Morte Festiva
Se da morte não se esquiva,
Que tal u'a morte festiva?
Sei como conseguir isto:
-E só aceitar a Jesus Cristo,
Como seu único Salvador
E da sua vida o Senhor.
Vivendo desta maneira
Até ao final da carreira,
Você já pode acreditar,
Todos poderão festejar
O dia do seu êxodo letal,
A sua despedida final.
Entre o choro da tristeza
Poderão curtir certeza
Que no céu vou me encontrar
Com quem morreu pra nos salvar!
Digo com fé que para mim
A morte tem de ser assim:
"-Com belo culto festivo!"
Pois sempre estarei vivo!
No céu vou viver uma boa:
Receberei minha coroa
E também o meu galardão,
O prêmio de todo cristão
Que no bom combate lutou
E em Cristo sempre caminhou.
paulinfantem
Última Sorte - Virei Passado
Eu morri amanhã,
Talvez de manhã.
(Oh! Não me contem
Que isto foi ontem...)
Não sou notório,
Mas no velório
Eu não ter ninguém
Isto não convém.
Nos desencantos
Visitei tantos
Pobres defuntos;
Ficamos juntos,
Eu e a família...
Saudade ardia.
Ninguém agravo,
Se cherei cravo,
Rosa amarela...
Se vi arder vela
Junto do incréu
Que não ia pro céu....
Se perto dela
Pensava nela,
Nela, na morte -
Última Sorte.
Se levei caixão,
Fiz calo na mão;
Se com emoção
Chorei de montão...
Desfiz beleza,
Curti tristeza...
Mas tudo foi em vão:
Fui na solidão.
Neste hospital,
Onde passei mal,
Morri sozinho,
Nenhum carinho...
Abandonado,
Só, deste lado,
Triste, terreno...
Mas, do outro, ameno,
Anjos divinos
Em trajes finos,
Vêm me conduzir
Ao melhor porvir:
Dourada mansão -
Prêmio do cristão.
Combate lutei,
Minha fé guardei,
Carreira venci.
Eles estão aqui,
Anjos do Senhor,
Meu Consolador,
Me dão conforto
Enquanto morto.
Logo me despeço
De qualquer verso.
Nesta capela
Botaram vela,
Fizeram prece
Que não carece
P'ra quem tem Jesus -
Nossa maior Luz.
Velas queimadas,
Preces rezadas...
Tétrico lugar,
Onde fui parar...
Querem me salvar,
Eu que salvo sou -
Jesus me salvou!
Dentro do caixão,
Vou de rabecão
Pro necrotério
Do cemitério.
Chegam parentes
Com outras gentes.
Flores compradas,
Roupas trocadas...
Abriram o caixão
Com grande emoção:
Choram outra vez:
"Nós éramos seis!..."
"Volta paizinho,
Mais um pouquinho!"
Diante da morte
Há quem conforte?...
Só ressurreição
Nesta comoção.
Meu Jesus Cristo,
Se diante disto,
Se compadecia
De quem sofria
Em ver sem vida
Gente querida:
Os consolava -
Ressuscitava.
(A quem confiante
E suplicante
Pede com fervor,
Atende o Senhor.)
Enterram no chão
O meu coração...
Triste momento:
Sepultamento
Já foi concluído -
Sou um ex-marido.
Fui bom esposo?
Um pai amoroso?
Bom? Dedicado?
Dei meu recado?
Quem vai me dizer?
Eu posso saber?...
...................................
Após despedida,
A derradeira,
Voltam à vida,
Ainda sofrida.
Vida prossegue,
Não há quem negue.
Mulher já pensa
(E como pensa!)
No "meu" dinheiro...
Cabelereiro,
Roupas, beleza...
Oh! Que tristeza!
Eu que fui pobre -
Nem deixei cobre;
Só deixei pensão -
Direito da união.
.................................
Tempos passados,
Todos casados,
Nem sou lembrado:
Virei Passado!
paulinfantem
Envelhecer
Chega um tempo em que o perto se faz longe;
o leve se torna pesado;
o doce, amargo;
o salgado, insosso;
o colorido, desbotado;
o áspero, liso;
e o liso não se sente;
o lazer passa a ser sofrer;
chega um tempo em que a morte
nos acena na curva da vida.
Envelhecemos.
paulinfantem
Se a Gente Pudesse
Se a gente pudesse
o mundo ver
antes de nascer,
ver a vida que íamos viver,
ver o tanto que íamos sofrer;
se pudéssemos escolher,
a gente escolheria:
não viver.
paulinfantem
Saudades do Trem
Deixa-me triste:
Trem não existe
Lá no interior,
Trem que tem valor.
Chores tu também:
Mataram o trem!
Findou a lida,
Morreu a vida...
Oh! Que saudade!
E de verdade,
Saudades do trem,
Do trem que não vem,
Trem do interior,
Que tem seu valor.
Janela de trem -
Saudades se tem...
Abrir janela,
Ver vida nela...
Tantas viagens,
Quantas paisagens!
"-Felicidade,
Vou pra cidade..."
"-Fui pro interior
Pra ver o meu amor..."
Ah! Os parentes
E outras gentes...
Quanta saudade
Daquela idade!...
Mãos abanando,
Olhos chorando...
Quanto carinho
Pelo caminho,
Nos acenos de mão...
Sofre coração!
Ah! Quanta vida
E bem vivida
Havia no trem,
No trem que não vem...
Quem só, chorando,
Sonha esperando...
Gente vem vindo,
Quase sorrindo...
No trem chegando
Aqui apitando;
Gente partindo
No que tá saindo...
Peito apertando,
Ah! Sufocando...
Saudades tenho
Do trem que venho,
Que não volto mais,
Trem que triste vais...
Que parto também
Atrás deste trem
Que não volta mais
Que não volta atrás.
Trem que acabou,
E tudo mudou...
Findou a lida,
Morreu a vida,
Vida do meu trem
Que não vem, não vem.
paulinfantem
Aborto Jamais!
Eu sei que terei olhos azuis...
Poderei ver a bela luz!
Ah! a beleza das flores!...
Sentirei seus odores!
E dos pássaros o canto
De louvores ao Deus Santo!...
Mas, o que mais vai me encantar
Será ouvir mamãe falar!
Das coisas que hei de comer,
O bom só você vai fazer...
De cabelos alourados
E com olhos azulados,
Eu serei uma bonequinha
Daquelas bem bonitinha!
Do paizinho serei o xodó
E o denguinho da minha vó.
Serei uma filha obediente,
Deixarei você contente.
Minhas perninhas vão andar
Correndo para lhe abraçar!
Eu logo estarei falando...
Mamãe! Como estou lhe amando!
Vou fazer tantas gracinhas,
Falar coisas bonitinhas...
Quando tiver um dentinho
Vou morder o seu queixinho!
Claro que você vai gostar
De comigo sempre brincar!
Se chegar uma visita
E disser: "Criança bonita!"
Seu coração vai se alegrar,
Terá prazer de me cuidar.
Não serei filha ordinária...
Desejo ser missionária:
Hei de viajar pelo mundo
A falar do amor profundo,
Que na cruz ficou provado
Com Jesus crucificado!...
Mas, Satanás quer impedir,
Fazendo mamãe decidir
Acabar com minha vida...
Não faça isto, mãe querida!
Satã está sussurrando:
"Terá o melhor só abortando."
Sem vigiar, mamãe ouvindo,
Acabará decidindo
Pelo meu fim prematuro,
Arrazando meu futuro.
Mãe! Não faça isto comigo,
Não dê ouvidos ao inimigo!
Mãe, abortar uma criança
É destruir uma esperança,
Tornar-se uma assassina
De menino ou menina,
É fazer grande bobagem,
É destruir de Deus a imagem.
Mamãe, por favor, volte atrás,
Não dê ouvidos a Satanás!
Não aborte, não faça isto!
Ouça ao Nosso Jesus Cristo:
"Deixai vir as suas criancinhas,
Dou-lhes meu reino, são minhas!"
..........................................................
O que está me acontecendo?
Eu sinto que estou morrendo...
A morte está a caminho,
Se contorce meu corpinho...
Oh! Eu não posso acreditar:
Minha mãe mandou me matar!
.......................................................
Quando no espelho você olhar,
Minha assassina vai avistar.
Seus olhos estão medonhos
Pois matou todos meus sonhos...
Sua consciência lhe condena,
A culpa sua alma envenena.
Por Deus você foi pesada
E em grande falta encontrada.
Você nunca mais vai esquecer,
Mesmo após se arrepender,
E com Deus se reconciliar,
E o seu perdão lhe sossegar,
Você há de sempre lembrar
De quando me fez abortar!"
......................................................
"Se você pecou abortando,
Hoje estou lhe convidando:
Sinta seu arrependimento,
De Deus o convencimento
Da dimensão do pecado;
Deixe o seu fardo de lado
E busque sincera o perdão,
Terá de Jesus a salvação.
Mamães, não ouçam Satanás,
Digam sempre: Aborto Jamais!
paulinfantem
Veia Poética
Alguém entra no banheiro
Com o intestino preso
E o coração aceso.
O poeta é assim:
Está sempre afim!...
E com lápis e papel
Povoa todo o céu...
Porém não ganha dinheiro,
Vive quase sempre teso,
Mas, o coração aceso.
Vivendo assim ao léu
Pode ir pro beleléu.
Sentado no vaso,
Fazendo da vida
Grande pouco caso,
Pessoa vivida,
Com muito respeito,
Diz coisas sem jeito...
E se acha poeta
Na sala secreta;
E não se receia
De ter outra veia:
A veia poética...
Assim ascética,
Com o intestino preso
E o coração aceso,
Diz coisas de amor
Quem foi fazer "cocô"...
Posso ser arcaico,
Mas acho prosaico
Um alguém versejar
Quando foi só "cagar".
paulinfantem
Hipocondria
Prezado doutor,
Me faz um favor:
Me peça um exame,
Mas não me engane,
Um check-up geral,
Que estou muito mal,Numa de horror...
Para que o senhor
Possa ter idéia:
Tenho cefaléia,
Amidalite
E faringite...
Quase todo dia
Tenho muita azia;
Será gastrite?
Estomatite?
E cada afta...
Quase me mata;
Tenho rinite
E sinusite;
Cólicas menstruais...
Eu sofro demais!...
Crônica artrite,
Uma bursite...
Dou-lhe mais pistas:
Sofro das vistas...
Hipermetropia?
Ou será miopia?
Sofro do pulmão,
Rins e coração;
É cada baque!...
Sofro da raque;
Senhor médico,
Ortopédico
Era o meu colchão,
Mas durmo no chão,
Que é muito melhor
P'ra quem tá na pior.
Eis minha meta:
Eu farei dieta
Para emagrecer;
Deixei de beber
E larguei o fumo;
Estou no rumo...
- Oh! Não reclames,
Pedirei exames.
....................................
Depois da doente
Completamente
Examinada,
Diagnosticada:
- Mas, Esmerada,
Tu não tens nada!
- É isto que eu temia:
Ter hipocondria.
paulinfantem
Devolva-me Para Mim
Deixei-me ser pacato,
Sem nome nem retrato;
Não posso viver assim:
Acordei molambo de mim.
Já chega de me calar,
De ser mendigo-do-lar;
Sempre quis minha fatia,
Ainda que pouco valia.
Um querer desistindo...
Tudo me foi fugindo.
Não quero voltar atrás,
Atrás não se volta mais;
Mas agora estou afim
Disto que sobrou de mim.
Vou descer do cabide,
Ser gente que decide,
Que quer felicidade,
Que tem dignidade,
Que só quer ser aceito,
Que merece respeito.
Não quero mais agressão
Nem por palavras ou ação...
Não receber apreço
É tudo que mereço?!...
Mas de hoje pra frente
Quero ser diferente,
Eu vou querer também
As coisas que me convêm.
Eu só quero meu quinhão,
Quero comprar o meu pão,
Comer com mortadela
E achar a vida bela!
Vou retomar o rumo,
Colocar-me no prumo.
Porquê pagar pedágio
Pra viver num naufrágio?
Cada palavra, gesto...
Pra você eu não presto.
Tudo que sobrou disto
Eu entrego pra Cristo.
Se não estiver afim,
Devolva-me para mim;
Aceito devolução
Mas não briga sem razão!
paulinfantem