parente22

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Um homem, na sombra, que escreve na medida em que sofre.

n. 1991-01-00

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00:28:11:02:26

Tenho vontade de escrever,
Como se fosse preciso registar
Que não estou triste.
E dá para ver.
Dá-se-me para isso, 
Muito pouco, 
Se estou assim.
Alheado.
E eu estou apaixonado. 
Julgo sabê-lo,
Porque tenho esperança, 
Confiança, 
E acalento
Vontades, 
Desejos
Alimento, sonhos,
De me entregar,
A quem apareceu,
Do breu 
Finalmente capaz,
De me dar paz.

Hoje só quero registar,
Que se nunca mais escrever, 
É porque na medida do que sofro,
Escrevi.

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Poemas

33

03:36:26:12:23

Faço um esforço
Constante,
Para deixar de te ver,
Mas não dá.
Estás no sofá,
Na cama,
Na rua,
E a minha cabeça na tua.
Vejo te quieto, 
Imagino te a andar, 
Imagino te a beijar.
Outro.
Imagino te a beijar outro, 
Que não eu, 
E a tocar, 
E a rir... 
Vou fugir.
Tenho de fugir,
Se senti o que disse. 
Se não era tolice, 
Se não era leviano,
Que se ficasses melhor sem mim, 
Teria de ser assim, 
Cá tenho de me aguentar. 
Mas foda-se, 
Está me mesmo a custar.
58

01:38:18:12:23

Queria escrever a sobre a viagem. 
Sobre como me mudou.
Acho que foi uma droga, 
Uma droga nova que chegou.
Bate agora o que podia ter feito, 
Mais.
O caminhar pela selva a direito
A insana liberdade de ser fosse quem fosse. 
E quando sais,
Parece que queres voltar,
Mas nunca poderás voltar a induzir
Aquele sentir,
Aquele chegar.
Por isso, caro leitor,
Oiça deste nada,
Um conselho pessoal:
Pense profundamente no significado do que vive,
Do que faz,
Do que tem,
Do que partilha e com quem.
Somos escravos do tempo.
Impiedoso, não volta mais.
E se perdermos os momentos tais,
Antes de chegarmos a velhos,
Amargurados,
Se calhar somos como os nossos pais. 
Por nos termos amarrado,
E quanto podíamos ter sentido
Talvez beijado um pouco mais,
Ter rido mais além
Ou ido e voltado com alguém.
Eu fiz tudo isso.
Se calhar fui e não voltei.
A verdade é que não sei. 
Depois escolhi a minúcia e o pormenor
E quem trouxe afugentei. 
E agora que tenho tempo para admirar
A exposição é escassa. 
Sem drogas para consumir, 
Ou saber com o que traçar,
A realidade é baça. 
Vamos continuar.
A desembaciar.
65

01:34:15:12:23

É muito duro este sentimento
De perder e de ficar.
Andar sem ter para onde ir
Rir, sem contagiar
Não ter a quem contar.
Se penso no mau e diabolizo,
Fujo para o bom e o que preciso
De fazer para regressar.
Que merda de vida,
Ter perdido ou deixado fugir,
Quem mais me era querida,
Quem julgava puder construir
Quem queria que fosse o futuro e presente, 
E seguir...
Mas e não é?
Não pode ser?
Porquê??! 
Ou só penso assim,
Porque me está a doer?
Não sei que fazer. 
Ou o que vai acontecer
Só sei que esta angústia
Que me mói e me consome
Me castra e tira a fome
Que não me sai do pensamento
Nem que eu beba e eu tento
Me vai enlouquecer. 
Assim
E conforme,
Passe sem te ver, 
Não dura uma hora o esquecer
Não dá para viver
E para mim, 
Se a relação não corria bem,
Estar sem,
Também.
Sobra me estar sozinho,
Mas nem ainda sei,
Infelizmente,
O caminho.
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