Vergado sob o peso do cair na correnteza repuxando os nervos pra cobrir a pele nua falando em pacotes de nuvem o louco da lua cheia nascido do galho seco
A dias passados cantando borboletas na macieira passado um sopro de alívio ao ver azul pra cima um dia talvez ele não morra o louco cantado por raios brilhantes
Na ermida dos passos de um homem no mato a vaca vacila ociosa e com sono de um leite jorrando por dentro de si pela beleza de ter um pouco do escorregado molhado do líquido pela espuma
Assim cruzado no mistério sem nome o louco dos dias de final de mundo entende o cantar da estrela rebatida sobre o couro do chão vê a amarga e doce necessidade do leite o louco por vida pulsando o louco marinheiro da noite de lua de vida comida e vomitada, adubo.
925
Vivo
Se tenho o encanto dos lírios roxos e cheiro a saudosas cores outonais é por ser feita do dia e do instante e não ter ilusões angustiantes a me arrastar nos pedregulhos do chão
Se ao mesmo tempo tenho um sopro azul e aguento a dor dos sonhos mortos é em ser flor d'água marinha ter na beira do mar a certeza que serei puxada prum fundo tecnicolor
Se nem sombra nem alegria profunda e marcas de agulhas tenho em meu corpo é que me mato de prazer pelas noites chuvosas com o amante enlouquecido de vida que me enche da seiva sagrada do homem
Se for assim por um risco de existência com doces dúvidas de maracujá sei que sou a fábula perfeita a me contar as histórias do mundo antes do nada a história do sim e do não
Se for assim para ter um risco de existência brinco de vida com o dado do amor a rolar em meu corpo e no teu oh magnífico instante!oh meu amante! Vivo.
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Brincadeira
Tenho horror ao céu aberto ao som de colores horror do dia final meu suspiro... uma gota d'água bailando
Baile
A vida surge da morte? O dia da noite e a tarde do diabo a vida um erro a vida absurda
Um tempo inteiro, um tempo curto tempo ou não tempo tempo ou eternidade o deus da alma, a lama do chão um tempo todo pela frente ou um tempo todo por trás a ruína do meu corpo
Ter o espírito e não ter o sentimento do tempo da terra do só aqui e agora do começo e do fim um fim............ ter um fim nunca ter existido e existir e nunca mais, nem uma única vez morrer e a morte ser um bem o descanso eterno.... o eterno, nós somos eternos
Se eu cair pelo abismo de dentro e sofrer o golpe sobre a minha cabeça? Se eu berrar o erro o absurdo o sonho dourado o que será de mim? Feito do feito do feito eu já fui feita... e brinco de rolar um dado que não existe
Cantar, e eu nem sei cantar Dançar, e eu nem sei dançar a vida, ao não tempo ou suspenso entre o céu e a terra escrevo para me consolar da dor de ser nada, ser suspiro de uma vida maior vida que não para de nascer e me usa e me abandona me devora, meus olhos meus ossoso som da minha voz
Eu nem sei mais se tenho a força de um tigre pra matar e comer matar um amor, retalhar matar a amizade, fiapo matar o desejo, fumaça destruir o destruível e não sorrir nem chorar a linda força de ser um coração sem olhos sem sombra nem consolação ser o não a tudo, e comer todos
Ser eu será eu? Foi eu... fui eu o dia que eu morrer terá terminado sem nem um segundo a mais será o fim dessa loucura sem razão sem destino espaço sobre espaço com um ponto final espaço sobre espaço pelos meus olhos e destruir e me reconstruir ou nem isso
E eu terei sido e meu sofrimento será apagado assim como a minha lágrima que já secou assim como o adeus apagado, nunca existido até se repetir de novo sob outros olhos que não os meus nem os teus, mas o de alguém que chegará a sofrer tudo que sofri como se fosse a primeira vez debaixo do sol
É a brincadeira vamos brincar? Dizer que existimos e que a lua nunca nos viu e dizer que descobrimos o segredo da vida: é o que vem antes da morte que é a eternidade sem memória, é poder rolar e mudar e sair e voltar é rasgar o rosto ou não sentir a dor é assim parecer ser nada e ser o nada o rabisco da natureza Eu e Tu Vamos brincar?
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Meu Poeta
Os sonhos loucos de minha voz louca Voam nas asas do pássaro alado
As pétalas de sons de meus lábios Pendidas no ar como plumas Dedilhada nos pianos da lua... Eu! em canção derretida Aos beijos do poeta rendida
Despedaçada em tecnicolor translúcido Variante metafísica do escuro!
A ti super-amante do espaço Entrego-me em gota destilada A sonhar alto a quimera esfumaçada; Rasgando-me nos céus num beijo transbordante Em murmúrios secretos de nossos amores distantes
Os desejos loucos de minha boca sedenta Voam nas asas do pássaro alado...
Para MD
883
Destino Amor Desamor, o amor maior
Minha doce ampulheta eterna Como te quero como és! De alto a baixo No teu mais minúsculo
Minha clara manhã ensolarada Como reluz cores lúcidas! Investe em meus olhos Esclarece e cura as dores
Meu querido amigo Como se completa o meu e o teu! Do grão de areia ao infinito céu A canção maior de uma vida inteira!
Tu, meu tão amado Amor - Amor fati querido, Eu...
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Ondulada
Em ser nem alegre e nem triste transformo o pouco de meu em lava Sofro as pulhadas de lanças em riste abandonada nas ondas bravas
Em ser nem alegre e nem triste brinco de ser o deus do universo Crio anjos e demônios se não existe cavo fundo a dor sobre versos
Em ser alegre no sol de setembro beijo as flores do caminho escuro Apago meus passos e não me lembro das dores murchas do destino duro
Em ser triste nas noites ermas clamo alto pelo canto das sereias Corro a qualquer abismo que me queira choro lágrimas de espanto por minhas veias
Em ser o meio do nada sem ponta fim dimensão Sou feito pluma alada bailando acima de Nãos
920
Prisão de Fogo
Ah! Sol, brilha em teu rosto Amor em sabores de luz...
Reflexo de minhas sombras amargas Não te vejo mais, só, sob a noite, Tumultuando a sonolência do alento Das distensões do meu ser cruento Que rasgou as vestes puras Por rastro imundo e caveiras nuas.
Ah! Sol, brilha em teu rosto Na doce tarde embalada de pássaros...
Mas o ruído perpetua em meus ouvidos No sombrio obscuro do abismo em mim, Brincam as pupilas do meu rosto vazio Eu bruxa ferida pela espada branca Perambulo solitária e ilusória Cantando no vaso quebrado a minha glória.
Ah! Sol, cantas e minha mão não te alcança Sou pétalas caída no lodo infértil Sou ramo destroncado da árvore sagrada Sou crua e sou eu e somente nada Sou por passos no caminho apagada Pela poeira dos ventos soprada.
Oh Sol revolve minhas cinzas! Faça acordar do pó do exílio maldito Em vermelho de fogo O amor que em mim é chama fria Que se cala em meus lábios um segundo antes do grito,... Pois és tu, o carrasco alado de meus dias...
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Amante Sepulcral
Me deu o beijo de lama meu amante da noite passada não sofri nem chorei pelas amargas pesadas nem meu corpo curvou ao soco e punhaladas que recebi com amor de defunta descarada
Me alisei nos buracos que me sobraram me senti pelo vento carregada para o chão levantei o rosto morto pro amante amante doce que me levou para o caixão
Empertiguei meus ossos pontudos revirei os braços e pernas entortados para alcançar mais um desejo afogado e lançar um sopro podre ao primeiro alheado
Ver o meus requintes sobre pedra dura ser alvo das chacotas de raparigas e putas! na minha cela enterrar cantos e lamúrias onde escondes, oh amante, tua boca muda?
Me roubaste o som me transformaste em serpente e mais as pétalas do meu chorar de amor não me ficou nem teu rosto nem teu beijo para compensar a dor de morrer em teu ardor.