parente22

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Um homem, na sombra, que escreve na medida em que sofre.

n. 1991-01-00

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00:28:11:02:26

Tenho vontade de escrever,
Como se fosse preciso registar
Que não estou triste.
E dá para ver.
Dá-se-me para isso, 
Muito pouco, 
Se estou assim.
Alheado.
E eu estou apaixonado. 
Julgo sabê-lo,
Porque tenho esperança, 
Confiança, 
E acalento
Vontades, 
Desejos
Alimento, sonhos,
De me entregar,
A quem apareceu,
Do breu 
Finalmente capaz,
De me dar paz.

Hoje só quero registar,
Que se nunca mais escrever, 
É porque na medida do que sofro,
Escrevi.

Ler poema completo

Poemas

8

00:12:30:03:24

Sentado, 
Fumando, 
Expulso pensamentos de arrependimento e certezas vãs. 
Como se te deixar seguir,
Sem te perturbar fosse, 
Certamente o melhor para ambos, 
E como se o caminho,
De lá,
Pudesse trazer certezas, 
Que tardam em se afirmar...
Longe vão os tempos da sanidade, 
Em que a perseverança no caminho, 
Árduo, 
Mas certo, 
Duma vida ao teu lado ser recheada de muitas coisas boas, 
Que superariam as assim-assim. 
Além de não ter certezas de nada, 
Hoje,
Tenho dúvidas dentro de mim. 
Depois de teres partido, 
Fisicamente,
Não consigo ver o fim. 
Tento inflingir-me sentimentos negativos que te possa imputar, 
Magoas, 
Transtornos 
Palermices, 
Que me façam te odiar.
Mas depois, 
Enfim, 
Lembro me do teu sorriso, 
E de quão feliz era estar em silêncio abraçado a ti. 
E por mais voltas que dê, 
Não consigo sair daqui. 
Dum desejo impossível, 
Irreal, 
Falacioso, 
De partilhar o mundo contigo, 
Aquele mundo,
Tão bom
Que eu já vi,
Contigo aqui. 

23

00:53:20:03:24

Não é sempre, felizmente,
Que me apego a uma imagem
Que só eu criei,
E eu bem sei... 
Mas há alturas que a realidade paralela,
Do que quero imaginar
Se sobrepõe ao verdadeiro,
Ao real,
Que não quero acreditar.
Mas não é sempre, felizmente, 
Que ha dias que outra gente,
Ou eu próprio,
O que é mais raro,
Conseguimos desanuviar
Essa bruma inebriante
Fictícia
Delitante.
Que me mente,
Felizmente,
Para que te mantenha assim,
Como um sonho,
Tão presente 
Como irreal. 
Tão longe, 
E tão ausente.
Para o bem e para o mal, 
Nada é para sempre,
E tudo também é, 
Felizmente.
34

06:20:09:03:24

A minha maior prova de amor,
Eterno, 
É deixar-te seguir.
E esperar, 
Que um dia eu possa também conseguir.

67

05:31:09:03:24

Estava mesmo quase, 
A cair na tentação. 
Se te escrevesse, 
Ainda ias denegrir como te vejo, 
Com uma qualquer tirada impessoal. 

Fosse, assim,
Tudo bem. 
Para mim, 
Ficava tudo igual. 
Não mandei, 
Porque eu sei, 
Tenho medo
Do final.

É que eu realmente sinto a tua falta. 
Ou de quem vive na minha cabeça. 
Talvez não queira nunca, 
Que desapareça.

Porque sim, 
Não há como enganar. 
Tenho medo
Do final, 
E de aceitar. 
39

04:09:09:03:24

Frio e chuva
Põe me imóvel,
Silêncio vazio, 
Com água que não lava o que me pinta,
Que é Tinta, 
Permanente
Que do avesso brilha,
Encandescente.

Quero lá que fique,
Esse desejo,
Aquele pecado
Que almejo.
Um dia voltar a cruzar me contigo
Fazer de mim o teu abrigo,
Eu a açorda tu o poejo.

Faz me mal,
No entanto.
Pensar nesse sonho mirabolante,
Retira-me o avançar, 
Impede-me de ir avante, 
E a minha mente paralisa, 
Se o quiser tentar. 

Os sinais que me dás, 
São do frio que silenciam. 
Tudo quieto, 
Como a chuva pousada que parou.
Evidenciam, 
Que tudo, enfim, passou.

Mas será que me vês ou me imaginas
Aqui no sobressalto? 
E se também sonhas? 
Exalto. 

Se fosse assim, 
Era tão bom, 
Faltava só saber, 
Viver com.
Oxalá um dia, 
A casa fria, 
Tenha outro tom.
E a chuva que chova. 
Fará nos companhia, 
Oh, faria, 
O som.
42

01:35:05:03:24

Durante esta viagem,
Sem um único destino, 
O tempo vai passando
Sem apagar a minha dor.
Vivo mais feliz
Nas memórias de um passado bom
Que quero perder,
Boicotando o esquecer
A temer ficar sem nada,
Nem com.

Lembro aquele dia,
O primeiro de vários,
Que prometi que te amaria
E que sempre teu havia de ser.
Parece que estava certo,
Porque só o tempo passa
A promessa, cara.
E nada sara.

Vejo os teus olhos no escuro,
Imagino te, aqui e aí. 
Se pudesse viver outra vez,
Se pudesse voltar a ter te aqui, 
Nem que por um dia,
Não encontrava um álibi.
Com essa memória boa
Voltava a sofrer nesta noite fria, 
Mas trazia te de Lisboa.
E tudo de novo faria.

São assim as crónicas de mais um dia,
Em que tudo está igual.
Penso penso penso,
E pensar só me faz mal.
59

00:29:02:03:24

Há um ano.
Sentia-me tão aliviado,
Por ter regressado,
Aos teus braços.
Há um ano,
Queria tanto te tocar,
Que quando pude chegar,
Não sabia o que fazer.
Há um ano,
Era tanta a vontade de enfrentar, 
O que vinha por chegar, 
Tanto havia para viver... 
Hoje, 
Desconheço a minha vontade própria, 
Assim como o teu paradeiro. 
Desconheço se sofres, 
O que não espero. 
Ultrapassa-me se pensas em mim, 
O que não quero. 
Não te desejo a dor
Que também sinto, 
De perder. 
Mas não deixo de querer, 
Que me queiras desse lado
Que sonhes, 
Com o futuro do passado. 
Amava-te e queria te mais do que podia, 
Com tudo o que tinha para dar. 
Para variar, 
Este ano, 
Não tenho o teu estar, 
E nunca mais terei,
Que eu sei.
Continuo igual,
E haverei de conseguir, 
Faças o que faças,
Ficar a viver no saudosismo,
Numa relação conceptual...
Não queria, 
É esse o mal.
46

00:41:23:02:24

Tenho visualizado,
Na mente,
A última vez que te vi.
Não é de propósito,
Mas recorrente,
Que te volto a ver a ti.
Também... 
O teu nome está em toda a parte,
Apareces-me de todos os lados,
De fora, 
Mas principalmente do interior,
Para me deixar aos bocados,
A pensar no meu amor:
Se ele é tóxico e impossível, 
Com um carrossel que não desejo andar, 
É também uma utopia idiota,
Que não consigo abandonar. 
Cada dia passa e te amo menos. 
Cada vez te consigo mais desgostar, 
Acho vá, 
Um dia talvez consiga,
Vender quem sou
Para te passar a ignorar. 
Até lá,
Sonho com uma vida que não é a minha, 
Que não luto para ter
E não quero fazer. 
Mas porquê, 
Porque te quero tanto
Manter?
Sinceramente, 
Porque sou ainda eu. 
E ainda sempre teu.
45

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