, Entre uma volta e outra da vida O mundo parece te olhar com um certo desdém.
375
Botão
Medíocre instante Do botão, explosão! Propagação da incerteza Duvida e escuridão. Dedos que condenam Sem saber, sem ter um porque, Justo sofrimento Por escolha da sorte? Ou da falta de saber! Em um piscar de olhos Uma caricatura bem apresentada, Do mal, em forma de fada. Auto, convencimento De que o melhor para você Talvez seja também para a nação! Leve instante de esperança Que se acabe a apreensão, Mesmo que seja nas mãos Manchadas de um duvidoso ser. O voto é a guilhotina do povo Que lentamente mata milhares Pelas desculpas esfarrapadas De homens que se dizem exemplares. Ao amanhecer restam apenas vestígios De mais uma fantasia, que esfarelou vidas, Em troca de um barato assistencialismo. Que começa no alento de uma urna E termina com a esperança em um caixão.