parente22

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Um homem, na sombra, que escreve na medida em que sofre.

n. 1991-01-00

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00:28:11:02:26

Tenho vontade de escrever,
Como se fosse preciso registar
Que não estou triste.
E dá para ver.
Dá-se-me para isso, 
Muito pouco, 
Se estou assim.
Alheado.
E eu estou apaixonado. 
Julgo sabê-lo,
Porque tenho esperança, 
Confiança, 
E acalento
Vontades, 
Desejos
Alimento, sonhos,
De me entregar,
A quem apareceu,
Do breu 
Finalmente capaz,
De me dar paz.

Hoje só quero registar,
Que se nunca mais escrever, 
É porque na medida do que sofro,
Escrevi.

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Poemas

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02:35:29:12:23

Hoje passei mais de uma hora sem pensar em ti.
Foi bom.
Mas pensar em ti também é agradável,
Nunca omiti, 
Até que recordo
Que já não existes nem és afável.
Imagino onde estás,
Como estás,
Estás bem e feliz?
Como é a tua dimensão?
Te apraz? 
Já beijaste outro homem,
Já te tocaram ou não?
Curiosidade, não é.
Preocupação, talvez.
É inquietação e desespero ou irritação, 
Por não te ver outra vez.
Dantes escrevia textos,
Quando estavas na Índia ao deitar,
Contava as horas para te rever,
Agora conto os dias sem ti
Tentando te esquecer.
E é o que tinha para falar,
Estou um bocadinho melhor.
Não está a dar para desligar, 
Mas estou a dar o meu melhor. 
Já conclui porquê,
O amor ainda é maior do que pensei
Se calhar daí não se vê, 
Não me digas, eu já sei. 
Se calhar culpas me pelo que nos aconteceu, 
Para estarmos à parte, 
Mas eu vou sempre ser teu, 
Seja aqui ou em Marte.
Não quer dizer que me reclames,
Eu sei que não vais voltar atrás. 
Mas um dia que me chames, 
Pode ser que traga coisas não tão más.
Vá, não te vou mais perturbar
Obrigado por me teres ouvido. 
Se calhar ainda me vou masturbar, 
Merda, 
Vais voltar e não estava precavido. 

Só assim, 
Na minha imaginação. 
Fazemos amor. 
Um frenesim. 
Uma alucinação.
Adoro dor.
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