paola_

paola_

- tenho um pé no lírico e o outro no óbito -

n. 0000-12-17, São Paulo

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vazar

fechei meus olhos enquanto a água escorria 

fluía de forma tão fácil e leve

morna e constante

por um breve momento nada me ocorria

o relaxamento era inevitável 

toda preocupação se esvaia 

rumo ao ralo ela seguia
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Poemas

82

leite fermentado

Meu dia começava cinza, o sol nem tinha aparecido direito, tomava um café com leite e acompanhado dum pão com manteiga, e já me arrumava pra escola. 
Tinha vezes que passava em frente duma lanchonete, sempre olhava aquele balcão refrigerado, e lá estava ele: o leite fermentado. 
Certa vez pedi pra minha mãe comprar...não dava...passava vontade…
Não questionava.
Mesmo pequena achava que a vida era assim: por vezes querer mas sempre carecer!
291

vaporosa

Têm vezes que me sinto uma adolescente de 15 anos
Sempre que vejo os clichês românticos dos filmes 
É como se pudesse sentir a sensação de desejar e ser desejada
Torcer para que os personagens se entendam 
Que seja recíproco 
Me pego perdendo o fôlego com cenas prontas
Roteiro manjado 
Tudo ensaiado 
Mas a sensação sempre brota
Acho que sou terra fértil 
Ou teria uma mente débil?
211

clareza

Me peguei pensando sobre minha utilidade
as várias vezes que iniciei algo 
por acreditar piamente que aquele era meu caminho 
Mas não, não era
Não era ‘o caminho’
E sim uma das muitas ferramentas pra chegar nele
Hoje sei! 
Em muitos anos parece que encontrei
Consigo vislumbrar algum futuro 
Sei que não há certezas 
As coisas são fluídas 
Não há permanência 
Mas ao menos serve de alento
Nessa minha breve existência
324

fita k7

Era uma aventura, procurar filmes na locadora, andar entre os corredores, os minutos fluíam sem dificuldades. Não tive videocassete, nas poucas vezes que fui numa locadora foi na companhia de algum parente - era visita. 

Achava um máximo: pegar a fita, ver o filme, rebobinar, e devolver no prazo. 

Hoje, o acesso é um pouco melhor - digo isso com base na minha realidade - o catálogo de filmes está logo aí, na palma da mão.

É, deveria estar satisfeita por esse tempo que estou vivendo…...não, não estou 

Sinto um descontentamento voraz: olho a lista de filmes, pulo de uma seção para outra, e nada, nada é capaz de despertar meu interesse.

Chego a pensar que sou ingrata

Tantos outros querem e não podem ter - agora me refiro a qualquer outra situação genérica, além do acesso a filmes - sou um desperdício ambulante! 

273

diário II

Hoje, não tenho motivos pra estar triste, mas estou…

É um torpor que não passa

Meus olhos pesam, como se tentassem me obrigar a fechá-los, e deixar o sono me pegar.

Na maioria das vezes cedo, durmo por um período de horas, geralmente a tarde, e esse é o único momento que não penso, nada dói, seria como um efeito analgésico. 

Agora mesmo, estou sonolenta, sinto vergonha, por ver pessoas normais tocarem suas vidas, seus objetivos, e eu? Vegeto, apenas isso. 

Chego a pensar que estou ocupando o lugar de alguém, que queria viver verdadeiramente mas não teve chance. 

Sou um desperdício ambulante.
175

diário I

Descobri que posso alimentar meu vício em paixões por meio dos livros: parece que minha mente é inundada por ocitocina, mesmo com histórias tão clichês. 

Talvez essa seja a saída que procurava, não precisar buscar paixões pra sentir aquele flutuar.

Parece que artificialmente estou conseguindo a mesma sensação, a diferença é que não é com alguém real, não há reciprocidade, nem expectativa, o roteiro vem pronto, logo, a chance de decepção é muito pouca, me arrisco a dizer que seria inexistente.

Demorei pra perceber que esse romantismo está apenas na minha mente fora dela não existe mais nada, apenas lágrimas, sofrimento e desapontamento. 

Vou tentar aprender a amar aquilo que me faz bem!

Até escrevendo estas linhas sinto que estou aérea, é como se durante a escrita vivesse em outro mundo, capaz de me transportar pra qualquer lugar…

Isso não é normal, acho que isso explica esse sentimento de inadequação permanente que carrego desde sempre.
198

paranóia

Pra escrever coisas bonitas tenho feito uso de subterfúgios…
...filmes

Através deles consigo sentir parte daquele frenesi.

Só assim consigo lembrar que ainda existe aquela coisa sentimental, aquela subjetividade…

Há tempos não perco o fôlego, não sinto minha barriga estremecer, aquela ânsia por ver, tocar, beijar, como se aquele fosse o meu único instante, como se o tempo simplesmente parasse por uma fração de segundo.

Me sinto tola por agir assim

Como se fosse uma adolescente

Infelizmente não tenho com quem compartilhar

Os conhecidos diriam que endoidei - talvez estejam certos

Parece uma sede insaciável, busco, miseravelmente, por algum oásis, algum porto, qualquer coisa que me dê conforto.
264

distúrbio

Queria ter com quem desabafar 
Dizer o que se passa na minha mente 
No meu coração 
A confusão que me consome 
As paranóias que surgem
E não vão embora 
Queria dizer que te admiro 
De alguma forma prendeu a minha atenção 
Como posso te desconhecer?
269

desembuchar

Acho que minha vida sempre foi pautada em uma fantasia é triste constatar isso. Estou alguns meses sem fazer análise, então ainda não sei como estou lidando com esse presente que de presente não tem nada.

Aquele que vive de forma semelhante vai se identificar: um pequeno sinal - mesmo irrelevante - já é capaz de fazer minha mente girar. É como se minha mente fosse uma terra fértil, propício a esse tipo de situação.

Tento fugir, mas quando percebo já estou repetindo o mesmo ciclo, as mesma atitudes, nesse momento me sinto fracassada…

Deixo de iniciar conversas por receio de perceberem minha condição, então, prefiro permanecer na minha insignificância, invisível, passando vontades, não estabelecendo pontes.
188

amortecido

meu dia foi vazio
sempre espero por algo
mas nada acontece
é sempre o mesmo vazio 
e descontentamento 
olho ao meu redor
não tenho coragem de chamar alguém
ser um peso morto não é fácil 
cansada de nadar
acho que vou deixar a maré me levar
361

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farlleyderze

Sou editor da Microeditora Press. Se tiver interesse em publicar um livro, conte com minha Editora. Tenho o mesmo pensamento desse portal maravilhosos ESCRITAS.ORG, de difundir o trabalho literário e, sobretudo, sem interesses econômicos. Parabéns pelos seus textos, por nos brindar com a poesia, a emoção. Deixo meu contato pessoal: [email protected] Estou te seguindo lá no MEDIUM também.

Gabriel Andrade

espetacular!

stheportugal

Me senti dentro das escritas!